{"id":151,"date":"2011-09-23T19:41:34","date_gmt":"2011-09-23T19:41:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=151"},"modified":"2011-09-23T19:41:34","modified_gmt":"2011-09-23T19:41:34","slug":"decrescimento-a-nova-utopia-ambientalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/decrescimento-a-nova-utopia-ambientalista\/","title":{"rendered":"\u00abDecrescimento\u00bb, a nova utopia ambientalista"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Por iniciativa do senador Crist\u00f3vam Buarque (PDT-DF), o Brasil foi apresentado \u00e0 mais recente utopia ambientalista: o \u00abdecrescimento econ\u00f4mico\u00bb. Para promover a esdr\u00faxula ideia, o parlamentar organizou e presidiu uma audi\u00eancia p\u00fablica sobre o tema, no \u00faltimo dia 5 de setembro, na Subcomiss\u00e3o Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional Sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado.<\/p>\n<p>O evento contou com presen\u00e7a de tr\u00eas \u00abespecialistas\u00bb que defendem a proposta: o ge\u00f3grafo franc\u00eas Philippe L\u00e9na, diretor da ONG Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD); e os brasileiros Carlos Alberto Pereira Silva, historiador da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), e o agr\u00f4nomo Jo\u00e3o Lu\u00eds Homem de Carvalho, da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) (Ag\u00eancia Senado, 06\/09\/2011).<\/p>\n<p>Nos debates, pode-se verificar que o \u00abdecrescimento\u00bb n\u00e3o representa nenhuma grande novidade em rela\u00e7\u00e3o aos tradicionais conceitos oriundos do malthusianismo e sua variante ambientalista, a come\u00e7ar pela surrada cartilha dos \u00ablimites do crescimento\u00bb. A ideia b\u00e1sica \u00e9 a de que as sociedades devem, voluntariamente, encolher as suas economias, de modo a respeitar a limita\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. Portanto, afirmam, a Humanidade deveria promover um programa conjunto de redu\u00e7\u00e3o do seu crescimento.<\/p>\n<p>L\u00e9na definiu o \u00abdecrescimento\u00bb como uma necessidade, devido aos dados cient\u00edficos que, segundo ele, atestariam que a ra\u00e7a humana est\u00e1 \u00ab\u00e0 beira de abismo, pisando no acelerador\u00bb.<\/p>\n<p>J\u00e1 o historiador Pereira Silva defendeu uma certa \u00ab\u00e9tica ecoantropoc\u00eantrica\u00bb, baseada em um \u00abego\u00edsmo inteligente\u00bb, que encare o cuidado com outras esp\u00e9cies como a preserva\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria ra\u00e7a humana. Al\u00e9m disto, afirmou que o desenvolvimentismo est\u00e1 ligado ao culto \u00e0 viol\u00eancia e ao corpo, cuja alternativa mais adequada \u00e9 buscar saberes de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e iletradas (algo como \u00abo bom selvagem\u00bb de Rousseau, em nova roupagem).<\/p>\n<p>Por sua vez, o agr\u00f4nomo Homem de Carvalho defendeu uma esp\u00e9cie de \u00abnivelamento para baixo\u00bb, com a redu\u00e7\u00e3o do crescimento nos pa\u00edses ricos, igualando-os aos pa\u00edses subdesenvolvidos, como meio de adequ\u00e1-los aos supostos \u00ablimites dos recursos naturais\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o por coincid\u00eancia, ele teceu elogios a institui\u00e7\u00f5es malthusianas, como o Clube de Roma e o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), afirmando que os seus relat\u00f3rios \u00abrespaldam\u00bb o decrescimento como uma necessidade. Sintomaticamente, ele n\u00e3o fez qualquer coment\u00e1rio sobre a desqualifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos principais documentos de ambas as entidades, atestadas por numerosos cientistas s\u00e9rios que se deram ao trabalho de analisar criticamente as suas conclus\u00f5es fundamentais.<\/p>\n<p>O conceito de \u00abdecrescimento\u00bb foi cunhado na d\u00e9cada de 1970 por Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994), matem\u00e1tico e economista romeno, que &#8211; tamb\u00e9m n\u00e3o por acaso &#8211; foi um dos fundadores do Clube de Roma e um dos arautos do malthusianismo moderno. O cerne do problema ecol\u00f3gico, para ele, \u00e9 que a sociedade do crescimento econ\u00f4mico seria n\u00e3o apenas ambientalmente insustent\u00e1vel, mas tamb\u00e9m indesej\u00e1vel. Para solucionar o problema, ele propunha o regresso aos modos de vida primitivos, renegando s\u00e9culos de avan\u00e7o cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O fato de que o senador Buarque empregue o tempo e os recursos do Congresso para promover semelhantes sandices, como sendo uma proposta digna de considera\u00e7\u00e3o para pa\u00edses como o Brasil, ainda \u00e0s voltas com extremas desigualdades sociais, somente revela a profunda desorienta\u00e7\u00e3o de alguns homens p\u00fablicos brasileiros sobre o fato de que a ideologia malthusiana\/ambientalista n\u00e3o passa de um instrumento pol\u00edtico das oligarquias hegem\u00f4nicas do Hemisf\u00e9rio Norte. De fato, chega a ser estarrecedor que um intelectual de sua estatura acredite ser positivo se propor \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras padr\u00f5es de vida inferiores atuais, sem qualquer considera\u00e7\u00e3o pelo fato de que mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira ainda n\u00e3o tem acesso a comodidades como o saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Definitivamente, o senador Buarque j\u00e1 conheceu dias melhores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por iniciativa do senador Crist\u00f3vam Buarque (PDT-DF), o Brasil foi apresentado \u00e0 mais recente utopia ambientalista: o \u00abdecrescimento econ\u00f4mico\u00bb. 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