{"id":239,"date":"2011-11-07T19:19:39","date_gmt":"2011-11-07T19:19:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=239"},"modified":"2011-11-07T19:19:39","modified_gmt":"2011-11-07T19:19:39","slug":"negocios-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/negocios-climaticos\/","title":{"rendered":"Neg\u00f3cios \u00abclim\u00e1ticos\u00bb"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Em todo o mundo, os setores empresariais t\u00eam incorporado os preceitos ambientais em suas estrat\u00e9gias de neg\u00f3cios. Muitas vezes, como resultado de uma efetiva conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de compatibiliza\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas com requisitos racionais de prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente ou do pr\u00f3prio desenvolvimento dos processos produtivos. Outras, visando o aproveitamento das oportunidades de neg\u00f3cios criadas por imposi\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o ambiental ou pelas inclina\u00e7\u00f5es ambientais da sociedade. Ou, ainda, pela necessidade de apresentar uma imagem \u00abambientalmente amig\u00e1vel\u00bb diante de autoridades, clientes, parceiros e da opini\u00e3o p\u00fablica em geral. Por tais motivos, compreensivelmente, \u00e9 pouco comum que empres\u00e1rios, individualmente ou por interm\u00e9dio de suas entidades representativas, manifestem qualquer contesta\u00e7\u00e3o ao ambientalismo, mesmo quando suas atividades sejam prejudicadas por medidas ou a\u00e7\u00f5es baseadas em interpreta\u00e7\u00f5es radicais, legais ou n\u00e3o, dos princ\u00edpios ambientais. O Brasil n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra.<\/p>\n<p align=\"left\">Um exemplo relevante \u00e9 a atitude frente ao crucial tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, hoje o carro-chefe do ambientalismo internacional, que tem servido como r\u00f3tulo para um n\u00famero rapidamente crescente de neg\u00f3cios, sem grandes considera\u00e7\u00f5es para com a validade cient\u00edfica das iniciativas adotadas. N\u00e3o \u00e9 frequente, por exemplo, uma posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica como a da Secovi-SP, o sindicato paulista das empresas imobili\u00e1rias, que se op\u00f4s publicamente \u00e0 chamada \u00abLei dos Telhados Brancos\u00bb, em discuss\u00e3o na C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo (SP), inclusive, na audi\u00eancia p\u00fablica realizada em 10 de outubro \u00faltimo (<em>Alerta Cient\u00edfico e Ambiental<\/em>, 13\/10\/2011). Na grande maioria das vezes, o que se observa \u00e9 um esfor\u00e7o de acomoda\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o geral dos fatos.<\/p>\n<p align=\"left\">Em 2009, um grupo de empresas privadas e p\u00fablicas criou a organiza\u00e7\u00e3o Empresas Pelo Clima (EPC), que conta atualmente com 39 membros. Dentre os objetivos declarados da iniciativa, est\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o de um sistema de limita\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio de emiss\u00f5es de carbono (<em>cap-and-trade<\/em>) similar ao existente na Uni\u00e3o Europeia (UE). No \u00faltimo dia 20 de outubro, a EPC promoveu um semin\u00e1rio para debater propostas que visam a reduzir as emiss\u00f5es de carbono dos setores produtivos brasileiros, discutindo propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas e a formula\u00e7\u00e3o de um marco regulat\u00f3rio sobre o clima. Na ocasi\u00e3o, Mario Monzoni, coordenador de Estudos em Sustentabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (GVCes), deixou clara a motiva\u00e7\u00e3o da iniciativa: \u00abTer acesso aos mercados \u00e9 quest\u00e3o vital para as empresas e elas come\u00e7am a ser questionadas sobre quanto de carbono est\u00e3o embarcando nos postos ou quanto de carbono est\u00e3o colocando na cadeia de suprimento de seus compradores&#8230; A quest\u00e3o ambiental come\u00e7a a dialogar muito estreitamente com competitividade (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 20\/10\/2011).\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">No evento, realizado em S\u00e3o Paulo (SP), foram defendidas duas estrat\u00e9gias de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es: o estabelecimento de pol\u00edticas de comando e controle e a redu\u00e7\u00e3o por meio de instrumentos econ\u00f4micos. A segunda op\u00e7\u00e3o se refere tanto ao repasse aos consumidores dos custos de programas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, quanto \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de um mercado de emiss\u00f5es, como o europeu. \u00abUma empresa tem direito de poluir x. Se precisa emitir mais do que aquilo, tem que ir ao mercado e comprar licen\u00e7as\u00bb, explicou Monzoni.<\/p>\n<p align=\"left\">Tais propostas se integram no contexto da agenda dos setores empresariais interessados no mercado de carbono em face das perspectivas &#8211; duvidosas &#8211; da 18\u00aa. Confer\u00eancia das Partes sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas das Na\u00e7\u00f5es Unidas (COP-18), que se realizar\u00e1 em Durban, \u00c1frica do Sul, em dezembro. Com os sinais de que a renova\u00e7\u00e3o do Protocolo de Kyoto no pr\u00f3ximo ano \u00e9 bastante improv\u00e1vel, as empresas reunidas na EPC pretendem garantir um mercado nacional para os cr\u00e9ditos de carbono. Em refer\u00eancia \u00e0s incertezas quanto ao Protocolo, Monzoni afirmou: \u00abEstamos em um momento em que as coisas n\u00e3o est\u00e3o claras&#8230; Mas, independentemente dos destinos do Protocolo de Kyoto, o Brasil tem uma lei.