{"id":1512,"date":"2014-08-19T20:31:11","date_gmt":"2014-08-19T20:31:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1512"},"modified":"2014-08-19T20:31:11","modified_gmt":"2014-08-19T20:31:11","slug":"brasil-desindustrializacao-silenciosa-em-marcha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/brasil-desindustrializacao-silenciosa-em-marcha\/","title":{"rendered":"Brasil: &quot;desindustrializa\u00e7\u00e3o silenciosa&quot; em marcha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/images.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1517 aligncenter\" title=\"images\" src=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/images.jpg\" alt=\"\" width=\"276\" height=\"183\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">O Brasil vive um processo de \u00abdesindustrializa\u00e7\u00e3o silenciosa\u00bb e o momento \u00e9 \u00abextremamente dram\u00e1tico\u00bb para o setor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">A advert\u00eancia, que se soma \u00e0s de um n\u00famero crescente de profissionais do ramo e especialistas, \u00e9 do rec\u00e9m-eleito presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza. Segundo ele, no primeiro semestre, o setor apresentou uma queda de faturamento de dois d\u00edgitos, que se segue \u00e0s retra\u00e7\u00f5es observadas em 2013 e 2012 (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 29\/07\/2014).<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Juntamente com seu antecessor Luiz Aubert Neto, Pastoriza, que era diretor-secret\u00e1rio da entidade, participou de reuni\u00f5es com representantes do governo federal, nos \u00faltimos meses, inclusive a presidente Dilma Rousseff, al\u00e9m dos candidatos presidenciais A\u00e9cio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), para apresentar o sombrio panorama do setor e as propostas da Abimaq para uma revers\u00e3o do processo. A agenda, resumida\u00a0<a href=\"http:\/\/www.abimaq.org.br\/comunicacoes\/propostas\/propostas-politicas-competitividade.pdf\" target=\"_blank\">em uma cartilha de 31 p\u00e1ginas<\/a>, pinta um quadro mais que preocupante:<br \/>\n<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">A cont\u00ednua perda de participa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nacional de BKM (Bens de Capital Mec\u00e2nicos) no consumo aparente, que caiu de 50% h\u00e1 cinco anos para menos de 34% em 2013, est\u00e1 alcan\u00e7ando n\u00edveis preocupantes que comprometem a sobreviv\u00eancia da ind\u00fastria de m\u00e1quinas e equipamentos brasileiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Segundo informa\u00e7\u00f5es do MDIC (Minist\u00e9rio de Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior), apenas 15% das importa\u00e7\u00f5es brasileiras de m\u00e1quinas e equipamentos s\u00e3o feitas com a utiliza\u00e7\u00e3o de Ex-tarif\u00e1rios [redu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de al\u00edquotas de importa\u00e7\u00e3o &#8211; n.e.], que s\u00e3o concedidos quando da inexist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o nacional. Isto significa que os demais 85% s\u00e3o importados sem redu\u00e7\u00e3o de Al\u00edquota do II &#8211; Imposto de Importa\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o, basicamente, do pre\u00e7o mais vantajoso do bem importado. Esta simples constata\u00e7\u00e3o deixa clara a amea\u00e7a \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional constitu\u00edda pela manuten\u00e7\u00e3o de um c\u00e2mbio defasado e do elevado \u00abCusto Brasil\u00bb.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">A competitividade da ind\u00fastria brasileira, possibilitando sua inser\u00e7\u00e3o nas cadeias globais de valor depende, portanto, da redu\u00e7\u00e3o progressiva do \u00abCusto Brasil\u00bb com a ado\u00e7\u00e3o, pelo Governo brasileiro, de um cronograma que permita elimin\u00e1-lo ao longo dos pr\u00f3ximos anos.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">A cartilha, entregue \u00e0 presidente e aos candidatos ao Planalto, inclui sugest\u00f5es de medidas espec\u00edficas para a ind\u00fastria de bens de capital e mec\u00e2nicos, al\u00e9m de propostas sobre as necess\u00e1rias reformas pol\u00edtica, fiscal, tribut\u00e1ria e educancional. \u00abEstamos discutindo em profundidade toda a problem\u00e1tica macroecon\u00f4mica do pa\u00eds e o risco que corremos de dizimar a ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o\u00bb, disse Pastoriza ao\u00a0<em>Valor<\/em>.