{"id":257,"date":"2011-11-11T19:31:39","date_gmt":"2011-11-11T19:31:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=257"},"modified":"2011-11-11T19:31:39","modified_gmt":"2011-11-11T19:31:39","slug":"bem-vindo-bebe-7-bilhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/bem-vindo-bebe-7-bilhoes\/","title":{"rendered":"Bem-vindo, Beb\u00ea 7 bilh\u00f5es!"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estabeleceu o \u00faltimo dia 31 de outubro como a data s\u00edmbolo em que a popula\u00e7\u00e3o do planeta atingiu a marca dos 7 bilh\u00f5es. A magnitude do n\u00famero e o fato de o \u00faltimo bilh\u00e3o de habitantes da Terra ter sido acrescido em apenas 13 anos motivaram alguns dos tradicionais resmungos sobre uma suposta \u00abexplos\u00e3o demogr\u00e1fica\u00bb, a incapacidade de o planeta alimentar adequadamente tanta gente e a impossibilidade de se estender a todo o mundo os n\u00edveis de vida dos pa\u00edses industrializados. Todas estas proposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o equivocadas, mas o fato de fundamentarem a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, tanto em \u00e2mbito nacional como internacional, al\u00e9m da sua aceita\u00e7\u00e3o entre os estratos educados das sociedades, demonstra a grande penetra\u00e7\u00e3o e efic\u00e1cia do ide\u00e1rio malthusiano e sua variante ambientalista.<\/p>\n<p>Um n\u00famero inventado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) tem sido comumente citado, como s\u00edmbolo desses falsos dilemas: o de que seriam necess\u00e1rios os recursos naturais de \u00abtr\u00eas Terras\u00bb para conceder a cada habitante do planeta o n\u00edvel de vida de um cidad\u00e3o brit\u00e2nico. Apesar da sua total falta de fundamenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a frequ\u00eancia com que \u00e9 citado por pessoas educadas, tanto nos pa\u00edses mais desenvolvidos como no setor em desenvolvimento, deixa transparecer a dimens\u00e3o do desafio de reverter o pessimismo cultural prevalecente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em paralelo e em grande medida motivado pela sucess\u00e3o de crises econ\u00f4micas e financeiras ocorridas desde a d\u00e9cada de 1970 e a influ\u00eancia do movimento ambientalista internacional. Este \u00faltimo, criado especificamente com uma agenda pol\u00edtica de se contrapor ao impulso de industrializa\u00e7\u00e3o, ao \u00abotimismo tecnol\u00f3gico\u00bb e ao crescimento populacional verificados nas primeiras d\u00e9cadas do p\u00f3s-guerra &#8211; considerados amea\u00e7as existenciais pelos mesmos c\u00edrculos olig\u00e1rquicos do Hemisf\u00e9rio Norte que, anteriormente, promoviam a eugenia e o controle demogr\u00e1fico, com o mesmo prop\u00f3sito geral de manter sob controle o desenvolvimento socioecon\u00f4mico e o progresso cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado em 31 de outubro, no <em>International Herald Tribune<\/em> e outros jornais de todo o mundo, o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, explicitou as ambiguidades acarretadas por tais tend\u00eancias. Por um lado, ele sintetizou com precis\u00e3o o dilema real, ao afirmar:<\/p>\n<blockquote><p>Na medida em que o rel\u00f3gio da popula\u00e7\u00e3o mundial passa a marca de 7 bilh\u00f5es, os alarmes est\u00e3o soando. A for\u00e7a cada vez maior dos protestos p\u00fablicos \u00e9 a express\u00e3o popular de um fato \u00f3bvio: o de que as crescentes incertezas econ\u00f4micas, volatilidade dos mercados e desigualdades atingiram um ponto de crise&#8230; Nestes tempos dif\u00edceis, o maior desafio enfrentado pelos governos n\u00e3o \u00e9 um d\u00e9ficit de recursos: \u00e9 um d\u00e9ficit de confian\u00e7a. As pessoas est\u00e3o perdendo a f\u00e9 em l\u00edderes e em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para fazer as coisas certas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Do outro, no mesmo texto, desfiou o receitu\u00e1rio habitual da agenda ambientalista, com as tradicionais concess\u00f5es ao chamado \u00abdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u00bb e \u00e0 alegada necessidade de se confrontarem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas com uma mudan\u00e7a do padr\u00e3o energ\u00e9tico da economia.