\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">Monzoni se referia \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o nacional, aprovada em 2010, que estabelece limites para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es brasileiras at\u00e9 2020. Mas o fato \u00e9 que, sem um arcabou\u00e7o jur\u00eddico internacional que estabele\u00e7a cotas de emiss\u00f5es para cada pa\u00eds, o mercado de cr\u00e9ditos de carbono, majoritariamente baseado no esquema da UE (o chamado Emissions Trade Scheme), tende a \u00abdesaquecer\u00bb de forma consider\u00e1vel e, dificilmente, o Brasil poder\u00e1 sustentar por si mesmo neg\u00f3cios de grande vulto.<\/p>\n<p align=\"left\">Em outra demonstra\u00e7\u00e3o de que o mercado de cr\u00e9ditos de carbono tem escassa consist\u00eancia econ\u00f4mica e s\u00f3 se viabiliza por meio de medidas impositivas, a Academia de Ci\u00eancias dos EUA acaba de divulgar mais um estudo \u00abcient\u00edfico\u00bb, propondo a imposi\u00e7\u00e3o de um imposto sobre as emiss\u00f5es de carbono no in\u00edcio das cadeias produtivas, como forma de provocar um \u00abefeito cascata\u00bb de tributa\u00e7\u00e3o progressiva das atividades produtivas, desde a extra\u00e7\u00e3o de energia e das mat\u00e9rias-primas at\u00e9 o consumidor final.<\/p>\n<p align=\"left\">Em paralelo ao evento, foi divulgado nos EUA um estudo \u00abcient\u00edfico\u00bb, intitulado e publicado nos anais das Academias de Ci\u00eancias dos Estados Unidos, que prop\u00f5e um imposto sobre as emiss\u00f5es de carbono no in\u00edcio das cadeias de suprimentos., de modo a tornar a capta\u00e7\u00e3o \u00abem prol do meio ambiente\u00bb mais eficiente.<\/p>\n<p align=\"left\">Intitulado <em>The supply chain of CO2 emissions<\/em> (A cadeia de suprimentos das emiss\u00f5es de CO2), o documento analisou a matriz de emiss\u00f5es de 112 pa\u00edses e 58 setores industriais, e afirma que 67% das emiss\u00f5es globais de carbono seriam tribut\u00e1veis, se a regula\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es ocorresse no ponto de extra\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis. Al\u00e9m disto, prop\u00f5e que a concentra\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em um restrito n\u00famero de pa\u00edses envolvidos na extra\u00e7\u00e3o e refino\/beneficiamento de combust\u00edveis f\u00f3sseis possibilita a simplifica\u00e7\u00e3o a regula\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es, por meio da tributa\u00e7\u00e3o \u00abna boca do po\u00e7o\u00bb, \u00abna porta da mina\u00bb ou na usina de refino &#8211; reduzindo as possibilidades de se evitar os limites e as tributa\u00e7\u00f5es das emiss\u00f5es de carbono pelos setores produtivos (<em>Ecopol\u00edtica<\/em>, 9\/10\/2011).<\/p>\n<p align=\"left\">N\u00e3o por acaso, entre os autores do documento est\u00e1 Ken Caldeira, cientista atmosf\u00e9rico do Instituto Carnegie de Ci\u00eancia (EUA) e um dos mais entusiasmados proponentes de esquemas mirabolantes para combater o suposto aquecimento global causado pelo homem, como os chamados projetos de geoengenharia.<\/p>\n<p align=\"left\">Um sen\u00e3o: toda essa estrutura de neg\u00f3cios envolvendo quest\u00f5es clim\u00e1ticas depende da percep\u00e7\u00e3o geral de que as atividades humanas estariam influenciando negativamente o clima global e, principalmente, da exist\u00eancia de um marco jur\u00eddico internacional de restri\u00e7\u00f5es das emiss\u00f5es de carbono (papel exercido, atualmente, pelo Protocolo de Kyoto, que expirar\u00e1 em 2012). O grande problema \u00e9 que a crise econ\u00f4mico-financeira global est\u00e1 colocando em evid\u00eancia os altos custos de tais esquemas de \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia, ao mesmo tempo em que aumentam os questionamentos aos cen\u00e1rios alarmistas referentes ao clima, cujos exageros s\u00e3o cada vez mais evidentes. Tudo isso coloca s\u00e9rias interrogantes sobre os neg\u00f3cios \u00abclim\u00e1ticos\u00bb e, por conseguinte, as empresas deveriam prestar muita aten\u00e7\u00e3o na mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o dos ventos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em todo o mundo, os setores empresariais t\u00eam incorporado os preceitos ambientais em suas estrat\u00e9gias de neg\u00f3cios. Muitas vezes, como resultado de uma efetiva conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de compatibiliza\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas com requisitos racionais de prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente ou do pr\u00f3prio desenvolvimento dos processos produtivos. Outras, visando o aproveitamento das oportunidades de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-239","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=239"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/239\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}