{"id":1225,"date":"2014-05-16T20:12:38","date_gmt":"2014-05-16T20:12:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1225"},"modified":"2014-05-16T20:12:38","modified_gmt":"2014-05-16T20:12:38","slug":"estimulo-monetario-ou-reforma-do-sistema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/estimulo-monetario-ou-reforma-do-sistema\/","title":{"rendered":"Est\u00edmulo monet\u00e1rio ou reforma do sistema?"},"content":{"rendered":"<p>\u00abJ\u00e1 se passaram mais de cinco anos desde a eclos\u00e3o da crise financeira global, mas a economia global ainda est\u00e1 lutando para superar a debilidade cr\u00f4nica do per\u00edodo p\u00f3s-crise.\u00bb O desabafo, em tom de des\u00e2nimo, foi feito recentemente por ningu\u00e9m menos que o diretor-presidente do Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS), Jaime Caruana.<\/p>\n<p>Uma debilidade que se manifesta de v\u00e1rias maneiras: tend\u00eancia decepcionante da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade; desemprego, que j\u00e1 supera os n\u00edveis pr\u00e9- crise; risco de defla\u00e7\u00e3o; crescimento de 30% da d\u00edvida privada dos setores n\u00e3o financeiros, em rela\u00e7\u00e3o ao PIB; setor financeiro ainda em reassentamento; mercados financeiros em alta e cada vez mais dependentes dos bancos centrais; d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios crescentes, apesar do aumento da arrecada\u00e7\u00e3o fiscal; e uma pol\u00edtica monet\u00e1ria que j\u00e1 atingiu os seus limites.<\/p>\n<p>Caruana n\u00e3o \u00e9 propriamente um economista ou pol\u00edtico \u00abpessimista\u00bb, em busca de emo\u00e7\u00f5es fortes. Tal an\u00e1lise \u00e9 compartilhada por muitos especialistas e institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, que t\u00eam discutido a efic\u00e1cia das pol\u00edticas monet\u00e1rias aplicadas at\u00e9 agora, no Ocidente, para apoiar a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Na verdade, tratam-se de dois diagn\u00f3sticos opostos. Um se baseia na queda de demanda (<em>shortfall of demand<\/em>); o outro, na recess\u00e3o provocada pela crise dos balan\u00e7os financeiros (<em>balance sheet recession<\/em>) dos v\u00e1rios agentes econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>No primeiro caso, caracterizado por um choque provocado por uma demanda negativa, por sua vez, alimentada por mecanismos internos de redu\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas e pelo aperto de cr\u00e9dito, a resposta deve se concentrar, principalmente, em a\u00e7\u00f5es de est\u00edmulo monet\u00e1rio para a economia. Neste quadro, as pol\u00edticas monet\u00e1rias \u00abacomodat\u00edcias\u00bb seriam essenciais, embora possam tornar-se contraproducentes, se prolongadas em demasia.<\/p>\n<p>No segundo, devem-se privilegiar as reformas estruturais e a reestrutura\u00e7\u00e3o dos balan\u00e7os financeiros, desengajando-os da explos\u00e3o financeira incontrol\u00e1vel e favorecida do <em>laissez-faire<\/em> pr\u00e9-crise. Argumenta-se que a crise n\u00e3o seria resultante de um efeito ex\u00f3geno, mas o inevit\u00e1vel colapso de uma bolha financeira especulativa e insustent\u00e1vel. Portanto, primeiro, \u00e9 primeiro limpar os balan\u00e7os, das d\u00edvidas e dos t\u00edtulos incobr\u00e1veis. Os setores financeiros e, at\u00e9 mesmo, as bolsas de valores, deveriam ser esvaziados, para que a economia volte a crescer.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 necess\u00e1rio para se assegurar de que o cr\u00e9dito, j\u00e1 an\u00eamico, n\u00e3o seja absorvido pelos ciclos puramente financeiros, em vez de ser injetado nos setores produtivos. Em tais situa\u00e7\u00f5es de recess\u00e3o, mais que o montante de cr\u00e9dito, o seu destino \u00e9 incomparavelmente mais importante.<\/p>\n<p>A segunda abordagem confirma, com os dados dispon\u00edveis, que as crises banc\u00e1rias sist\u00eamicas s\u00e3o acompanhadas por quedas permanentes na produ\u00e7\u00e3o &#8211; para as quais o rem\u00e9dio consiste na redu\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas e na realiza\u00e7\u00e3o de reformas estruturais no sistema, para assegurar que os incentivos econ\u00f4micos sejam dirigidos \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de novos investimentos e empregos.<\/p>\n<p>Recentemente, o pr\u00f3prio Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) teve de reconhecer que as medidas de est\u00edmulo conhecidas como \u00abfacilita\u00e7\u00e3o quantitativa\u00bb &#8211; leiam-se inje\u00e7\u00f5es maci\u00e7as de liquidez no sistema banc\u00e1rio &#8211; n\u00e3o geraram qualquer aumento dos investimentos produtivos. Ao contr\u00e1rio, entre 2008 e 2013, nos chamados pa\u00edses avan\u00e7ados, verificou-se uma redu\u00e7\u00e3o de 2,5 % na propor\u00e7\u00e3o dos investimentos em rela\u00e7\u00e3o ao PIB. O Fundo teme que, em muitos destes pa\u00edses, um retorno aos n\u00edveis pr\u00e9-crise n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel, pelo menos, nos pr\u00f3ximos cinco anos, tanto que j\u00e1 fala em uma \u00abestagna\u00e7\u00e3o secular\u00bb, especialmente, se \u00abnovos choques golpearem essas economias ou se as pol\u00edticas n\u00e3o abordarem devidamente as causas da crise\u00bb.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo no Sistema da Reserva Federal ( EUA), crescem as d\u00favidas sobre a efic\u00e1cia das pol\u00edticas implementadas at\u00e9 o momento. Um estudo realizado pelo Banco da Reserva Federal de St. Louis (um dos doze bancos regionais em que se divide o sistema), por exemplo, fez uma compara\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas dos pa\u00edses ocidentais com as adotadas pela China. As conclus\u00f5es s\u00e3o verdadeiramente surpreendentes: o est\u00edmulo monet\u00e1rio nas economias avan\u00e7adas n\u00e3o logrou atingir os objetivos anunciados, enquanto as pol\u00edticas chinesas, baseadas em medidas fiscais e cr\u00e9dito para o desenvolvimento, t\u00eam produzido resultados positivos.<\/p>\n<p>Sem presun\u00e7\u00e3o, acreditamos que o Banco Central Europeu deveria considerar cuidadosamente estas quest\u00f5es, em vez de, simplesmente, imitar as pol\u00edticas monet\u00e1rias da Reserva Federal.<br \/>\n<!-- C\u00f3digo do Google para tag de remarketing --><br \/>\n<!--------------------------------------------------\nAs tags de remarketing n\u00e3o podem ser associadas a informa\u00e7\u00f5es pessoais de identifica\u00e7\u00e3o nem inseridas em p\u00e1ginas relacionadas a categorias de confidencialidade. 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