<\/p>\n<p>Em realidade, com o presente n\u00edvel de conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, nosso planeta tem condi\u00e7\u00f5es de, em pouco mais de uma gera\u00e7\u00e3o, proporcionar a uma popula\u00e7\u00e3o ainda maior que a atual n\u00edveis de vida compar\u00e1veis aos de um cidad\u00e3o europeu m\u00e9dio. Se tal perspectiva n\u00e3o est\u00e1 colocada na pauta pol\u00edtica das lideran\u00e7as globais, as causas n\u00e3o s\u00e3o a escassez de recursos naturais ou a fragilidade do meio ambiente, mas a aus\u00eancia de vontade pol\u00edtica e o pessimismo cultural que obscurece essa possibilidade concreta.<\/p>\n<p>Em termos demogr\u00e1ficos, o velho e surrado espectro malthusiano da \u00abexplos\u00e3o populacional\u00bb foi substitu\u00eddo por um problema real e bem mais s\u00e9rio, a r\u00e1pida queda das taxas de fertilidade feminina, que j\u00e1 colocou quase todas as na\u00e7\u00f5es industrializadas (com a exce\u00e7\u00e3o dos EUA, devido \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o hisp\u00e2nica e asi\u00e1tica) e um n\u00famero crescente de na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, entre elas o Brasil, abaixo da linha vermelha da taxa de reposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, de 2,2 filhos por mulher em idade f\u00e9rtil. O resultado \u00e9 um envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, com graves consequ\u00eancias para a estrutura da for\u00e7a de trabalho e dos sistemas de seguridade social.<\/p>\n<p>Quanto aos alimentos, a produ\u00e7\u00e3o mundial seria suficiente para alimentar adequadamente uma popula\u00e7\u00e3o superior \u00e0 atual, se toda ela tivesse acesso a eles. O problema maior reside nas distor\u00e7\u00f5es que envolvem a distribui\u00e7\u00e3o dos alimentos, largamente controlada por grandes cart\u00e9is transnacionais que os convertem em commodities especulativas, o desvio de grande parte das safras para a produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis e outras quest\u00f5es que nada t\u00eam a ver com limites f\u00edsicos da produ\u00e7\u00e3o. Segundo a Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Alimentos e a Agricultura (FAO), dos 33 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de terras agricult\u00e1veis do planeta, apenas 16 milh\u00f5es est\u00e3o em uso. Mesmo considerando que nem todo o restante possa ser utilizado para a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria, resta ainda\u00a0um grande potencial a ser aproveitado, por exemplo, no Cerrado brasileiro e na Savana Equatorial africana.<\/p>\n<p>Nesse quadro, devem ser tamb\u00e9m considerados os ineg\u00e1veis avan\u00e7os da biotecnologia, a\u00ed inclu\u00eddos os organismos geneticamente modificados &#8211; ou transg\u00eanicos -, que, desafortunadamente, t\u00eam sido alvos de ativas campanhas do aparato ambientalista.<\/p>\n<p>No campo energ\u00e9tico, ser\u00e1 preciso considerar uma significativa redu\u00e7\u00e3o dos desequil\u00edbrios registrados no consumo global de eletricidade e combust\u00edveis, cuja m\u00e9dia mundial em 2006, segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), era de 1,80 tonelada equivalente de petr\u00f3leo (TEP) por habitante por ano. Por\u00e9m, enquanto os pa\u00edses industrializados da OCDE consumiam 4,70 TEP\/hab.ano e os da antiga URSS, 3,58, a Am\u00e9rica Latina registrava 1,17, a \u00c1frica, 0,66, e a \u00c1sia (sem o Jap\u00e3o, Coreia do Sul e China), 0,63. Tomando como refer\u00eancia m\u00ednima os membros da ex-URSS, salta aos olhos que os n\u00fameros asi\u00e1ticos e africanos precisariam ser multiplicados por um fator de 4-5 e a Am\u00e9rica Latina, por um fator de 3.