{"id":1643,"date":"2014-11-07T16:52:22","date_gmt":"2014-11-07T16:52:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1643"},"modified":"2014-11-07T16:52:22","modified_gmt":"2014-11-07T16:52:22","slug":"brasil-o-que-e-a-nova-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/brasil-o-que-e-a-nova-politica\/","title":{"rendered":"Brasil: o que \u00e9 a &quot;nova pol\u00edtica&quot;?"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente, a express\u00e3o \u00abnova pol\u00edtica\u00bb tem sido frequentemente associada \u00e0 ex-candidata presidencial do PSB, Marina Silva, que, desde a sua sa\u00edda do PT, em 2009, tem se empenhado em apresentar-se como a portadora de uma nova proposta alternativa \u00e0s tradicionais pr\u00e1ticas clientelistas e patrimonialistas que caracterizam a pol\u00edtica partid\u00e1ria brasileira. Ironicamente, a ades\u00e3o de Marina \u00e0 candidatura do senador A\u00e9cio Neves (PSDB), na disputa do segundo turno, gerou contrariedades e dissid\u00eancias no seu pr\u00f3prio projeto de partido, a Rede Sustentabilidade, que viu alguns dos seus dirigentes se afastarem, considerando a iniciativa de sua l\u00edder como um \u00abgrave erro pol\u00edtico\u00bb (e sugerindo, implicitamente, o individualismo do seu projeto de poder).<\/p>\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel que a estrutura pol\u00edtico-partid\u00e1ria existente se mostra cada vez mais disfuncional e incapaz de responder \u00e0 crescente complexidade dos problemas socioecon\u00f4micos do Pa\u00eds e, n\u00e3o menos, \u00e0s leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es da maioria da sociedade por uma mudan\u00e7a de rumo efetiva, que privilegie pol\u00edticas p\u00fablicas balizadas pelo princ\u00edpio do Bem Comum, refletidas nas retumbantes manifesta\u00e7\u00f5es populares de junho do ano passado.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, antes que o movimento se esvaziasse (inclusive, pela sua virtual captura por grupos de manifestantes violentos e com uma agenda duvidosa), observamos:<\/p>\n<blockquote><p>Acima de tudo, os manifestantes demonstram uma indigna\u00e7\u00e3o h\u00e1 muito contida contra as distor\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas da estrutura do Estado brasileiro, que, no cotidiano da grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, se traduz em mazelas que dificultam sobremaneira o direito inalien\u00e1vel de cada cidad\u00e3o ao pleno desenvolvimento dos seus potenciais individuais. A lista \u00e9 sobejamente conhecida: defici\u00eancias de infraestrutura f\u00edsica de toda ordem, de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e servi\u00e7os p\u00fablicos dignos, burocracia paralisante, tributa\u00e7\u00e3o escorchante, impunidade para a corrup\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia e, em especial, um sufocante favorecimento do rentismo sobre as atividades produtivas, na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas econ\u00f4micas. Quanto a este \u00faltimo item, embora poucos indiv\u00edduos se d\u00eaem conta dele, a maioria \u00e9 capaz de intu\u00ed-lo, diante de fatos como a dedica\u00e7\u00e3o da maior fatia do or\u00e7amento federal (45% em 2011) para o servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica, enquanto os investimentos em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade p\u00fablica e infraestrutura, entre outros itens que deveriam ser priorit\u00e1rios, t\u00eam que disputar as sobras or\u00e7ament\u00e1rias e enfrentar os contingenciamentos e a in\u00e9rcia burocr\u00e1tica, que retardam consideravelmente at\u00e9 mesmo dota\u00e7\u00f5es devidamente aprovadas (<em>Resenha Estrat\u00e9gica<\/em>, 19\/06\/2013).<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma evid\u00eancia emblem\u00e1tica do desencanto generalizado com uma classe pol\u00edtica incapaz de responder positivamente a tais questionamentos foi a constata\u00e7\u00e3o de que a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff, registrada por pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, n\u00e3o teve contrapartidas em avalia\u00e7\u00f5es positivas dos seus advers\u00e1rios lan\u00e7ados, A\u00e9cio Neves e o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos.<\/p>\n<p>Com a morte de Campos, Marina Silva emergiu, momentaneamente, como uma catalisadora parcial para aquelas inquieta\u00e7\u00f5es, recebendo uma parcela dos votos de protesto contra o status quo, posi\u00e7\u00e3o que acabou esvaziada pela pr\u00f3pria falta de consist\u00eancia das suas propostas de governo e pelas contradi\u00e7\u00f5es entre elas e o discurso da \u00abnova pol\u00edtica\u00bb &#8211; que foram ressaltadas pela posterior ades\u00e3o \u00e0 campanha de A\u00e9cio.<\/p>\n<p>No entanto, al\u00e9m de uma mera palavra de ordem, ningu\u00e9m se preocupou em definir de uma forma mais precisa o significado dessa \u00abnova pol\u00edtica\u00bb. Sabe-se apenas o que ela n\u00e3o \u00e9: uma ideia de projeto nacional de desenvolvimento &#8211; ausente de todos os debates e discuss\u00f5es travados na atual temporada eleitoral, que mais tem se assemelhado a um torneio de pugilatos ret\u00f3ricos entre os candidatos aos cargos executivos.