{"id":165,"date":"2011-09-23T19:57:34","date_gmt":"2011-09-23T19:57:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=165"},"modified":"2011-09-23T19:57:34","modified_gmt":"2011-09-23T19:57:34","slug":"165","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/165\/","title":{"rendered":"Irradia\u00e7\u00e3o de alimentos legalizada no Brasil"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Uma importante decis\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura abre caminho para o desenvolvimento de uma das tecnologias mais promissoras para a conserva\u00e7\u00e3o de alimentos: a irradia\u00e7\u00e3o. Com a publica\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Normativa N.\u00b0 9 do minist\u00e9rio, fica reconhecida a legalidade do desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o da irradia\u00e7\u00e3o para o tratamento fitossanit\u00e1rio, de modo a prevenir pragas e a prolongar a validade de alimentos variados. A decis\u00e3o abre boas perspectivas para o setor agropecu\u00e1rio nacional, que passa a ter mais um importante recurso para melhorar a qualidade da estocagem da produ\u00e7\u00e3o, com impacto positivo nas exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo o professor Julio Marcos Melges Walder, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de S\u00e3o Paulo (Cena\/USP), \u00aba irradia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma alternativa eficiente aos m\u00e9todos adotados hoje no p\u00f3s-colheita para garantir a exporta\u00e7\u00e3o de frutas livres de doen\u00e7as. E com a vantagem de ser limpa, sem risco de deixar qualquer tipo de res\u00edduos no alimento (<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, 6\/09\/2011)\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">De fato, al\u00e9m de preservar a integridade de alimentos, ao reduzir as perdas naturais causadas por processos fisiol\u00f3gicos, a irradia\u00e7\u00e3o elimina microorganismos, parasitas e pragas, sendo eficiente tamb\u00e9m no tratamento de vegetais, carnes e l\u00e1cteos.<\/p>\n<p align=\"left\">A irradia\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que causa menos impactos do que os processos tradicionais de tratamento de alimentos. Um exemplo \u00e9 o caso das mangas, que s\u00e3o submetidas a um tratamento t\u00e9rmico para eliminar organismos presentes no fruto. Entretanto, tal processo faz com que a casca perca umidade, comprometendo a qualidade do fruto. Com a irradia\u00e7\u00e3o, isto n\u00e3o ocorre.<\/p>\n<p align=\"left\">As pesquisas com irradia\u00e7\u00e3o no Cena tiveram in\u00edcio na d\u00e9cada de 1970, primeiramente, com gr\u00e3os armazenados e, depois, com frutas e vegetais. Mais recentemente, o Centro tem desenvolvido a aplica\u00e7\u00e3o do processo a carnes, latic\u00ednios e at\u00e9 pratos prontos. O princ\u00edpio da irradia\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 similar ao dos raios-X. A tecnologia desenvolvida no Cena emprega radia\u00e7\u00e3o ionizante a partir de equipamentos que emitem raios gama de cobalto-60. Segundo Walder, a irradia\u00e7\u00e3o \u00abimpede a multiplica\u00e7\u00e3o de microorganismos pela altera\u00e7\u00e3o de sua estrutura molecular\u00bb. Cada alimento recebe uma determinada dose de irradia\u00e7\u00e3o, por\u00e9m sempre mantendo as propriedades f\u00edsicas, qu\u00edmicas, nutritivas e sensoriais do alimento, sem contaminar o ambiente.<\/p>\n<p align=\"left\">Entretanto, de acordo com Walder, a tecnologia ainda n\u00e3o despertou grande interesse por parte dos investidores. \u00abO Brasil n\u00e3o tem nenhum irradiador e est\u00e1 pelo menos cinco anos atrasado, porque a instala\u00e7\u00e3o de um irradiador, considerando o processo de licenciamento ambiental e a autoriza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear, leva pelo menos tr\u00eas anos\u00bb, afirma. O especialista estima que seriam necess\u00e1rios pelo menos tr\u00eas irradiadores para atender \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de frutas do Vale do S\u00e3o Francisco, Bahia e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p align=\"left\">A irradia\u00e7\u00e3o demanda investimentos consider\u00e1veis para o seu aproveitamento comercial. Segundo o professor do Cena, os pre\u00e7os de um irradiador podem variar de 5 a 12 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Todavia, ele assinala que \u00e9 plenamente vi\u00e1vel que a iniciativa privada possa realizar tais investimentos, disponibilizando o servi\u00e7o aos produtores rurais brasileiros.<\/p>\n<p align=\"left\">Walder considera que a publica\u00e7\u00e3o da IN 9 \u00e9 um passo importante para a estimular a exporta\u00e7\u00e3o de frutas brasileiras. Segundo o especialista, \u00aba pr\u00f3xima etapa \u00e9 o Brasil fazer acordos bilaterais, sobretudo de exporta\u00e7\u00e3o de mam\u00e3o papaia irradiado para os Estados Unidos, que j\u00e1 importam manga da \u00cdndia e lichia e abacaxi da Tail\u00e2ndia, tudo irradiado\u00bb. O professor do Cena citou ainda o exemplo do M\u00e9xico, principal exportador de frutas para o mercado estadunidense, que est\u00e1 investindo na constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas irradiadores, de modo a expandir a sua capacidade de tratar os alimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma importante decis\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura abre caminho para o desenvolvimento de uma das tecnologias mais promissoras para a conserva\u00e7\u00e3o de alimentos: a irradia\u00e7\u00e3o. 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