{"id":265,"date":"2011-11-24T20:46:39","date_gmt":"2011-11-24T20:46:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=265"},"modified":"2011-11-24T20:46:39","modified_gmt":"2011-11-24T20:46:39","slug":"de-durban-ao-rio-o-esgotamento-da-agenda-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/de-durban-ao-rio-o-esgotamento-da-agenda-ambiental\/","title":{"rendered":"De Durban ao Rio: o esgotamento da agenda ambiental"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O governo da presidente Dilma Rousseff est\u00e1 colocando grandes expectativas na realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a chamada Rio+20, no Rio de Janeiro, em junho de 2012. Por conta dela, considerada o maior evento internacional do mandato da presidente, o Pal\u00e1cio do Planalto e o Itamaraty est\u00e3o tomando todas as precau\u00e7\u00f5es para n\u00e3o criar atritos e contenciosos na \u00e1rea ambiental, que possam prejudicar a pretendida posi\u00e7\u00e3o de \u00abpot\u00eancia ambiental\u00bb que alguns pretendem atribuir ao Pa\u00eds. Tal inclina\u00e7\u00e3o tem se refletido, entre outros exemplos, no endurecimento de certas posi\u00e7\u00f5es do governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma do C\u00f3digo Florestal que est\u00e1 sendo discutida no Congresso, sendo a confer\u00eancia citada frequentemente como justificativa. Talvez, devido ao entusiasmo com a perspectiva da exposi\u00e7\u00e3o internacional, os altos funcion\u00e1rios encarregados da agenda ambiental n\u00e3o estejam percebendo com nitidez certas tend\u00eancias que j\u00e1 se manifestam no cen\u00e1rio global, com grande potencial para reorientar o tratamento dos temas ambientais para um rumo mais consent\u00e2neo com o mundo real e as necessidades fundamentais das sociedades.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o dos temas clim\u00e1ticos \u00e9 um exemplo relevante. Em dezembro, ser\u00e1 realizada em Durban, \u00c1frica do Sul, a 17a. Confer\u00eancia das Partes sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas das Na\u00e7\u00f5es Unidas (COP-17), cujo desfecho dever\u00e1 influenciar sobremaneira os resultados da Rio+20, pelo papel central exercido pela agenda clim\u00e1tica nas pol\u00edticas ambientais, em \u00e2mbito nacional e internacional. A quest\u00e3o central a ser discutida \u00e9: que tipo de arranjo jur\u00eddico referente \u00e0s emiss\u00f5es de carbono poder\u00e1 substituir o Protocolo de Kyoto, que se encerra em 2012? Com as j\u00e1 anunciadas posi\u00e7\u00f5es negativas de pa\u00edses chave para o processo, como os EUA, que n\u00e3o aderiram ao protocolo, e a R\u00fassia e o Jap\u00e3o, que n\u00e3o pretendem renovar a sua vincula\u00e7\u00e3o a ele, a grande preocupa\u00e7\u00e3o dos c\u00edrculos internacionais que t\u00eam promovido a agenda do aquecimento global supostamente causado pelo homem \u00e9 encontrar uma forma de justificar a sua preserva\u00e7\u00e3o p\u00f3s-Kyoto &#8211; e, com ela, as lucrativas opera\u00e7\u00f5es financeiras baseadas no com\u00e9rcio de cr\u00e9ditos de carbono, sequestro de carbono e outras.<\/p>\n<p>Em um revelador artigo, publicado em 14 de novembro no s\u00edtio da revista <em>Eco21<\/em>, o f\u00edsico e ex-secret\u00e1rio do Meio Ambiente Jos\u00e9 Goldemberg sintetiza as preocupa\u00e7\u00f5es dos c\u00edrculos \u00abaquecimentistas\u00bb em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 COP-17:<\/p>\n<blockquote><p>Hoje, a China \u00e9 o maior emissor de gases de efeito estufa do mundo e os pa\u00edses n\u00e3o industrializados j\u00e1 s\u00e3o respons\u00e1veis por mais da metade delas. Dentro de dez anos, provavelmente, as emiss\u00f5es desse grupo de pa\u00edses atingir\u00e3o 70% do total, invertendo a situa\u00e7\u00e3o que existia 20 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>A forma Basic [Brasil, \u00c1frica do Sul, \u00cdndia e China] de faz\u00ea-lo \u00e9 iniciar uma negocia\u00e7\u00e3o s\u00e9ria com os atuais signat\u00e1rios do Protocolo de Kyoto, para sua inclus\u00e3o na lista dos pa\u00edses que aceitam metas quantitativas; ou seja, adotar um processo de gradua\u00e7\u00e3o. No Protocolo de Kyoto, China, \u00cdndia, Brasil e \u00c1frica do Sul s\u00e3o tratados exatamente como pa\u00edses pequenos que contribuem muito pouco para as emiss\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 realista insistir nessa ilus\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>No artigo, Goldemberg explicita a natureza de