{"id":1586,"date":"2014-10-01T15:25:59","date_gmt":"2014-10-01T15:25:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1586"},"modified":"2014-10-01T15:25:59","modified_gmt":"2014-10-01T15:25:59","slug":"e-assim-que-uma-lider-se-parece-a-empolgacao-do-establishment-com-marina-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/e-assim-que-uma-lider-se-parece-a-empolgacao-do-establishment-com-marina-silva\/","title":{"rendered":"&quot;\u00c9 assim que uma l\u00edder se parece&quot;: a empolga\u00e7\u00e3o do Establishment com Marina Silva"},"content":{"rendered":"<p>\u00abEsperan\u00e7a e lideran\u00e7as fortes est\u00e3o em falta, nos tempos atuais. Mas se voc\u00ea quiser ver uma amostra de ambas, bem como dar uma olhada em uma hist\u00f3ria que repercute em todo o mundo, veja este\u00a0<a href=\"http:\/\/www.economist.com\/blogs\/americasview\/2014\/09\/brazils-election\">v\u00eddeo<\/a>. (Est\u00e1 em portugu\u00eas. Abaixo h\u00e1 uma tradu\u00e7\u00e3o ao ingl\u00eas, preparada pela [revista]\u00a0<em>The Economist<\/em>.)<\/p>\n<p>\u00abO v\u00eddeo \u00e9 um filmete de propaganda de dois minutos de Marina Silva, uma mulher que se ergueu da pobreza esmagadora, trabalhando como dom\u00e9stica para ganhar a vida, para se tornar a atual l\u00edder na elei\u00e7\u00e3o presidencial do Brasil. \u00c9 um trecho de um discurso de Silva, em que ela se refere \u00e0 atual l\u00edder do pa\u00eds, Dilma Rousseff, respondendo \u00e0 afirmativa de Rousseff de que Silva acabaria com o Bolsa Fam\u00edlia, um programa social criado para ajudar os brasileiros mais pobres e bastante popular no maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina.\u00bb<\/p>\n<p>Com os dois par\u00e1grafos acima, o editor da revista estadunidense\u00a0<em>Foreign Policy<\/em>, David J. Rothkopf, inicia o seu entusi\u00e1stico perfil de Marina Silva, publicado no s\u00edtio da revista, no \u00faltimo dia 19 de setembro, com o pomposo t\u00edtulo: \u00ab\u00c9 assim que uma l\u00edder se parece: por que a mensagem de Marina Silva repercute da Amaz\u00f4nia ao Oriente M\u00e9dio e \u00e0 Casa Branca.\u00bb Trata-se de uma das mais empolgadas manifesta\u00e7\u00f5es do apoio do\u00a0<em>Establishment<\/em>\u00a0olig\u00e1rquico anglo-americano \u00e0 candidata do PSB \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, como se percebe nos artigos entusiasmados com os quais ela tem sido premiada, em publica\u00e7\u00f5es do\u00a0<em>Establishment<\/em>, como a pr\u00f3pria revista de Rothkopf,\u00a0<em>The Economist<\/em>,\u00a0<em>Financial Times\u00a0<\/em>e outras.<\/p>\n<p>Em sua empolga\u00e7\u00e3o, Rothkopf tra\u00e7a aos seus leitores um perfil de Marina, exaltando a sua trajet\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o pessoal (reconhecidamente merit\u00f3ria, diga-se de passagem) e destacando a sua passagem pelo Senado, em termos que denotam a sua relev\u00e2ncia para a agenda do olig\u00e1rquica:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Ela continuou o seu ativismo no cargo e lutou pela aprova\u00e7\u00e3o de leis e regulamenta\u00e7\u00f5es que reverteram a tend\u00eancia de destrui\u00e7\u00e3o das florestas brasileiras, que s\u00e3o t\u00e3o vitais para o meio ambiente global, a ponto de serem chamadas \u00abos pulm\u00f5es do planeta\u00bb, porque produzem um quinto do oxig\u00eanio do mundo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Aparentemente, Rothkopf ignora ou finge ignorar que este \u00e9 um dos mitos recorrentes, pelo menos, sobre a Floresta Amaz\u00f4nica, que \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o em estado de \u00abcl\u00edmax\u00bb, ou seja, biologicamente amadurecida, que \u00e0 noite consome o oxig\u00eanio que produz durante o dia (sem falar no fato de que pulm\u00f5es n\u00e3o produzem oxig\u00eanio, mas o consomem, transformando-o em di\u00f3xido de carbono).