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 falta de defini\u00e7\u00e3o do conceito, talvez, seja mais relevante agregar alguns elementos sobre o que a \u00abnova pol\u00edtica\u00bb <em>n\u00e3o<\/em> deveria ser, caso as lideran\u00e7as nacionais dos diversos setores da sociedade pretendam preparar o Pa\u00eds para responder adequadamente aos desafios internos e externos que o confrontam.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, n\u00e3o deveria ser a da desconstru\u00e7\u00e3o do Estado nacional, limitando as suas aspira\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio global \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de caudat\u00e1rio da agenda hegem\u00f4nica dos centros de poder do Hemisf\u00e9rio Norte e substituindo as suas institui\u00e7\u00f5es por estruturas \u00abneogovernamentais\u00bb, que, a partir do governo de Fernando Collor de Mello, passaram a exercer uma influ\u00eancia determinante na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas em \u00e1reas como a ambiental e a ind\u00edgena, al\u00e9m de converter os temas dos direitos humanos, o racialismo e a ideologia de g\u00eanero em insidiosos instrumentos de ciz\u00e2nia da sociedade.<\/p>\n<p>Igualmente, n\u00e3o deveria ser a da submiss\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica e financeira aos ditames dos mercados financeiros, de forma a perpetuar o condicionamento das perspectivas de desenvolvimento socioecon\u00f4mico aos apetites de investidores individuais, especialmente, internacionais. \u00c9 evidente que, se continuar destinando quase a metade do or\u00e7amento ao servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica, sem uma repactua\u00e7\u00e3o ordenada desta \u00faltima, dificilmente, o Pa\u00eds poder\u00e1 superar os p\u00edfios \u00edndices de crescimento que o t\u00eam caracterizado, na era da \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o\u00bb financeira.<\/p>\n<p>Da mesma forma, n\u00e3o deveria ser a da in\u00e9rcia institucional e da falta de determina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para se reverter a vis\u00edvel &#8211; e grave &#8211; eros\u00e3o da capacidade produtiva nacional, em especial, no setor industrial, evitando que a economia brasileira se converta em uma mera plataforma exportadora de produtos prim\u00e1rios, por mais relevante que seja a contribui\u00e7\u00e3o destes setores para a balan\u00e7a comercial.<\/p>\n<p>Em contrapartida, a \u00abnova pol\u00edtica\u00bb deveria contemplar uma ampla discuss\u00e3o nacional para a inclus\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o do Bem Comum como o princ\u00edpio feitor da formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, que possibilite a reconfigura\u00e7\u00e3o do Brasil como uma aut\u00eantica \u00abop\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria\u00bb, no cen\u00e1rio da crise sist\u00eamica global em curso. Ou seja, recuperar a proposta de um novo \u00abprojeto nacional\u00bb, como afirmamos em junho de 2013,<\/p>\n<blockquote><p>capaz de motivar e catalisar as colossais energias latentes na sociedade &#8211; fartamente demonstradas nas ruas &#8211; para uma pauta de metas coletivas, que transcenda mandatos pol\u00edticos e interesses setoriais e volte a proporcionar aos brasileiros o poderoso sentimento de integrar um coletivo nacional dotado de uma perspectiva positiva de futuro. Um projeto que qualifique efetivamente o Pa\u00eds para atuar como protagonista das grandes transforma\u00e7\u00f5es em curso na ordem de poder mundial, estendendo a sua influ\u00eancia positiva al\u00e9m das fronteiras nacionais, com a devida \u00eanfase no entorno geogr\u00e1fico e cultural do que o papa Francisco denomina a \u00abP\u00e1tria Grande Latino-americana\u00bb, bem como em uma maior coordena\u00e7\u00e3o com os seus parceiros do grupo BRICS.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sem um respeito m\u00ednimo a tais requisitos, qualquer pol\u00edtica \u00abnova\u00bb n\u00e3o passar\u00e1 de um disfarce ret\u00f3rico para as \u00abvelhas\u00bb pr\u00e1ticas, por mais talentosos que sejam os marqueteiros que se empenham em vender gato por lebre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, a express\u00e3o \u00abnova pol\u00edtica\u00bb tem sido frequentemente associada \u00e0 ex-candidata presidencial do PSB, Marina Silva, que, desde a sua sa\u00edda do PT, em 2009, tem se empenhado em apresentar-se como a portadora de uma nova proposta alternativa \u00e0s tradicionais pr\u00e1ticas clientelistas e patrimonialistas que caracterizam a pol\u00edtica partid\u00e1ria brasileira. Ironicamente, a ades\u00e3o de Marina &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-1643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-iberoamerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1643\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}