{"id":204,"date":"2011-10-14T20:25:36","date_gmt":"2011-10-14T20:25:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=204"},"modified":"2011-10-14T20:25:36","modified_gmt":"2011-10-14T20:25:36","slug":"ugandenses-expulsos-de-terras-por-esquemas-de-creditos-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/ugandenses-expulsos-de-terras-por-esquemas-de-creditos-de-carbono\/","title":{"rendered":"Ugandenses expulsos de terras por esquemas de cr\u00e9ditos de carbono"},"content":{"rendered":"<p>O car\u00e1ter neocolonial do ambientalismo radical tem sido ressaltado por um n\u00famero crescente de comentaristas, mas acaba de ser demonstrado de forma cabal em Uganda, onde camponeses foram expulsos de suas terras para dar espa\u00e7o a um projeto privado de reflorestamento baseado em um esquema de cr\u00e9ditos de carbono. A expuls\u00e3o dos camponeses se deu de forma violenta, com o recurso a for\u00e7as militares, que incendiaram casas e provocaram mortes. A finalidade do projeto \u00e9 converter as terras usadas para a agricultura em florestas plantadas, com o objetivo de gerar cr\u00e9ditos de carbono para serem comercializados no mercado europeu &#8211; que, como se sabe, s\u00e3o instrumentos financeiros criados a pretexto de ajudar a reduzir as emiss\u00f5es de carbono supostamente causadoras do chamado aquecimento global. Como observou com propriedade o editor do s\u00edtio Prison Planet.com, Paul Joseph Watson (23\/09\/2011), trata-se de \u00abuma chocante demonstra\u00e7\u00e3o de como a tramoia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 uma forma b\u00e1rbara de neocolonialismo\u00bb.<\/p>\n<p>Um dos escassos relatos do caso na grande m\u00eddia foi uma reportagem do <em>New York Times<\/em> de 21 de setembro, na qual o jornalista Josh Kron descreve a patranha com detalhes.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o das tropas armadas se deu por encomenda da empresa inglesa New Forests Company, que se dedica \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de terras e \u00e0 planta\u00e7\u00e3o de florestas artificiais em Uganda, Tanz\u00e2nia e Mo\u00e7ambique, inseridos em um esquema de cr\u00e9ditos de carbono, em parceria com a ag\u00eancia de investimentos do Banco Mundial e do Hongkong and Shanghai Banking Corporation (HSBC). No conselho de administra\u00e7\u00e3o da empresa, t\u00eam assento o diretor de investimentos do HSBC, Sajjad Sabur, al\u00e9m de ex-integrantes do banco de investimentos estadunidense Goldman Sachs.<\/p>\n<p>Segundo <a href=\"www.newforests.net\">o seu s\u00edtio<\/a>, a empresa tem mais de 20 mil hectares de terras em Uganda e se define como:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) uma companhia florestal baseada no Reino Unido, sustent\u00e1vel e socialmente respons\u00e1vel, com planta\u00e7\u00f5es estabelecidas e rapidamente crescentes e a perspectiva de uma base de produ\u00e7\u00e3o diversficada, para mercados de exporta\u00e7\u00e3o locais e regionais, que proporcionar\u00e3o tanto retornos atrativos aos investidores e significativos benef\u00edcios sociais e ambientais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em 2005, o governo ugandense cedeu \u00e0 New Forests o direito de explora\u00e7\u00e3o das terras em tr\u00eas distritos do pa\u00eds, nas quais a empresa est\u00e1 plantando pinho e eucalipto. O problema \u00e9 que as terras j\u00e1 eram ocupadas e, segundo um relat\u00f3rio recentemente divulgado pela ONG brit\u00e2nica Oxfam, cerca de 20 mil pessoas foram expulsas de suas terras pela a\u00e7\u00e3o da empresa, com o emprego de m\u00e9todos de terror e viol\u00eancia. Os alde\u00f5es expulsos afirmaram que \u00abfor\u00e7as de seguran\u00e7a\u00bb fortemente armadas atacaram os vilarejos, incendiando casas e causando a morte de uma crian\u00e7a, no inc\u00eandio da casa em que vivia. Jean-Marie Tushabe, pai de duas crian\u00e7as, disse: \u00abN\u00f3s est\u00e1vamos na igreja&#8230; Eu ouvi tiros disparados para o alto&#8230; Carros vieram junto com a pol\u00edcia&#8230; Eles invadiram as nossas casas. Levaram os nossos pratos, copos, colch\u00f5es, cama, travesseiros. Ent\u00e3o, n\u00f3s os vimos retirando caixas de f\u00f3sforos dos seus bolsos.\u00bb<\/p>\n<p>Tanto o governo ugandense como a New Forests consideram a presen\u00e7a dos alde\u00f5es nas terras como ilegal e, segundo o jornalista, a sua expuls\u00e3o se deveu \u00aba uma boa causa: proteger o meio ambiente e ajudar a combater o aquecimento global\u00bb.<\/p>\n<p>Em uma observa\u00e7\u00e3o l\u00facida e pouco comum entre jornalistas da grande m\u00eddia, Josh Kron escreve: \u00abO caso gira em torno de um mercado multibilion\u00e1rio do com\u00e9rcio de cr\u00e9ditos de carbono nos termos do Protocolo de Kyoto, que cont\u00e9m mecanismos de transfer\u00eancia da prote\u00e7\u00e3o ambiental \u00e0s na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento.\u00bb<\/p>\n<p>Uma fonte do governo ugandense afirmou ao jornalista que a a\u00e7\u00e3o violenta de expuls\u00e3o dos alde\u00f5es das terras cedidas \u00e0 empresa brit\u00e2nica foi conduzida por policiais e pol\u00edticos corruptos, agindo \u00e0 margem da lei. J\u00e1 a New Forests respondeu \u00e0s den\u00fancias da Oxfam com uma declara\u00e7\u00e3o digna de P\u00f4ncio Pilatos: \u00abO nosso entendimento \u00e9 o de que esses reassentamentos foram legais, volunt\u00e1rios e pac\u00edficos (sic) e as nossas primeiras sondagens confirmaram essa impress\u00e3o.\u00bb<\/p>\n<p>Os arreglos da New Forests na \u00c1frica s\u00e3o emblem\u00e1ticos dos grandes neg\u00f3cios que t\u00eam sido articulados em muitos pa\u00edses em desenvolvimento, sob o nobre pretexto de enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas alegadamente influenciadas pela a\u00e7\u00e3o humana. Mas, de humano mesmo, o que temos visto s\u00e3o a\u00e7\u00f5es abertamente criminosas como a da empresa brit\u00e2nica, em conluio com governos sequiosos de receber vantagens financeiras das antigas pot\u00eancias coloniais, para as quais a prote\u00e7\u00e3o ambiental passou a ser a nova face do antigo \u00abfardo civilizador do homem branco\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O car\u00e1ter neocolonial do ambientalismo radical tem sido ressaltado por um n\u00famero crescente de comentaristas, mas acaba de ser demonstrado de forma cabal em Uganda, onde camponeses foram expulsos de suas terras para dar espa\u00e7o a um projeto privado de reflorestamento baseado em um esquema de cr\u00e9ditos de carbono. 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