{"id":1608,"date":"2014-10-10T15:17:23","date_gmt":"2014-10-10T15:17:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1608"},"modified":"2014-10-10T15:17:23","modified_gmt":"2014-10-10T15:17:23","slug":"economia-mundial-noticias-ruins-e-outras-pessimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/economia-mundial-noticias-ruins-e-outras-pessimas\/","title":{"rendered":"Economia mundial: not\u00edcias ruins e outras p\u00e9ssimas"},"content":{"rendered":"<p>Os progn\u00f3sticos sombrios continuam toldando o cen\u00e1rio da economia mundial, a despeito de algumas avalia\u00e7\u00f5es mais \u00abr\u00f3seas\u00bb, em especial, sobre uma alegada recupera\u00e7\u00e3o do crescimento da economia dos EUA, que muitos analistas consideram um tanto exagerada.<\/p>\n<p>Em setembro, tr\u00eas grandes organiza\u00e7\u00f5es multilaterais divulgaram um relat\u00f3rio conjunto sobre as perspectivas ruins dos n\u00edveis de emprego no \u00e2mbito das na\u00e7\u00f5es do G-20. Em uma iniciativa inusitada (que, por si s\u00f3, sugere a gravidade do problema), a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), o Banco Mundial e a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) prepararam um estudo abrangente sobre a situa\u00e7\u00e3o dos empregos no grupo de pa\u00edses que representa cerca de 90% do PIB e 80% do com\u00e9rcio mundial, al\u00e9m de reunir dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o do planeta. Os resultados n\u00e3o s\u00e3o nada animadores.<\/p>\n<p>Segundo <a href=\"http:\/\/www.ilo.org\/global\/about-the-ilo\/how-the-ilo-works\/multilateral-system\/g20\/reports\/WCMS_305421\/lang--en\/index.htm\">o relat\u00f3rio<\/a>,<\/p>\n<blockquote><p>a despeito de algumas melhoras recentes, a recupera\u00e7\u00e3o da crise financeira de 2007-2008 ainda \u00e9 lenta, o que, para muitas das economias do G-20, implica em um substancial d\u00e9ficit de empregos, que tende a persistir, pelo menos, at\u00e9 2018, se n\u00e3o houver uma retomada concreta do crescimento econ\u00f4mico. Em todo o grupo, mais de 100 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o desempregadas e 447 milh\u00f5es vivem com menos de 2 d\u00f3lares equivalentes por dia, desempenho que amea\u00e7a as perspectivas de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, por inibir tanto o consumo como os investimentos.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00abA mensagem b\u00e1sica do relat\u00f3rio \u00e9 que os mercados de trabalho dos pa\u00edses do G-20 ainda est\u00e3o lutando, seis anos ap\u00f3s o in\u00edcio da crise, tanto em termos de quantidade como de qualidade dos empregos. Assim, n\u00e3o h\u00e1 realmente qualquer espa\u00e7o para a complac\u00eancia. Mais empregos com melhor remunera\u00e7\u00e3o contribuem para as rendas familiares, que, por sua vez, incentivam a demanda dos consumidores. Quando as firmas v\u00eaem a demanda subindo, elas investem, criando um c\u00edrculo virtuoso\u00bb, resumiu a vice-diretora-geral de Pol\u00edticas da OIT, Sandra Polaski (OIT, 9\/09\/2014).<\/p>\n<p>Entre as conclus\u00f5es do estudo, destacam-se as seguintes:<\/p>\n<p>&#8211; o crescimento dos sal\u00e1rios tem ficado significativamente atr\u00e1s do aumento de produtividade, na maioria dos pa\u00edses do G-20, ao mesmo tempo em que as desigualdades de sal\u00e1rios e rendas permanecem altas ou aumentaram;<\/p>\n<p>&#8211; os sal\u00e1rios reais estagnaram ou, mesmo, ca\u00edram, em muitas das economias avan\u00e7adas do G-20;<\/p>\n<p>&#8211; nas economias emergentes do grupo, altos n\u00edveis de subemprego e informalidade est\u00e3o constrangendo tanto a produ\u00e7\u00e3o como a produtividade futura.