{"id":1646,"date":"2014-11-07T16:55:48","date_gmt":"2014-11-07T16:55:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1646"},"modified":"2014-11-07T16:55:48","modified_gmt":"2014-11-07T16:55:48","slug":"delfim-governo-tem-que-reconstruir-a-industria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/delfim-governo-tem-que-reconstruir-a-industria\/","title":{"rendered":"Delfim: governo tem que reconstruir a ind\u00fastria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Se a presidente reeleita Dilma Rousseff quiser, realmente, recolocar o Pa\u00eds no caminho do crescimento econ\u00f4mico, ter\u00e1 que se empenhar em recuperar a ind\u00fastria nacional, devastada pelas pol\u00edticas econ\u00f4micas dos \u00faltimos anos. A avalia\u00e7\u00e3o perempt\u00f3ria \u00e9 do ex-ministro Antonio Delfim Netto, que enfatizou o problema, em entrevistas \u00e0\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>\u00a0(2\/11\/2014) e \u00e0 revista\u00a0<em>Carta Capital<\/em>\u00a0(5\/11\/2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na\u00a0<em>Folha<\/em>, Delfim destacou que, sem a recupera\u00e7\u00e3o do setor, tanto o crescimento como a continua\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o social, que tem caracterizado os governos do PT, estar\u00e3o amea\u00e7ados. Para ele:<\/p>\n<blockquote><p>A preocupa\u00e7\u00e3o n\u00famero um [da presidente] deve ser o seguinte: por que caiu o crescimento econ\u00f4mico brasileiro? Caiu porque murchou a ind\u00fastria nacional. Por que murchou a ind\u00fastria nacional? Porque h\u00e1 40 anos ningu\u00e9m olha o setor externo. Se voc\u00ea n\u00e3o expandir a economia, a inclus\u00e3o social vai morrer, vai estagnar. Voc\u00ea tirou da ind\u00fastria as condi\u00e7\u00f5es competitivas. A pol\u00edtica cambial foi uma trag\u00e9dia ao longo desse per\u00edodo. E continua. Neste momento, ela precisa apresentar um programa coerente de como vai restabelecer a competitividade do setor industrial.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No di\u00e1logo com a jornalista \u00c9rica Fraga, o ex-ministro, conhecido como interlocutor dos governos petistas, apresentou a \u00abreceita\u00bb:<\/p>\n<blockquote><p><em>Como deve ser o programa?<\/em><\/p>\n<p>Passa por muitas coisas. Primeiro, a compreens\u00e3o de que pol\u00edtica industrial n\u00e3o \u00e9 cortar importa\u00e7\u00e3o. Pol\u00edtica industrial \u00e9 formular um programa que reconhe\u00e7a que a importa\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator de produ\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante quanto a m\u00e3o de obra e o capital, que \u00e9 um fator decisivo para aumentar a produtividade da exporta\u00e7\u00e3o, e que reconhe\u00e7a que estamos longe das cadeias produtivas por anos de abandono da exporta\u00e7\u00e3o. Das 500 maiores multinacionais, 400 est\u00e3o no Brasil. Voc\u00ea precisa de um di\u00e1logo \u00e9 com essa gente. Para saber o seguinte: o que voc\u00ea precisa para voltar a exportar do Brasil? Mas n\u00e3o pode fazer isso reduzindo o lucro delas. O governo tem de tentar respeitar o sistema de pre\u00e7os, que \u00e9 a melhor forma de aloca\u00e7\u00e3o dos fatores de produ\u00e7\u00e3o e do consumo.<\/p>\n<p><em>O atual governo respeitou o sistema de pre\u00e7os?<\/em><\/p>\n<p>Claramente n\u00e3o. Mesmo porque as ajudas pontuais n\u00e3o estavam ajudando a ind\u00fastria coisa nenhuma. A ind\u00fastria estava sendo destru\u00edda por uma valoriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio que primeiro roubou sua demanda externa, depois roubou a interna.<\/p>\n<p><em>O que falta ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Tem que reconhecer: eu destru\u00ed um setor e vou reconstru\u00ed-lo. Ponto final. Na minha opini\u00e3o, n\u00e3o precisa conversar com ningu\u00e9m. Tem que apresentar um programa bom e transparente.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Delfim, a presidente ter\u00e1 que restabelecer um di\u00e1logo com o setor privado:<\/p>\n<blockquote><p>Acho que se criou uma dist\u00e2ncia entre o setor privado produtivo e o governo. No fundo, o setor privado produtivo achava que a Dilma era uma trotskista enrustida e ela achava que se trata de um bando de idiotas. Ent\u00e3o, \u00e9 muito dif\u00edcil voc\u00ea ter feito um acordo.