{"id":1113,"date":"2014-04-25T17:41:55","date_gmt":"2014-04-25T17:41:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1113"},"modified":"2014-04-25T17:41:55","modified_gmt":"2014-04-25T17:41:55","slug":"quem-usou-armas-quimicas-em-damasco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/quem-usou-armas-quimicas-em-damasco\/","title":{"rendered":"Quem usou armas qu\u00edmicas em Damasco?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Quem-usou-armas-qu\u00edmicas-em-Damasco-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1148\" title=\"Quem-usou-armas-qu\u00edmicas-em-Damasco-2\" src=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Quem-usou-armas-qu\u00edmicas-em-Damasco-2.png\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Quem-usou-armas-qu\u00edmicas-em-Damasco-2.png 960w, https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/Quem-usou-armas-qu\u00edmicas-em-Damasco-2-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No final de agosto de 2013, o mundo esteve a poucos dias de presenciar mais uma demonstra\u00e7\u00e3o do poderio b\u00e9lico dos EUA, na forma de um ataque de m\u00edsseis contra instala\u00e7\u00f5es militares s\u00edrias. O pretexto seria o de uma \u00abpuni\u00e7\u00e3o\u00bb ao governo do presidente Bashar al-Assad, acusado de ter desfechado um ataque com armas qu\u00edmicas em um sub\u00farbio da capital Damasco, que deixou centenas de mortos e feridos, com o qual teria sido cruzada a \u00ablinha vermelha\u00bb estipulada pelo presidente Barack Obama para justificar uma a\u00e7\u00e3o militar no pa\u00eds. O ataque foi cancelado \u00e0 \u00faltima hora, devido \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o do Congresso e da lideran\u00e7a do Pent\u00e1gono, que abriu caminho para a proposta de entrega do arsenal qu\u00edmico s\u00edrio, negociada pela Federa\u00e7\u00e3o Russa. Mas, ainda hoje, persistem as acusa\u00e7\u00f5es contra Damasco, a despeito de as evid\u00eancias apontarem para outros respons\u00e1veis pelo ataque.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, observamos:<\/p>\n<blockquote><p>Sobre o pretexto para os ataques, de que as for\u00e7as de Assad teriam disparado armas qu\u00edmicas contra a popula\u00e7\u00e3o de um sub\u00farbio da capital, ele n\u00e3o se sustenta em quaisquer evid\u00eancias confi\u00e1veis &#8211; ao contr\u00e1rio, todas apontam para os rebeldes como os autores dos disparos, que mataram centenas de pessoas com sintomas de asfixia e outros que sugerem o emprego de tais armas. A se confirmar, n\u00e3o teria sido a primeira vez que os insurgentes utilizaram armamentos qu\u00edmicos no conflito. Em maio, a ex-procuradora do Tribunal Penal Internacional, Carla del Ponte, integrante de uma miss\u00e3o da ONU enviada \u00e0 S\u00edria para investigar uma das m\u00faltiplas den\u00fancias de uso de armas qu\u00edmicas pelas for\u00e7as de Damasco, afirmou que as evid\u00eancias encontradas por sua equipe apontavam para o uso de g\u00e1s sarin, mas pelos insurgentes &#8211; o que, previsivelmente, resultou na pronta rejei\u00e7\u00e3o de suas conclus\u00f5es nas capitais ocidentais e nas pr\u00f3prias Na\u00e7\u00f5es Unidas. Da mesma forma, autoridades da Turquia e do Iraque prenderam em seus territ\u00f3rios elementos rebeldes que estavam na posse de sarin, pronto para ser utilizado.