certas press\u00f5es que o aparato ambientalista internacional t\u00eam feito contra o Brasil, jogando, precisamente, com a percep\u00e7\u00e3o de certos setores oficiais nacionais, que veem na agenda ambiental um elemento relevante para a almejada eleva\u00e7\u00e3o do status internacional do Pa\u00eds:<\/p>\n<blockquote><p>Em particular no caso do Brasil, n\u00e3o \u00e9 sem tempo que o Itamaraty decida como e onde quer ficar. Por um lado, o pa\u00eds aspira ser um dos grandes no cen\u00e1rio mundial e conseguir lugar de membro permanente no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, com as responsabilidades que isso implica. Por outro, alinha-se com pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam realmente como enfrentar o problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e s\u00e3o dependentes de doa\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses ricos para tal. Esse \u00e9, no fundo, um comportamento bipolar, que na pr\u00e1tica s\u00f3 favoreceu at\u00e9 agora a China, que, protegida pelo Protocolo de Kyoto, se tornou o maior emissor mundial.<\/p>\n<p>Sem novas propostas criativas, a Confer\u00eancia de Durban vai fracassar, comprometendo o sucesso da Rio+20.<\/p><\/blockquote>\n<p>Goldemberg \u00e9 um veterano ativista do aparato \u00abverde\u00bb no Brasil, tendo v\u00ednculos com algumas das principais organiza\u00e7\u00f5es internacionais que integram o movimento, como o World Resources Institute (WRI), Leadership for Environment and Development (LEAD), Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (IISD), Greenpeace e outras. Portanto, ele n\u00e3o fala como pessoa f\u00edsica, mas como um importante insider que conhece muito bem os humores do ambientalismo internacional.<\/p>\n<p>Outra manifesta\u00e7\u00e3o dessas preocupa\u00e7\u00f5es foi a divulga\u00e7\u00e3o do recente relat\u00f3rio anual da Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), o qual subiu dois tons no alarmismo que geralmente orienta a pauta clim\u00e1tica da entidade, ao afirmar que o mundo teria apenas cinco anos para evitar impactos \u00abirrevers\u00edveis\u00bb no clima global, alegadamente causados pelo uso crescente de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Por outro lado, aumenta rapidamente a percep\u00e7\u00e3o dos exageros alarmistas sobre o clima, em especial, na Am\u00e9rica do Norte e na Europa, onde as pesquisas de opini\u00e3o mostram que o n\u00famero de crentes na hip\u00f3tese infundada do aquecimento global antropog\u00eanico diminui a olhos vistos. Uma das causas \u00e9 o alto custo das chamadas energias \u00abalternativas\u00bb, como a e\u00f3lica, solar e outras, que est\u00e1 levando sucessivos governos, principalmente europeus, a retirar os pesados subs\u00eddios necess\u00e1rios para torn\u00e1-las competitivas com as fontes tradicionais, situa\u00e7\u00e3o que tem se agravado com a crise financeira em curso.<\/p>\n<p>O Brasil precisa acautelar-se, para, entre outras coisas, n\u00e3o se tornar o destino das ind\u00fastrias \u00abde baixo carbono\u00bb que est\u00e3o sendo desativadas no Hemisf\u00e9rio Norte, pois, c\u00e1 como l\u00e1, a gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica e solar implica em pesados \u00f3bices quando se tenta estend\u00ea-las al\u00e9m do papel de fontes complementares que lhes cabe, sendo invi\u00e1veis para a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de base (que s\u00f3 pode ser atendida por usinas hidrel\u00e9tricas, termel\u00e9tricas ou nucleares).<\/p>\n<p>Da mesma forma, o Pa\u00eds j\u00e1 fez demasiadas concess\u00f5es ao alarmismo inconsequente do ambientalismo militante e sua agenda dirigida do exterior. Em um futuro muito pr\u00f3ximo, as lideran\u00e7as nacionais de todas as \u00e1reas, a come\u00e7ar pela pol\u00edtica, ter\u00e3o que encarar este fato com a seriedade exigida pelos desdobramentos da crise global e as transforma\u00e7\u00f5es em curso na ordem de poder mundial. O Brasil tem todas as condi\u00e7\u00f5es de ser um dos protagonistas dessa din\u00e2mica &#8211; como j\u00e1 vem sendo de v\u00e1rias formas -, mas, definitivamente, n\u00e3o como uma ris\u00edvel \u00abpot\u00eancia ambiental\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo da presidente Dilma Rousseff est\u00e1 colocando grandes expectativas na realiza\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, a chamada Rio+20, no Rio de Janeiro, em junho de 2012. 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