{"id":158,"date":"2011-09-23T19:48:57","date_gmt":"2011-09-23T19:48:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=158"},"modified":"2011-09-23T19:48:57","modified_gmt":"2011-09-23T19:48:57","slug":"congresso-discute-visoes-opostas-sobre-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/congresso-discute-visoes-opostas-sobre-mudancas-climaticas\/","title":{"rendered":"Congresso discute vis\u00f5es opostas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O Congresso Nacional realizou esta semana duas audi\u00eancias p\u00fablicas para a discuss\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, cada uma dedicada a uma das duas vis\u00f5es opostas sobre o tema, como um fen\u00f4meno natural ou induzido pelas atividades humanas.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira 20, a Comiss\u00e3o da Amaz\u00f4nia, Integra\u00e7\u00e3o Nacional e de Desenvolvimento Regional da C\u00e2mara dos Deputados, por iniciativa do deputado federal Paulo C\u00e9sar Quartiero (DEM-RR), promoveu um debate sobre a influ\u00eancia do aquecimento global na agricultura mundial e na Amaz\u00f4nia brasileira. Os debatedores convidados foram o agr\u00f4nomo Judson Ferreira Valentim, diretor regional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) no Acre, o climatologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e o ge\u00f3logo Geraldo Lu\u00eds Lino, membro do conselho editorial do Alerta em Rede.<\/p>\n<p>No evento, Valentim exp\u00f4s as pesquisas da Embrapa que visam a antecipar os eventuais efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas nas d\u00e9cadas vindouras, com base nos cen\u00e1rios do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u00f3rg\u00e3o que encabe\u00e7a a vis\u00e3o prevalecente de que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ocorridas no per\u00edodo industrial s\u00e3o causadas pela a\u00e7\u00e3o humana. Mesmo sem se comprometer com tais cen\u00e1rios ou, mesmo, a vertente \u00abantropog\u00eanica\u00bb, ele lembrou que a Embrapa \u00e9 uma empresa do Estado e, como tal, executa pol\u00edticas determinadas pelo Estado brasileiro, cabendo ao Congresso atuar para influenciar tais pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em sua exposi\u00e7\u00e3o, Molion, que \u00e9 um dos mais ativos cr\u00edticos brasileiros das teses \u00abaquecimentistas\u00bb, criticou severamente o uso dos cen\u00e1rios do IPCC, que, segundo ele, n\u00e3o t\u00eam qualquer relev\u00e2ncia cient\u00edfica, apesar de estarem contribuindo para alarmar os produtores agr\u00edcolas brasileiros. Alguns dos cen\u00e1rios preveem quedas dr\u00e1sticas em certas safras e, at\u00e9 mesmo, a inviabiliza\u00e7\u00e3o de algumas delas em certos estados do Pa\u00eds. Para ele, os modelos matem\u00e1ticos usados pelo IPCC s\u00e3o representantes perfeitos da m\u00e1xima da inform\u00e1tica \u00ablixo para dentro, lixo para fora\u00bb, e n\u00e3o deveriam, de modo algum, ser usados para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Baseado em sua experi\u00eancia de 42 anos de estudos clim\u00e1ticos e com um farto uso de evid\u00eancias observadas no mundo real, Molion demonstrou cabalmente que as varia\u00e7\u00f5es naturais do sistema clim\u00e1tico superam por larga margem qualquer eventual influ\u00eancia humana na escala global.<\/p>\n<p>Por sua vez, Lino, que \u00e9 autor do livro <em>A fraude do aquecimento global: como um fen\u00f4meno natural foi convertido numa falsa emerg\u00eancia mundial<\/em> (Capax Dei, 2009), demonstrou que a hip\u00f3tese do aquecimento global antropog\u00eanico \u00e9 \u00abreprovada no teste do m\u00e9todo cient\u00edfico\u00bb, pois n\u00e3o se sustenta em evid\u00eancias f\u00edsicas do mundo real. Entre outras, mostrou que as mudan\u00e7as constituem o estado natural do clima, tendo produzido temperaturas e n\u00edveis do mar bem mais altos e bem mais baixos que os atuais, al\u00e9m de taxas de varia\u00e7\u00e3o igualmente muito superiores \u00e0s observadas desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Ademais, afirmou, o discurso catastrofista contribui para distorcer a percep\u00e7\u00e3o das verdadeiras emerg\u00eancias mundiais, como as consequ\u00eancias das defici\u00eancias de infraestrutura de saneamento b\u00e1sico e gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, que afetam grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial, e das prioridades nas quais o Brasil deveriam se concentrar. Criticando o rec\u00e9m estabelecido \u00abFundo do Clima\u00bb do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, ele disse que, em vez de se preocupar com projetos in\u00f3cuos como uma rede de monitoramento de gases de efeito estufa na agricultura, prioridades mais relevantes seriam a disponibilidade de um sat\u00e9lite meteorol\u00f3gico pr\u00f3prio, um maior n\u00famero de radares meteorol\u00f3gicos e um sistema efetivo de alertas de fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos intensos, que est\u00e1 sendo implementado de forma improvisada, ap\u00f3s as enchentes que abalaram a Regi\u00e3o Serrana do Rio de Janeiro, no in\u00edcio do ano.