<\/p>\n<p>Tais questionamentos t\u00eam sido feitos, desde as primeiras horas do an\u00fancio dos ataques, entre outros, por numerosos estrategistas, especialistas em guerra qu\u00edmica, pela R\u00fassia e, posteriormente, pelo Vaticano. Em uma entrevista \u00e0 R\u00e1dio Vaticano, em 27 de agosto, o observador permanente do Vaticano nas Na\u00e7\u00f5es Unidas em Genebra, monsenhor Silvano Tomasi, sintetizou as d\u00favidas de muitos: \u00abN\u00e3o deveria haver um julgamento at\u00e9 que haja provas suficientes. Que interesse imediato o governo de Damasco teria em causar tal trag\u00e9dia? Quem se beneficia realmente desse crime desumano? (Reuters, 27\/08\/2013.)\u00bb<\/p><\/blockquote>\n<p>Foram necess\u00e1rios sete meses e o trabalho do incans\u00e1vel jornalista investigativo Seymour Hersh para que fossem confirmadas as suspeitas levantadas na \u00e9poca sobre a autoria do ataque: como muitos suspeitavam, um grupo de rebeldes s\u00edrios &#8211; com o apoio log\u00edstico do servi\u00e7o de intelig\u00eancia turco (e a vista grossa de setores dos governos estadunidense e brit\u00e2nico). Hersh, como se recorda, \u00e9 um dos mais renomados e premiados jornalistas estadunidenses, tendo se notabilizado por grandes reportagens-den\u00fancia, como as que revelaram o massacre de civis vietnamitas por militares estadunidenses em My Lai, a tortura de prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib e outras.<\/p>\n<p>Como o seu trabalho investigativo costuma contrariar os discursos oficiais e a m\u00eddia estadunidense se mostra, cada vez mais, como porta-voz da agenda do <em>Establishment<\/em> (do qual faz parte), Hersh tem sido obrigado a recorrer a publica\u00e7\u00f5es alternativas para publicar o seu trabalho. Desta feita, a primazia coube \u00e0 <em>London Review of Books<\/em>, que, na edi\u00e7\u00e3o datada de 17 de abril, disponibilizada na internet em 6 de abril, publicou o seu contundente artigo intitulado \u00abA linha vermelha e a linha dos ratos\u00bb (a express\u00e3o \u00ablinha dos ratos\u00bb foi empregada pela primeira vez para batizar redes de apoio para a fuga de nazifascistas da Europa, ap\u00f3s a II Guerra Mundial).<\/p>\n<p>Nele, baseado em fontes de intelig\u00eancia e militares estadunidenses, Hersh faz duas afirmativas explosivas: 1) o ataque de 21 de agosto de 2013 foi perpetrado pelo grupo islamista Frente al-Nusra, que utilizou g\u00e1s sarin fornecido pelo servi\u00e7o de intelig\u00eancia turco MIT; 2) a \u00ablinha dos ratos\u00bb foi articulada pela Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA), em coopera\u00e7\u00e3o com o MI-6 brit\u00e2nico e o apoio financeiro da Turquia, Ar\u00e1bia Saudita e Catar, para transferir armamentos e equipamentos dos arsenais do falecido l\u00edder l\u00edbio Muamar Kadafi aos insurgentes s\u00edrios, atrav\u00e9s da fronteira turco-s\u00edria.<\/p>\n<p>Segundo Hersh, a intelig\u00eancia russa obteve amostras de materiais contaminados com o g\u00e1s usado no ataque e as encaminhou a um laborat\u00f3rio militar brit\u00e2nico, o qual concluiu que a amostra n\u00e3o coincidia com os agentes t\u00f3xicos existentes no arsenal s\u00edrio. O relat\u00f3rio do laborat\u00f3rio foi prontamente encaminhado ao Estado-Maior Conjunto estadunidense, cujos chefes pressionaram o presidente Obama para cancelar os planos de ataque. Em junho, os chefes militares estadunidenses j\u00e1 haviam recebido um relat\u00f3rio da Ag\u00eancia de Intelig\u00eancia de Defesa (DIA), segundo o qual a Frente al-Nusra dispunha de um laborat\u00f3rio para a produ\u00e7\u00e3o de sarin, a partir de produtos qu\u00edmicos fornecidos pelos servi\u00e7os de intelig\u00eancia turco e saudita.