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Ele promete usar a sua gest\u00e3o para fazer o m\u00e1ximo de press\u00e3o poss\u00edvel para que o governo promova mudan\u00e7as favor\u00e1veis \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o: \u00abO meu objetivo \u00e9 lutar com todas as for\u00e7as, angariando mais for\u00e7as com outros setores, para pressionar o presidente do pa\u00eds a partir de 1\u00ba de janeiro de 2015, seja quem for, a fazer reestrutura\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e pouco populares.\u00bb<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Segundo ele, o novo governo ter\u00e1 que enfrentar os problemas estruturais do Pa\u00eds, com a redu\u00e7\u00e3o dos juros e da carga tribut\u00e1ria e a tomada de medidas de incentivo aos investimentos produtivos. Caso contr\u00e1rio, \u00abse as reformas n\u00e3o forem feitas, corremos o risco de voltar a ser um pa\u00eds col\u00f4nia, e n\u00e3o de ser um pa\u00eds pot\u00eancia, como pretend\u00edamos\u00bb.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Pastoriza afirma que o setor de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais prejudicado pelos altos custos de produ\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 sua longa cadeia produtiva, que incorre em impostos em cascata. Por isso, \u00ab\u00e9 preciso atacar todos os componentes do &#8216;custo Brasil&#8217; de maneira radical e obcecada a partir do in\u00edcio do ano que vem. E vamos pressionar para que isso aconte\u00e7a. N\u00e3o temos mais tempo a perder\u00bb.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Um dado citado denota a extens\u00e3o das aberra\u00e7\u00f5es nacionais. De acordo com ele, hoje, o custo de produ\u00e7\u00e3o de qualquer equipamento no Brasil \u00e9 30% a 40% maior que na Alemanha, um dos pa\u00edses mais desenvolvidos do mundo. \u00ab\u00c9 uma diferen\u00e7a dram\u00e1tica de custos. Ser industrial na ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o no Brasil virou um grande mico\u00bb, lamentou.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Tais perspectivas negativas est\u00e3o fazendo com que numerosas empresas estejam encerrando as suas opera\u00e7\u00f5es fabris e se convertendo em importadoras. E, pior, \u00abalgumas n\u00e3o est\u00e3o capitalizadas nem mesmo para fechar suas portas, o que tamb\u00e9m \u00e9 caro no Brasil\u00bb.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Pelas estimativas da Abimaq, o setor dever\u00e1 fechar 2014 com um faturamento 11% inferior ao do ano passado, que, por sua vez, foi 5,7% inferior ao de 2012, tamb\u00e9m inferior ao de 2011. Considerando apenas o mercado interno, o faturamento das empresas locais caiu 33% este ano.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">O segmento mais afetado \u00e9 o das m\u00e1quinas-ferramentas, sobre o qual Pastoriza faz uma advert\u00eancia ainda mais contundente: \u00abEssas s\u00e3o as m\u00e1quinas que qualquer outra ind\u00fastria precisa, e esses fabricantes est\u00e3o desaparecendo do mercado. Isso indica uma situa\u00e7\u00e3o de menor produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o no futuro pr\u00f3ximo.\u00bb<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-family: Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif;\">Com poucas variantes, o chamado de aten\u00e7\u00e3o do novo presidente da Abimaq poderia ser repetido pelos dirigentes de numerosos outros setores produtivos nacionais. Esperemos que, passado o per\u00edodo eleitoral, as lideran\u00e7as empresariais, em sintonia com outros setores mobilizados da sociedade, consigam se fazer ouvir junto ao novo governo, em um esfor\u00e7o que crie condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas para a revers\u00e3o dessa desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce, como tamb\u00e9m para uma retomada sustentada de um processo robusto de desenvolvimento.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive um processo de \u00abdesindustrializa\u00e7\u00e3o silenciosa\u00bb e o momento \u00e9 \u00abextremamente dram\u00e1tico\u00bb para o setor. A advert\u00eancia, que se soma \u00e0s de um n\u00famero crescente de profissionais do ramo e especialistas, \u00e9 do rec\u00e9m-eleito presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza. 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