<\/p>\n<p>Comentando a sua ascens\u00e3o na disputa presidencial, ap\u00f3s a morte de Eduardo Campos, a empolga\u00e7\u00e3o de Rothkopf decola:<\/p>\n<blockquote><p>Muita coisa pode mudar e, certamente, em parte, a ascens\u00e3o de Silva foi alimentada pelo choque e a simpatia que se seguiram \u00e0 morte de Campos. Mas, como tanto o discurso no in\u00edcio como a sua impressionante carreira demonstram, ela foi elevada por mais que apenas um capricho do destino. Esta \u00e9 uma mulher extraordinariamente formid\u00e1vel [<em>extraordinarily formidable<\/em>, no original &#8211; n.e.], cuja ascens\u00e3o oferece li\u00e7\u00f5es e repercuss\u00f5es que deveriam tocar muita gente, bem al\u00e9m das fronteiras do Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p>E, adiante, ele volta ao tema da import\u00e2ncia de uma eventual Presid\u00eancia Marina para a agenda dos seus pares olig\u00e1rquicos:<\/p>\n<blockquote><p>Silva &#8211; que tem ancestrais ind\u00edgenas, afro-brasileiros (sic) e portugueses, mas se descreve como negra &#8211; seria a primeira tal presidente em um pa\u00eds que, ao mesmo tempo em que se orgulha da sua enorme diversidade racial, ainda luta para ver este orgulho produzir resultados verdadeiramente representativos, nos n\u00edveis pol\u00edticos mais elevados. Da mesma forma, certamente, ela representaria uma extraordin\u00e1ria ascens\u00e3o na escadaria socioecon\u00f4mica do pa\u00eds. E, ademais, o jornal\u00a0<a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2014\/aug\/30\/brazil-marina-silva-first-green-president-election-dilma-rousseff\">The Guardian<\/a>\u00a0indicou que, em um planeta que est\u00e1 lutando para enfrentar uma maci\u00e7a crise clim\u00e1tica, Silva se tornaria a primeira presidente \u00abverde\u00bb do mundo. Isto \u00e9 especialmente importante, dadas a centralidade e a lideran\u00e7a do Brasil nos assuntos ambientais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Rothkopf n\u00e3o \u00e9 um jornalista qualquer. E a revista que edita tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o qualquer. Fundada em 1970, teve entre os seus fundadores o c\u00e9lebre Samuel Huntington, um dos principais ide\u00f3logos do\u00a0<em>Establishment<\/em>\u00a0anglo-americano at\u00e9 a sua morte, em 2008, not\u00f3rio pelo conceito do \u00abchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u00bb, que substituiu a Guerra Fria no ide\u00e1rio olig\u00e1rquico, como pretexto padr\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o da hegemonia militar encabe\u00e7ada pelos EUA. Posteriormente, foi comprada pela Funda\u00e7\u00e3o Carnegie para a Paz Internacional, uma das principais funda\u00e7\u00f5es da elite \u00absangue azul\u00bb estadunidense, e, em 2008, pela Graham Holdings Company, controladora, entre outros, do jornal\u00a0<em>Washington Post<\/em>, que dispensa apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em tempo: a sugest\u00e3o de que Marina seria a primeira presidente negra do Brasil s\u00f3 se justificaria no contexto estrito dos crit\u00e9rios politicamente corretos prevalecentes no Pa\u00eds, que permitem considerar como negras quaisquer pessoas cuja tonalidade de pele n\u00e3o seja branca. Ainda assim, ela seria apenas a primeira mulher negra a assumir a Presid\u00eancia, j\u00e1 que a primazia masculina caberia ao mulato Nilo Pe\u00e7anha (que hoje pode ser considerado negro), ocupante do cargo entre junho de 1909 e novembro de 1910, depois do falecimento de Afonso Pena (1906-1909), de quem era vice.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, como se percebe, a antiga seringueira que se converteu em uma l\u00edder \u00abextraordinariamente formid\u00e1vel\u00bb goza de alt\u00edssimas simpatias entre aqueles alt\u00edssimos c\u00edrculos de poder em Washington e Londres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abEsperan\u00e7a e lideran\u00e7as fortes est\u00e3o em falta, nos tempos atuais. Mas se voc\u00ea quiser ver uma amostra de ambas, bem como dar uma olhada em uma hist\u00f3ria que repercute em todo o mundo, veja este\u00a0v\u00eddeo. (Est\u00e1 em portugu\u00eas. Abaixo h\u00e1 uma tradu\u00e7\u00e3o ao ingl\u00eas, preparada pela [revista]\u00a0The Economist.) \u00abO v\u00eddeo \u00e9 um filmete de propaganda &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-1586","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-iberoamerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1586","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1586"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1586\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1586"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1586"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1586"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}