<\/p>\n<p>Hersh tamb\u00e9m afirma que, segundo informa\u00e7\u00f5es de uma fonte ligada \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas, um ataque com sarin ocorrido em mar\u00e7o de 2013 teria sido, igualmente, de autoria dos islamistas.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o do ataque de agosto, uma cl\u00e1ssica opera\u00e7\u00e3o \u00abbandeira falsa\u00bb (false flag, no jarg\u00e3o de intelig\u00eancia), era evidente: responsabilizar o governo de Assad, para dar a falsa impress\u00e3o de que ele havia cruzado a \u00ablinha vermelha\u00bb estabelecida por Obama.<\/p>\n<p>Hersh diz que a ativa participa\u00e7\u00e3o do governo turco no apoio aos insurgentes s\u00edrios se deve ao empenho do premier Recep Tayyip Erdogan em remover Assad do poder, com o intuito de se tornar no fiel da balan\u00e7a do poder em Damasco, em um novo regime.<\/p>\n<p>As revela\u00e7\u00f5es de Hersh refor\u00e7am as den\u00fancias feitas, j\u00e1 em setembro \u00faltimo, pelo grupo Profissionais de Intelig\u00eancia Veteranos pela Sanidade (VIPS, na sigla em ingl\u00eas), que re\u00fane ex-oficiais de intelig\u00eancia e seguran\u00e7a dos EUA e do Reino Unido, mobilizados contra a agenda militarista encabe\u00e7ada pelos dois pa\u00edses. Na oportunidade, o grupo advertiu Obama sobre a tramoia, em um memorando divulgado em v\u00e1rios s\u00edtios da internet:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Em 13-14 de agosto, for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o patrocidadas pelo Ocidente e baseadas na Turquia iniciaram prepara\u00e7\u00f5es para uma grande ofensiva militar irregular. Reuni\u00f5es iniciais entre comandantes militares seniores da oposi\u00e7\u00e3o e oficiais de intelig\u00eancia cataris, turcos e estadunidenses ocorreram em Antakya, na prov\u00edncia [turca] de Hatay. Altos comandantes da oposi\u00e7\u00e3o, que vieram de Istambul, informaram previamente aos comandantes regionais sobre uma iminente escalada nos combates, devido a um acontecimento capaz de mudar o curso da guerra, que, por sua vez, levaria a um bombardeio estadunidense da S\u00edria. Nas reuni\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o em Antakya&#8230; os s\u00edrios foram informados de que o bombardeio come\u00e7aria em poucos dias. Os l\u00edderes da oposi\u00e7\u00e3o receberam ordens para preparar rapidamente as suas for\u00e7as, para explorar o bombardeio estadunidense, marchar rumo a Damasco e remover o governo de Bashar al-Assad. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p>Tais relatos s\u00e3o reveladores dos m\u00e9todos escusos e c\u00ednicos utilizados pelos representantes do poder anglo-americano e seus aliados de ocasi\u00e3o, para implementar a sua agenda hegem\u00f4nica. Mas, por outro lado, tamb\u00e9m denotam a extens\u00e3o das disputas intestinas que se travam naqueles altos c\u00edrculos olig\u00e1rquicos, j\u00e1 que nem todos parecem concordar com a estrat\u00e9gia \u00abfogo no circo\u00bb, que pode resultar em um conflito de vastas propor\u00e7\u00f5es, em especial, levando em conta outras poss\u00edveis frentes de confrontos, como o Ir\u00e3 e a Ucr\u00e2nia.<br \/>\n<!-- C\u00f3digo do Google para tag de remarketing --><br \/>\n<!--------------------------------------------------\nAs tags de remarketing n\u00e3o podem ser associadas a informa\u00e7\u00f5es pessoais de identifica\u00e7\u00e3o nem inseridas em p\u00e1ginas relacionadas a categorias de confidencialidade. 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