<\/p>\n<p>Nos debates, os deputados Quartiero, Valdir Colatto (PMDB-SC) e Edio Lopes (PMDB-RR) enfatizaram a import\u00e2ncia de que a discuss\u00e3o de tais cr\u00edticas \u00e0 vis\u00e3o alarmista prevalecente sobre o assunto seja aprofundada no Congresso, lamentando que seus colegas favor\u00e1veis \u00e0s teses ambientalistas n\u00e3o tenham aparecido para debater publicamente. Colatto afirmou que o tema ganha ainda mais relev\u00e2ncia em fun\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia Rio+20, no Rio de Janeiro (RJ), em 2012.<\/p>\n<p>Os v\u00eddeos da audi\u00eancia podem ser vistos no s\u00edtio da TV C\u00e2mara, no link <a href=\"http:\/\/www2.camara.gov.br\/atividade-legislativa\/webcamara\/ao-vivo\/transmissoes-do-dia\/videoArquivo?codSessao=00019428#videoTitulo\" target=\"_blank\">http:\/\/www2.camara.gov.br\/atividade-legislativa\/webcamara\/ao-vivo\/transmissoes-do-dia\/videoArquivo?codSessao=00019428#videoTitulo.<\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Na contram\u00e3o, as a\u00e7\u00f5es do governo<\/strong><\/p>\n<p>No dia seguinte, a audi\u00eancia foi na Comiss\u00e3o Mista Permanente sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, onde o secret\u00e1rio de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Qualidade Ambiental do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Eduardo Delgado Assad, apresentou as principais a\u00e7\u00f5es do Governo Federal para efetivar a Pol\u00edtica Nacional sobre Mudan\u00e7as do Clima (Lei 12.187\/09). Entre elas, destacou a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento da Amaz\u00f4nia, a diminui\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o de diversos planos setoriais entre as principais a\u00e7\u00f5es j\u00e1 efetivadas (Ag\u00eancia C\u00e2mara, 22\/09\/2011).<\/p>\n<p>Assad informou que alguns planos setoriais j\u00e1 est\u00e3o prontos ou em fase de revis\u00e3o, como o que prev\u00ea o controle do desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal e no Cerrado; o de baixa emiss\u00e3o de carbono na agricultura; e o de siderurgia. Ele ressaltou que o plano setorial na \u00e1rea de recursos h\u00eddricos, aprovado nesta semana pela Casa Civil, contempla a ocorr\u00eancia de enchentes e seca e a\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 eros\u00e3o costeira.<\/p>\n<p>No caso da ind\u00fastria, disse ele, o governo ainda avalia como estabelecer as metas de redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de gases, pois h\u00e1 diverg\u00eancias nesse debate: para alguns, a ind\u00fastria poder\u00e1 perder competitividade se for obrigada a seguir metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. Para outros, a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es tornar\u00e1 a ind\u00fastria \u00abcompetitiva no m\u00e9dio prazo\u00bb, pois ela se alinharia \u00e0 \u00abeconomia verde\u00bb.<\/p>\n<p>Assad admitiu que, sem o estabelecimento de metas para a ind\u00fastria, ser\u00e1 dif\u00edcil aplicar os recursos do Fundo Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (FNMC), o \u00abFundo do Clima\u00bb, rec\u00e9m regulamentado. Segundo ele, ser\u00e3o selecionados 70 projetos para receber recursos do fundo, que come\u00e7ou a operar com R$ 230 milh\u00f5es. At\u00e9 agora, j\u00e1 foram apresentados 170 projetos para an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u00c9 digno de nota que Assad \u00e9 co-autor do estudo da Embrapa criticado por Molion e, igualmente, que o mesmo foi parcialmente financiado pela embaixada do Reino Unido no Brasil.<\/p>\n<p>Da mesma forma, pelo teor das declara\u00e7\u00f5es do secret\u00e1rio, percebe-se que os t\u00e9cnicos do MMA que depositam tantas esperan\u00e7as na \u00abeconomia verde\u00bb n\u00e3o acompanham ou ignoram o desempenho de iniciativas do g\u00eanero nos EUA e na Europa, em especial, no Reino Unido. Por isso, \u00e9 realmente fundamental que o Congresso se abra para uma ampla discuss\u00e3o do assunto, sem a qual o Pa\u00eds tende a repetir os erros cometidos naqueles pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Norte &#8211; e experimentar preju\u00edzos similares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Congresso Nacional realizou esta semana duas audi\u00eancias p\u00fablicas para a discuss\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, cada uma dedicada a uma das duas vis\u00f5es opostas sobre o tema, como um fen\u00f4meno natural ou induzido pelas atividades humanas. 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