<\/p>\n<p>O diretor s\u00eanior de Empregos do Banco Mundial, Nigel Twose, complementa: \u00abN\u00f3s estamos vendo um aumento dos sal\u00e1rios e das rendas, em muitos pa\u00edses do G-20 e, se o objetivo \u00e9 um crescimento mais forte, sustentado e equilibrado, as desigualdades n\u00e3o podem ser ignoradas. Igualmente, a situa\u00e7\u00e3o dos jovens que est\u00e3o fora do mercado de trabalho \u00e9 grave e os pa\u00edses que ignoram os problemas deles est\u00e3o correndo s\u00e9rios riscos. N\u00f3s sabemos que isto pode deflagrar convuls\u00f5es que, por sua vez, afetam as perspectivas de empregos e crescimento. N\u00e3o existe uma f\u00f3rmula m\u00e1gica para resolver essa crise de empregos, mas sabemos que ela requer uma abordagem do tipo &#8216;um bocado de governo&#8217;, envolvendo a colabora\u00e7\u00e3o ativa de v\u00e1rios minist\u00e9rios.\u00bb<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio afirma que a obten\u00e7\u00e3o de um crescimento sustent\u00e1vel, equitativo e inclusivo requer um conjunto de pol\u00edticas em todos os setores relevantes para o melhoramento dos n\u00edveis de produtividade e sal\u00e1rios, particularmente, para os grupos sociais mais afetados pela crise ou mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade e um crescimento robusto e equitativo s\u00e3o objetivos entrela\u00e7ados, conclui o estudo: \u00abInterven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que tenham efeitos tanto no lado da demanda como no da oferta, nos mercados de trabalho, s\u00e3o essenciais para a revers\u00e3o do presente ciclo autorrefor\u00e7ado de crescimento lento, baixa cria\u00e7\u00e3o de empregos e baixo investimento. Tais pol\u00edticas seriam muito mais efetivas se fossem efetivadas de forma coletiva e coordenada, no \u00e2mbito do G-20.\u00bb<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, as tr\u00eas entidades multilaterais est\u00e3o reiterando com todas as letras o que vem sendo dito desde o in\u00edcio da crise global: a sa\u00edda da crise n\u00e3o poder\u00e1 ser confiada aos \u00abmercados\u00bb ou aos m\u00e9todos \u00abneg\u00f3cios como sempre\u00bb, mas ir\u00e1 requerer fortes a\u00e7\u00f5es governamentais coordenadas, tanto internas como externas &#8211; o que tamb\u00e9m ir\u00e1 exigir um empenho s\u00e9rio para se regulamentar ou restringir os excessos dos mercados financeiros, que continuam dando as cartas no jogo pol\u00edtico. Sem isso, a tend\u00eancia da crise \u00e9 a do aprofundamento, at\u00e9 uma implos\u00e3o do sistema, provavelmente, com efeitos catacl\u00edsmicos.<\/p>\n<p>Em outro relat\u00f3rio preocupante, divulgado no in\u00edcio de outubro, a OCDE retrata de forma insofism\u00e1vel os efeitos da \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o financeira\u00bb sobre os n\u00edveis de bem-estar e justi\u00e7a social, demonstrando que a desigualdade global retroagiu aos n\u00edveis da d\u00e9cada de 1820! (\u00c9 isso mesmo, a terceira d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX.)<\/p>\n<p>O documento, intitulado <a href=\"http:\/\/gitvfd.github.io\/How-was-life\/\">\u00abComo era a vida?\u00bb<\/a>, n\u00e3o deixa margem a d\u00favidas, ao observar que a desigualdade \u00abdisparou depois que a globaliza\u00e7\u00e3o se consolidou, na d\u00e9cada de 1980\u00bb (<em>Forbes<\/em>, 3\/10\/2014).<\/p>\n<p>Para chegar ao resultado, que confirma os trabalhos de economistas do calibre de Angus Maddison e Branko Milankovich, os pesquisadores da OCDE estudaram a evolu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de renda em 25 pa\u00edses, retroagindo \u00e0s primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, e os agruparam, para representar o mundo como se fosse um \u00fanico pa\u00eds. Os n\u00fameros confirmaram que a desigualdade caiu drasticamente, em meados do s\u00e9culo XX, no que chamaram a \u00abrevolu\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria\u00bb, antes de disparar, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tend\u00eancia que consideraram um dos acontecimentos mais \u00abassustadores\u00bb dos \u00faltimos dois s\u00e9culos.