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto aos progn\u00f3sticos para 2015, ele considera que o cen\u00e1rio \u00e9 \u00abdesconfort\u00e1vel\u00bb, mas n\u00e3o \u00abapocal\u00edptico\u00bb:<\/p>\n<blockquote><p>Vamos ter de ajustar. A situa\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 desconfort\u00e1vel, mas n\u00e3o \u00e9 apocal\u00edptica. Na parte fiscal, inclusive em resposta \u00e0 recess\u00e3o que estamos vivendo, voc\u00ea ampliou o d\u00e9ficit nominal. Voc\u00ea praticamente eliminou o superavit prim\u00e1rio e est\u00e1 assistindo pela primeira vez a um pequeno aumento da rela\u00e7\u00e3o entre d\u00edvida e PIB bruta. Aqui voc\u00ea tem um problema s\u00e9rio. Voc\u00ea tem de fazer um programa para evitar o pior, que seria o rebaixamento do grau de investimento. Isso aumentaria todos os custos externos. Seria uma trag\u00e9dia.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista \u00e0\u00a0<em>Carta Capital<\/em>, Delfim explicou ao jornalista Sergio Lirio, sem meias palavras, por que o Brasil parou:<\/p>\n<blockquote><p>Por ter sacrificado o setor industrial. A desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial realizada por Arminio Fraga em 1999 permitiu uma expans\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es industriais. Mas o c\u00e2mbio passou a ser usado como instrumento de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, no lugar dos tradicionais mecanismos de pol\u00edtica fiscal, monet\u00e1ria e salarial. A partir de certo ponto, a exporta\u00e7\u00e3o morreu e a importa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a crescer. A demanda de bens industriais n\u00e3o diminuiu, ela continuou por causa da pol\u00edtica de Lula e de Dilma de incluir mais brasileiros no sistema banc\u00e1rio e do aumento da renda. O problema \u00e9 que o poder de competi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria foi destru\u00eddo. O consumo interno acabou suprido pelos importadores. Depois da recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de 2009, a ind\u00fastria estagnou. E voc\u00ea manteve o consumo por meio do d\u00e9ficit em contas correntes. Como o crescimento dos servi\u00e7os \u00e9 ligado \u00e0quele da ind\u00fastria, tamb\u00e9m foi puxado para baixo. O Brasil ficou mais dependente do desempenho da agricultura.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Igualmente, ele enfatizou a urg\u00eancia do di\u00e1logo entre o governo e o setor privado:<\/p>\n<blockquote><p>No discurso de posse, ela falou em di\u00e1logo. Portanto, a iniciativa precisa partir dela. Se quiser conquistar a confian\u00e7a do setor privado, precisa se comprometer com uma pol\u00edtica fiscal respons\u00e1vel. \u00c0 medida que o Brasil crescer, \u00e9 necess\u00e1rio restabelecer as pol\u00edticas adequadas nas \u00e1reas monet\u00e1ria, cambial e de sal\u00e1rios. (&#8230;) Se a sociedade absorve a ideia, age na dire\u00e7\u00e3o de realiz\u00e1-la, as expectativas v\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o correta. O governo precisa de um programa absolutamente transparente e come\u00e7ar a honrar os compromissos. Se essa abertura ao di\u00e1logo permanecer, as condi\u00e7\u00f5es de cooptar o setor privado est\u00e3o criadas. Os empres\u00e1rios querem o mesmo do governo, a volta do crescimento.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntamente com as advert\u00eancias, o ex-ministro se mostra otimista quanto \u00e0s possibilidades da recupera\u00e7\u00e3o: \u00ab(&#8230;) O governo tem se aperfei\u00e7oado. Na \u00e1rea de concess\u00f5es isso \u00e9 claro. Al\u00e9m disso, o Brasil tem programas magn\u00edficos, projetos monumentais, com taxas de retorno gigantescas. Nenhum outro pa\u00eds tem um portf\u00f3lio t\u00e3o impressionante. Com um m\u00ednimo de intelig\u00eancia o Brasil vai voltar a crescer.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foto da p\u00e1gina de abertura: Paulo Fridman (Bloomberg).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a presidente reeleita Dilma Rousseff quiser, realmente, recolocar o Pa\u00eds no caminho do crescimento econ\u00f4mico, ter\u00e1 que se empenhar em recuperar a ind\u00fastria nacional, devastada pelas pol\u00edticas econ\u00f4micas dos \u00faltimos anos. A avalia\u00e7\u00e3o perempt\u00f3ria \u00e9 do ex-ministro Antonio Delfim Netto, que enfatizou o problema, em entrevistas \u00e0\u00a0Folha de S. 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