{"id":1175,"date":"2014-09-16T20:04:54","date_gmt":"2014-09-16T20:04:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=1175"},"modified":"2014-09-16T20:04:54","modified_gmt":"2014-09-16T20:04:54","slug":"a-seca-em-sao-paulo-e-o-fantastico-modo-de-falsear-os-fatos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-seca-em-sao-paulo-e-o-fantastico-modo-de-falsear-os-fatos\/","title":{"rendered":"A seca em S\u00e3o Paulo e o \u00abFant\u00e1stico\u00bb modo de falsear os fatos"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Na edi\u00e7\u00e3o de 31 de agosto, o programa\u00a0<i>Fant\u00e1stico<\/i>\u00a0da Rede Globo de Televis\u00e3o dedicou mais de 11 minutos \u00e0 seca que tem afetado a Regi\u00e3o Sudeste, em especial, o estado de S\u00e3o Paulo. O destaque \u00e9 relevante, devido \u00e0 dimens\u00e3o do problema, mas, em vez de discutir as suas causas estruturais, a reportagem preferiu apontar um inesperado respons\u00e1vel: a \u00abdevasta\u00e7\u00e3o desenfreada da Amaz\u00f4nia\u00bb.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Segundo a reportagem, \u00e9 a Amaz\u00f4nia que \u00abbombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regi\u00f5es Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. E sem chuva, os reservat\u00f3rios ficam vazios e as torneiras, secas\u00bb.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">O \u00fanico sen\u00e3o \u00e9 que a reportagem se baseou apenas nas opini\u00f5es de cientistas alinhados com a abordagem alarmista sobre os temas clim\u00e1ticos, em vez de consultar cientistas clim\u00e1ticos com outra vis\u00e3o e, principalmente, especialistas em recursos h\u00eddricos, que responsabilizam pelo problema as falhas de planejamento e gest\u00e3o por parte da concession\u00e1ria Sabesp, que n\u00e3o teria se preparado adequadamente para uma tal situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">De forma sensacionalista, a reportagem classifica o combate ao desmatamento como uma \u00abguerra contra a cobi\u00e7a\u00bb e situa a origem da quest\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das primeiras estradas que levavam ao interior da Amaz\u00f4nia, h\u00e1 quatro d\u00e9cadas, permitindo a coloniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Segundo o texto, tais vias \u00abacabaram facilitando tamb\u00e9m o acesso de exploradores gananciosos e sem escr\u00fapulos. Um crime ambiental que ainda est\u00e1 longe do fim\u00bb. E acrescentou, em tom grave: \u00ab20% das \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia original j\u00e1 foram para o ch\u00e3o. Restaram imensas clareiras que somam uma \u00e1rea maior que a Fran\u00e7a e a Alemanha juntas.\u00bb<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Na sequ\u00eancia, a reportagem ligou o desmatamento amaz\u00f4nico \u00e0 seca no Sudeste, dando voz ao climatologista Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE): \u00abEssas chuvas que ocorrem principalmente durante o ver\u00e3o, a umidade \u00e9 oriunda da Amaz\u00f4nia. E essa chuva que fica v\u00e1rios dias \u00e9 que recarrega os principais reservat\u00f3rios da Regi\u00e3o Sudeste.\u00bb<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A base cient\u00edfica para a reportagem foi um estudo com proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas para a Amaz\u00f4nia, que ser\u00e1 divulgado oficialmente no final do ano, na 20\u00aa. Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP-20), em Lima, Peru. O trabalho, desenvolvido por diversos cientistas do INPE e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (INPA), tra\u00e7a um roteiro das chuvas no continente sul-americano. Segundo o estudo, o que torna a Amaz\u00f4nia diferente de todas as grandes florestas equatoriais do planeta \u00e9 a Cordilheira dos Andes, com 7 mil metros de altitude e que impede que as nuvens se percam no Oceano Pac\u00edfico; em vez disto, elas s\u00e3o retidas e desviadas para o Sul.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">O pesquisador do INPA, Ant\u00f4nio Nobre, sustenta tal tese, ao afirmar: \u00abEsses ventos viram aqui e se contrap\u00f5em \u00e0 tend\u00eancia natural dessa regi\u00e3o aqui de ser deserto. \u00c9 uma regi\u00e3o que produz 70% do PIB da Am\u00e9rica do Sul &#8211; regi\u00e3o industrial, agr\u00edcola, onde est\u00e1 a maior parte da popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul.\u00bb<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Segundo o estudo, diariamente, cada \u00e1rvore amaz\u00f4nica bombeia na atmosfera uma m\u00e9dia de 500 litros de \u00e1gua, sendo que a Amaz\u00f4nia inteira seria respons\u00e1vel por levar 20 bilh\u00f5es de toneladas de \u00e1gua por dia do solo \u00e0 atmosfera &#8211; o que superaria, em 3 bilh\u00f5es de toneladas, a vaz\u00e3o di\u00e1ria do rio Amazonas.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">\u00abSe voc\u00ea tivesse uma chaleira gigante ligada na tomada, voc\u00ea precisaria de eletricidade da Usina de Itaipu, que \u00e9 a maior do mundo em pot\u00eancia, funcionando por 145 anos para evaporar um dia de \u00e1gua na Amaz\u00f4nia. Quantas Itaipus precisaria para fazer o mesmo trabalho que as \u00e1rvores est\u00e3o fazendo silenciosamente l\u00e1? 50 mil usinas Itaipu\u00bb, disse Nobre, ilustrando a tese.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A reportagem observa que esse fluxo enorme de \u00e1gua pela atmosfera at\u00e9 o Centro-Sul do Brasil \u00e9 chamado de \u00abrios voadores\u00bb. Segundo Sampaio, \u00abpara quem est\u00e1 no Brasil, seja Porto Alegre ou Manaus ou S\u00e3o Paulo tem que saber que a \u00e1gua que consome em sua resid\u00eancia, uma parte dela vem da Amaz\u00f4nia e que por isso temos que preservar\u00bb.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Imagens de sat\u00e9lite inclu\u00eddas no estudo demonstrariam que, no estado de S\u00e3o Paulo, por exemplo, a devasta\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica tem permitido a forma\u00e7\u00e3o de uma massa de ar quente na atmosfera. Tal massa seria t\u00e3o densa que impediria a chegada dos \u00abrios voadores\u00bb, redundando em seca na regi\u00e3o, enquanto as nuvens acabam desaguando no Acre e em Rond\u00f4nia, explicando simultaneamente a estiagem no Sudeste e as grandes cheias registradas no Norte do Pa\u00eds, no primeiro semestre.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A reportagem ainda proporcionou uma aula de sensacionalismo, ao afirmar, com o tom de alarde t\u00edpico dos militantes \u00abverdes\u00bb mais ardorosos: \u00abOs gr\u00e1ficos do INPE revelam que os desmatamentos na Amaz\u00f4nia j\u00e1 ca\u00edram aos n\u00edveis mais baixos das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, mas ainda que tivessem sido completamente zerados, os cientistas n\u00e3o estariam tranquilos. Eles alertam que \u00e9 preciso tamb\u00e9m reflorestar as \u00e1reas desmatadas antes que seja tarde (grifo nosso).\u00bb<br \/>\nA chave de ouro do catastrofismo foi oferecida por Nobre: \u00abExiste um fato simples: se voc\u00ea tira floresta, voc\u00ea tira fonte de umidade, muda o clima. E n\u00f3s tiramos floresta. Isso foi o que a gente fez nos \u00faltimos 40 anos. O clima \u00e9 um juiz que sabe contar \u00e1rvores, que n\u00e3o esquece e n\u00e3o perdoa.\u00bb<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><b>O outro lado da hist\u00f3ria<\/b><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Em e-mail enviado ao Alerta em Rede, o climatologista Luiz Carlos Baldicero Molion, pesquisador aposentado do INPE e professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), observou:<br \/>\n<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Essa mat\u00e9ria do\u00a0<i>Fant\u00e1stico\u00a0<\/i>n\u00e3o tem base cient\u00edfica alguma. \u00c9 que os leigos acreditam que a floresta, por sua evapotranspira\u00e7\u00e3o, fornece umidade para a atmosfera. Ao contr\u00e1rio, devido \u00e0 rugosidade, ou aspereza aerodin\u00e2mica da superf\u00edcie para o escoamento do ar, a turbul\u00eancia e a atividade convectiva (forma\u00e7\u00e3o de nuvens e chuva) \u00e9 maior com a presen\u00e7a da floresta. Ou seja, a presen\u00e7a da floresta faz com que a umidade que entra na regi\u00e3o vinda do Oceano Atl\u00e2ntico Norte, a principal fonte de umidade para as chuvas de ver\u00e3o no Brasil, seja mais eficientemente transformada em chuva sobre a Amaz\u00f4nia. Assim, se ocorresse um desmatamento em grande escala, a rugosidade diminuiria, choveria menos na Amaz\u00f4nia e mais umidade seria transportada para o Sudeste e Centro Oeste e choveria mais, e n\u00e3o menos, em S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Outro questionamento \u00e0 reportagem veio da Federa\u00e7\u00e3o de Agricultura e Pecu\u00e1ria do Par\u00e1 (Faepa), por