{"id":249,"date":"2011-11-07T19:26:44","date_gmt":"2011-11-07T19:26:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=249"},"modified":"2011-11-07T19:26:44","modified_gmt":"2011-11-07T19:26:44","slug":"a-criacao-colonial-das-ongs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-criacao-colonial-das-ongs\/","title":{"rendered":"A cria\u00e7\u00e3o colonial das ONGs"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\"><em>A seguir, reproduzimos um trecho do cap\u00edtulo 4 do livro <\/em>M\u00e1fia Verde: ambientalismo, nuevo colonialismo<em>, de Lorenzo Carrasco e outros, publicado pela Capax Dei Editora, em 2007.<\/em><\/p>\n<p align=\"left\">\u00abA s\u00fabita apari\u00e7\u00e3o de centenas de milhares de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) ao redor do mundo, desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, n\u00e3o foi um fato casual, nem um produto da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. A reprodu\u00e7\u00e3o global das ONGs foi o resultado de uma das mais sofisticadas opera\u00e7\u00f5es de engenharia social gestadas no seio do aparato de intelig\u00eancia brit\u00e2nico, e disseminada por todas as zonas sob a influ\u00eancia do poder olig\u00e1rquico anglo-americano. \u00c9, portanto, uma parte fundamental da estrutura de um governo mundial, projetado para ser erguido sobre as ru\u00ednas do Estado nacional soberano. Portanto, seria mais adequado qualificar as ONGs como organiza\u00e7\u00f5es anti-Estado nacional, concebidas para suplantar as suas fun\u00e7\u00f5es e constituir-se em uma nova representatividade sociopol\u00edtica, sustentada de fora das fronteiras nacionais.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abO conceito de ONG foi cunhado pela Funda\u00e7\u00e3o da Comunidade Brit\u00e2nica (Commonwealth Foundation), como um instrumento para ajudar na metamorfose do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, que passou de um modelo abertamente imperial a outro igualmente colonial, mas com mecanismos mais sutis de controle, conseguindo preservar muitas de suas prerrogativas de poder e, sobretudo, retendo o controle sobre os recursos naturais estrat\u00e9gicos por todo o mundo. A oligarquia brit\u00e2nica e a casas mon\u00e1rquicas que gravitam em sua \u00f3rbita responderam, com isso, ao clamor mundial de descoloniza\u00e7\u00e3o que se seguiu ao final da II Guerra Mundial. Para isso, foi criada, em 1966, a pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o da Comunidade Brit\u00e2nica, para ajudar oficialmente a controlar a transi\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico para a Comunidade Brit\u00e2nica de ex-col\u00f4nias.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abEssa transi\u00e7\u00e3o coincidiu com as reformas do sistema financeiro mundial, que culminaram na ruptura dos Acordos de Bretton Woods, em agosto de 1971, abrindo caminho ao processo de globaliza\u00e7\u00e3o financeira atual. A pr\u00f3pria Funda\u00e7\u00e3o da Comunidade Brit\u00e2nica admite:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) A exposi\u00e7\u00e3o das ONGs pode ser vista como a manifesta\u00e7\u00e3o de um novo pensamento sobre o rol do governo, que deve ser mais um gestor de pol\u00edtica que um provedor de bens e servi\u00e7os&#8230; A privatiza\u00e7\u00e3o, a descentraliza\u00e7\u00e3o&#8230; constituem manifesta\u00e7\u00f5es paralelas da mesma tend\u00eancia geral.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">\u00abAssim, as ag\u00eancias de desenvolvimento dos governos europeus, estadunidense, canadense e os organismos multilaterais, como o Banco Mundial e outros, alimentaram o crescimento de uma rede global de ONGs, ao tempo em que exigiam, tamb\u00e9m, o desmantelamento econ\u00f4mico dos Estados nacionais. Como resultado deste processo, esses organismos deixaram de financiar diretamente as na\u00e7\u00f5es em vias de desenvolvimento, desviando crescentemente os recursos dos Estados nacionais para uma rede seletiva de ONGs internacionais, cujos dirigentes, por certo, s\u00e3o, com frequ\u00eancia, intercambi\u00e1veis, tanto entre aquelas ag\u00eancias governamentais, como entre organismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abComo resultado, os governos das na\u00e7\u00f5es mais pobres permitem que tais organiza\u00e7\u00f5es proliferem &#8211; muitas vezes, empenhadas abertamente em desestabiliz\u00e1-los econ\u00f4mica e politicamente -, ao verem-se obstaculizados e reduzidos na concess\u00e3o de cr\u00e9ditos financeiros internacionais. Um exemplo ilustra tal fato: segundo dados do Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID) brit\u00e2nico, 30% da ajuda externa concedido pelo governo sueco em 1994 foi canalizado atrav\u00e9s de ONGs. No mesmo ano, o governo dos EUA, o maior doador do mundo, canalizou 9% dos seus fundos de ajuda ao exterior pelas mesmas vias, al\u00e9m de ter anunciado a inten\u00e7\u00e3o de elevar esta porcentagem at\u00e9 50% ao final da d\u00e9cada.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abEm 1994, as ONGs estiveram diretamente envolvidas em mais da metade dos projetos do Banco Mundial, n\u00e3o apenas na fase de execu\u00e7\u00e3o, mas desde o seu planejamento e desenvolvimento.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abSegundo um relat\u00f3rio do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em meados da d\u00e9cada de 1990, aproximadamente, 250 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo se encontravam sob a influ\u00eancia direta das ONGs, n\u00famero que cresceu exponencialmente na d\u00e9cada seguinte.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abDeve-se reiterar que a explos\u00e3o de ONGs e o seu controle crescente sobre as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o se teriam produzido sem o enfraquecimento simult\u00e2neo dos Estados nacionais soberanos e as suas institui\u00e7\u00f5es, por meio de cortes t\u00e3o dr\u00e1sticos como desastrosos dos or\u00e7amentos econ\u00f4micos e sociais, ditados pelas pol\u00edticas neoliberais impostas, de forma centralizada, pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras globais.\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seguir, reproduzimos um trecho do cap\u00edtulo 4 do livro M\u00e1fia Verde: ambientalismo, nuevo colonialismo, de Lorenzo Carrasco e outros, publicado pela Capax Dei Editora, em 2007. \u00abA s\u00fabita apari\u00e7\u00e3o de centenas de milhares de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) ao redor do mundo, desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, n\u00e3o foi um fato casual, nem &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-249","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}