<\/p>\n<p>A respeito da propalada recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica estadunidense, sugerida pelo crescimento de 4,6% do PIB no segundo trimestre do ano, o economista Paul Craig Roberts, ex-subsecret\u00e1rio do Tesouro no governo Reagan e velho conhecido dos leitores deste s\u00edtio, desconstr\u00f3i tais argumentos com a sua l\u00f3gica implac\u00e1vel:<\/p>\n<blockquote><p>De onde vem a taxa de crescimento real do PIB no segundo trimestre, divulgada pelo governo? Ela vem de uma medi\u00e7\u00e3o subestimada da infla\u00e7\u00e3o e n\u00fameros manipulados. N\u00e3o \u00e9 um n\u00famero correto. Nada ocorreu na economia, para transformar um decl\u00ednio de mais de 2% no primeiro trimestre em um crescimento de 4,6% no segundo trimestre. Este n\u00famero de 4,6% foi tirado de um chap\u00e9u para montar o palco para a elei\u00e7\u00e3o de novembro [para o Congresso &#8211; n.e.].<\/p><\/blockquote>\n<p>Em sua coluna de 2 de outubro, Roberts detona os truques estat\u00edsticos usados pelo governo para ocultar a realidade socioecon\u00f4mica do pa\u00eds mais poderoso do mundo:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 impressionante como o governo consegue continuar vendendo pontes do Brooklin a um p\u00fablico iludido. Os estadunidenses compram guerras que n\u00e3o precisam e recupera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que n\u00e3o existem.<\/p>\n<p>O melhor investimento nos EUA \u00e9 um fundo de investimentos altamente alavancado que investe apenas em grandes companhias de topo de linha, que est\u00e3o recomprando as suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es. Muitas destas firmas est\u00e3o tomando empr\u00e9stimos para jogar para cima os pre\u00e7os das suas a\u00e7\u00f5es, os \u00abb\u00f4nus de desempenho\u00bb dos executivos e os ganhos de capital dos acionistas. A d\u00edvida incorrida ter\u00e1 que ser paga pelos ganhos futuros. Isto n\u00e3o \u00e9 um retrato de um capitalismo que esteja impulsionando a economia com investimentos.<\/p>\n<p>Tampouco os gastos dos consumidores est\u00e3o movendo a economia. O \u00abRelat\u00f3rio de Renda e Pobreza 2013\u00bb do Escrit\u00f3rio do Censo concluiu que, em 2013, a mediana real da renda familiar ficou 8% abaixo do n\u00edvel de 2007, o ano anterior \u00e0 recess\u00e3o de 2008, e que ele recuou aos n\u00edveis de 1994, duas d\u00e9cadas atr\u00e1s!<\/p>\n<p>E mesmo que a renda familiar real n\u00e3o tenha retomado os n\u00edveis pr\u00e9-recess\u00e3o e tenha recuado aos n\u00edveis de 20 anos atr\u00e1s, o governo e a m\u00eddia financeira proclamam que a economia est\u00e1 em recupera\u00e7\u00e3o desde junho de 2009.<\/p><\/blockquote>\n<p>Roberts conclui com uma acusa\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, remete a um dos motivos pelos quais o enfrentamento da crise global se torna bastante dificultado:<\/p>\n<p>\u00abDurante 93% do s\u00e9culo XXI, Washington vem conduzindo guerras desnecess\u00e1rias no exterior, a um custo de trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Mais trilh\u00f5es t\u00eam sido gastos, bancando bancos que a desregulamenta\u00e7\u00e3o permitiu que se tornassem \u00abgrandes demais para falir\u00bb. Nos \u00faltimos sete anos, milh\u00f5es de estadunidenses perderam os seus empregos e as suas casas, e as filas de cupons de alimenta\u00e7\u00e3o atingiram n\u00edveis recordistas. Estes estadunidenses feridos t\u00eam sido ignorados pelos formuladores de pol\u00edticas em Washington. Certamente, o governo nos EUA est\u00e1 enfocado em alguma coisa diferente de uma economia saud\u00e1vel e o bem-estar dos cidad\u00e3os. N\u00f3s chamamos isto de democracia, mas n\u00e3o \u00e9 (PaulCraigRoberts.com, 2\/10\/2014).\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os progn\u00f3sticos sombrios continuam toldando o cen\u00e1rio da economia mundial, a despeito de algumas avalia\u00e7\u00f5es mais \u00abr\u00f3seas\u00bb, em especial, sobre uma alegada recupera\u00e7\u00e3o do crescimento da economia dos EUA, que muitos analistas consideram um tanto exagerada. Em setembro, tr\u00eas grandes organiza\u00e7\u00f5es multilaterais divulgaram um relat\u00f3rio conjunto sobre as perspectivas ruins dos n\u00edveis de emprego no &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-1608","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1608\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}