meio de uma nota oficial assinada pelo seu presidente, Carlos Fernandes Xavier. Segundo a entidade, \u00e9 injusto<br \/>\n<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">que se utilize da fal\u00e1cia de imputar um suposto desmatamento da Amaz\u00f4nia como causa prim\u00e1ria e \u00faltima da falta d&#8217;\u00e1gua nas torneiras paulistas. As bases sulistas da Rede Globo n\u00e3o lhe conferem autoridade para atribuir a n\u00f3s, da Amaz\u00f4nia, as culpas pelo que representa a consequ\u00eancia da pr\u00f3pria hist\u00f3ria de uma regi\u00e3o que n\u00e3o soube preservar o seu territ\u00f3rio e destruiu a Mata Atl\u00e2ntica desde que os colonizadores lusos aqui aportaram. (&#8230;)<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">N\u00e3o nos cansamos de denunciar que existem interesses escusos, travestidos de falso ambientalismo, que \u00e9 despido de qualquer fundamenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica confi\u00e1vel, sempre interessados em se sobrepor ao desenvolvimento da Amaz\u00f4nia e travar suas possibilidades de crescimento e integra\u00e7\u00e3o. Ora se afirma que as regi\u00f5es Sul e Sudeste ver\u00e3o elevados tanto o \u00edndice das chuvas como o volume dos seus cursos d&#8217;\u00e1gua, na contram\u00e3o da bacia hidrogr\u00e1fica amaz\u00f4nica (com vatic\u00ednios de seca em menos de 50 anos), ora se proclama que a seca transformada em flagelo no setentri\u00e3o brasileiro tem um \u00fanico culpado: o desmatamento na Amaz\u00f4nia. (&#8230;)<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">H\u00e1 um indisfar\u00e7\u00e1vel interesse, no contexto da economia mundial, ao qual se agregam, por inoc\u00eancia ou m\u00e1-f\u00e9 mesmo, alguns setores de nossa grande imprensa, dos pa\u00edses mais ricos em deter o avan\u00e7o mais c\u00e9lere das na\u00e7\u00f5es em franco desenvolvimento, como \u00e9 o caso do Brasil, for\u00e7ando a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o mais caros. \u00c9 preciso que tenhamos a compreens\u00e3o exata de que ningu\u00e9m vai nos alimentar gratuitamente! E a nossa voca\u00e7\u00e3o natural, na Amaz\u00f4nia, est\u00e1 centrada na produ\u00e7\u00e3o de alimentos para os seus 20 milh\u00f5es de habitantes e, ainda, para o resto do Brasil e do planeta.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A nota conclui com um veemente protesto:<br \/>\n<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Possu\u00edmos projetos de extraordin\u00e1ria relev\u00e2ncia para o Brasil e o mundo &#8211; como \u00e9 o caso do PROJETO PRESERVAR &#8211; com a premissa do DESMATAMENTO ZERO, prevendo a revers\u00e3o de 11 milh\u00f5es de hectares da pecu\u00e1ria para a agricultura e investindo fortemente no pastejo rotacionado intensivo, aproveitando-se exclusivamente os 24% de nosso territ\u00f3rio j\u00e1 antropizado (o Par\u00e1 tem 76% de sua \u00e1rea inteiramente preservada). Essa mat\u00e9ria, contudo, n\u00e3o \u00e9 de interesse para o\u00a0<i>Fant\u00e1stico<\/i>, que considera mais c\u00f4modo atribuir a outrem a culpa que est\u00e1 bem debaixo do seu nariz.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p align=\"LEFT\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">\u00c9 de se lamentar que a produ\u00e7\u00e3o do\u00a0<i>Fant\u00e1stico<\/i>\u00a0n\u00e3o tenha aproveitado a oportunidade e os formid\u00e1veis recursos da Rede Globo de Televis\u00e3o, para expor o problema crucial do abastecimento de \u00e1gua para a maior metr\u00f3pole brasileira com um enfoque objetivo e educativo, em lugar de desinformar os telespectadores, insistindo em bater na tecla do alarmismo clim\u00e1tico.<\/span><\/p>\n<p align=\"LEFT\"><em>A fotografia usada na p\u00e1gina inicial \u00e9 de Paulo Fischer.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na edi\u00e7\u00e3o de 31 de agosto, o programa\u00a0Fant\u00e1stico\u00a0da Rede Globo de Televis\u00e3o dedicou mais de 11 minutos \u00e0 seca que tem afetado a Regi\u00e3o Sudeste, em especial, o estado de S\u00e3o Paulo. O destaque \u00e9 relevante, devido \u00e0 dimens\u00e3o do problema, mas, em vez de discutir as suas causas estruturais, a reportagem preferiu apontar um &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":1176,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-1175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1175\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}