<\/p>\n<p>Para tanto, uma vez mais, o problema n\u00e3o \u00e9 de recursos escassos, mas de controles e limita\u00e7\u00f5es pol\u00edticos, em particular, as manipula\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e a financeiriza\u00e7\u00e3o dos mercados de hidrocarbonetos e a insidiosa campanha que pretende limitar o uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis sob o falso pretexto do seu impacto sobre a din\u00e2mica clim\u00e1tica. Por exemplo, as descobertas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural em jazidas ultraprofundas, na plataforma continental das Am\u00e9ricas e da \u00c1frica, a nova tecnologia de g\u00e1s de folhelhos e, at\u00e9 mesmo, a crescente aceita\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de hidrocarbonetos de origem inorg\u00e2nica formados na parte superior do manto terrestre (e, por conseguinte, \u00abrenov\u00e1veis\u00bb), abrem interessantes perspectivas para a disponibilidade desses combust\u00edveis, afastando o temor dos limites da produ\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Da mesma forma como no caso dos alimentos, tais perspectivas tendem a melhorar, na medida em que novas tecnologias energ\u00e9ticas promissoras sejam desenvolvidas, como a utiliza\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio e do t\u00f3rio como combust\u00edveis, a fus\u00e3o nuclear e, possivelmente, a energia do v\u00e1cuo qu\u00e2ntico, que poder\u00e3o sepultar definitivamente o mito da \u00abescassez\u00bb de energia para abastecer toda a Humanidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, acima de tudo, a Humanidade precisa recuperar o sentido de futuro positivo e prop\u00f3sito coletivo, do qual nenhuma sociedade ou civiliza\u00e7\u00e3o pode prescindir para prosperar e que foi perdido ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas de pessimismo cultural induzido. E nada melhor do que olhar com otimismo al\u00e9m dos seus limites moment\u00e2neos para proporcionar o impulso necess\u00e1rio. Para a Humanidade como um todo, este olhar deve mirar al\u00e9m do planeta, recuperando a inspiradora\u00a0motiva\u00e7\u00e3o que eletrizava a popula\u00e7\u00e3o mundial durante a \u00abcorrida espacial\u00bb das d\u00e9cadas de 1960-70. Ao considerar o espa\u00e7o c\u00f3smico como \u00e1rea de expans\u00e3o dos seus interesses, o ser humano n\u00e3o apenas se qualifica para aprofundar a sua capacidade de resposta aos desafios da evolu\u00e7\u00e3o do processo civilizat\u00f3rio, a\u00ed inclu\u00eddos os problemas no seu pr\u00f3prio planeta, como tamb\u00e9m para cumprir o seu destino como esp\u00e9cie racional e criativa.<\/p>\n<p>Essa poderosa ideia-for\u00e7a foi batizada como o \u00abImperativo Extraterrestre\u00bb da Humanidade, pelo engenheiro aeroespacial alem\u00e3o Krafft Ehricke, que foi um dos grandes colaboradores do programa espacial dos EUA. Como escreveu em 1957:<\/p>\n<blockquote><p>A ideia de viajar a outros corpos celestes reflete no n\u00edvel mais alto a independ\u00eancia e agilidade da mente humana. Ela empresta uma dignidade \u00faltima \u00e0s fa\u00e7anhas t\u00e9cnicas e cient\u00edficas do homem. Acima de tudo, ela toca a filosofia da sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Como resultado, o conceito de viagem espacial desconsidera fronteiras nacionais, recusa-se a reconhecer as diferen\u00e7as de origem hist\u00f3rica ou etnol\u00f3gica e penetra na fibra de um credo sociol\u00f3gico ou pol\u00edtico t\u00e3o rapidamente como na de outro&#8230; Ao se expandir pelo Universo, o homem cumpre o seu destino como um elemento da vida, dotado do poder da raz\u00e3o e da sabedoria da lei moral em si pr\u00f3prio.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 com esse esp\u00edrito que o mundo deve saudar a chegada do \u00abBeb\u00ea 7 bilh\u00f5es\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estabeleceu o \u00faltimo dia 31 de outubro como a data s\u00edmbolo em que a popula\u00e7\u00e3o do planeta atingiu a marca dos 7 bilh\u00f5es. 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