{"id":1010,"date":"2014-03-28T18:36:54","date_gmt":"2014-03-28T18:36:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=1010"},"modified":"2014-03-28T18:36:54","modified_gmt":"2014-03-28T18:36:54","slug":"governo-amarela-diante-de-risco-de-racionamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/governo-amarela-diante-de-risco-de-racionamento\/","title":{"rendered":"Governo \u00abamarela\u00bb diante do risco de racionamento"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Depois de meses subestimando os riscos reais de um racionamento de eletricidade, o governo federal se rendeu \u00e0s evid\u00eancias apontadas por numerosos especialistas e admitiu, na semana passada, que j\u00e1 est\u00e1 aceso o \u00absinal amarelo\u00bb para o setor el\u00e9trico. \u00abNo sinal amarelo, estou analisando e acompanhando a esta\u00e7\u00e3o chuvosa, pois todo mundo sabe que tivemos um m\u00eas de janeiro e fevereiro com baix\u00edssimas aflu\u00eancias [chuvas] para os nossos reservat\u00f3rios. Essa \u00e9 a realidade que ocorre no Brasil\u00bb, declarou o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, M\u00e1rcio Zimmermann, ap\u00f3s uma audi\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados (<i>Valor Econ\u00f4mico<\/i>, 20\/03\/2014). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">\u00c9 a primeira vez que uma autoridade governamental reconhece que o abastecimento de eletricidade poder\u00e1 ser comprometido, caso o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas do Sudeste e Centro-Oeste continue se reduzindo, devido \u00e0s chuvas reduzidas dos \u00faltimos meses. Al\u00e9m disto, em um m\u00eas, o discurso oficial passou do \u00abrisco zero\u00bb de racionamento (como assegurou o ministro de Minas e Energia, Edson Lob\u00e3o, em fevereiro) para o \u00absinal amarelo\u00bb de Zimmermann. No meio tempo, o Comit\u00ea de Monitoramento do Setor El\u00e9trico (CMSE) j\u00e1 admitira, entre fevereiro e mar\u00e7o, a eleva\u00e7\u00e3o do risco, de \u00abbaix\u00edssimo\u00bb para \u00abbaixo\u00bb. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Na ocasi\u00e3o, Zimmermann defendeu ainda o emprego das usinas termel\u00e9tricas, n\u00e3o como margem de seguran\u00e7a para a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, mas como parte da expans\u00e3o da pr\u00f3pria gera\u00e7\u00e3o de base da matriz brasileira. \u00abN\u00e3o se trata de t\u00e9rmicas de emerg\u00eancia, nem de t\u00e9rmicas de reserva. Foram t\u00e9rmicas que participaram de leil\u00e3o e venderam energia para as distribuidoras\u00bb, assegurou. Segundo o secret\u00e1rio, a \u00abtend\u00eancia\u00bb \u00e9 de que as usinas t\u00e9rmicas sigam funcionando at\u00e9 o final do ano, de modo a poupar as hidrel\u00e9tricas, que enfrentam dificuldades com a queda no n\u00edvel dos reservat\u00f3rios. As termel\u00e9tricas representam uma capacidade instalada de 20 mil MW. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>Racionalidade racionada na pol\u00edtica energ\u00e9tica<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Em artigo publicado na revista <em>Carta Capital<\/em> (17\/03\/2014), o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estrat\u00e9gico do Setor Energ\u00e9tico-Ilumina, Roberto Pereira D&#8217;Ara\u00fajo, defendeu que o \u00abverdadeiro racionamento brasileiro \u00e9 o da raz\u00e3o\u00bb, ao apontar que a pol\u00edtica energ\u00e9tica tornou-se um mist\u00e9rio, ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o do atual modelo \u00ablivremercadista\u00bb, em 1995. Segundo ele, \u00absintomas adversos, que num pa\u00eds s\u00e9rio estancariam qualquer pol\u00edtica, aqui n\u00e3o causam nem espanto\u00bb.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Um dos sintomas destacados \u00e9 o fato de que a tarifa m\u00e9dia brasileira est\u00e1 80% mais cara do que a praticada em 1995, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o, e que, ainda assim, \u00abn\u00e3o h\u00e1 diagn\u00f3stico sobre os motivos desse encarecimento e fica tudo por isso mesmo\u00bb. Al\u00e9m disto, o especialista apontou o que qualificou de \u00abind\u00edcios doentios\u00bb do nosso modelo de setor el\u00e9trico: no nosso mercado livre, que re\u00fane quase 30% da carga, \u00aba diferen\u00e7a entre pre\u00e7os m\u00e1ximo e m\u00ednimo verificados ultrapassa 6.000%! Ou seja, nesse mercado \u00e9 poss\u00edvel liquidar o MWh a R$ 12,00 ou a R$ 822,00. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 encontrada em nenhum outro mercado do planeta. O que essa constata\u00e7\u00e3o causa? Nada!\u00bb.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">D&#8217;Araujo criticou ainda os \u00abfundamentalistas de mercado\u00bb do governo, que, associados a interesses setoriais, se recusam a reconhecer a incompatibilidade f\u00edsica da modelagem adotada no Pa\u00eds para definir o pre\u00e7o da energia comercializada &#8211; modelo respons\u00e1vel pelo assombroso pre\u00e7o de R$ 822 por megawatt, que tem sido pago nestes meses de crise, que fatalmente ser\u00e1 custeado pelos consumidores. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong><em>O Globo<\/em>: fim de grandes reservat\u00f3rios foi \u00abtiro pela culatra\u00bb<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Em editorial publicado em 21 de mar\u00e7o (\u00abHidrel\u00e9tricas sem reservat\u00f3rios foram tiro pela culatra\u00bb), o jornal <em>O Globo<\/em> teceu cr\u00edticas bastante pertinentes \u00e0 decis\u00e3o dos governos das \u00faltimas d\u00e9cadas, de abolir os grandes reservat\u00f3rios nos projetos hidrel\u00e9tricos em constru\u00e7\u00e3o, apontando que tal medida err\u00f4nea tem contribu\u00eddo bastante para o crescente risco de racionamento que o Pa\u00eds est\u00e1 enfrentando. Observando que, no passado, a acumula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua permitia o planejamento da oferta de energia por at\u00e9 cinco anos \u00e0 frente, o editorial destacou a diminui\u00e7\u00e3o desta margem, na medida em que se optava pelas hidrel\u00e9tricas a \u00abfio d&#8217;\u00e1gua\u00bb, chegando ao estado atual, em que a capacidade m\u00e9dia de armazenamento dos reservat\u00f3rios n\u00e3o ultrapassa cinco meses de consumo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">O jornal criticou tal decis\u00e3o, ressaltando que o abandono dos grandes reservat\u00f3rios deu-se em raz\u00e3o de crit\u00e9rios de prote\u00e7\u00e3o ambiental &#8211; e que, no entanto, a alternativa tem sido a constru\u00e7\u00e3o de usinas t\u00e9rmicas, que s\u00e3o \u00abbem mais caras e com impacto muito mais poluente\u00bb. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">O texto admite:<\/span><\/p>\n<blockquote dir=\"ltr\"><p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A topografia muitas vezes ajuda a forma\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios e esse \u00e9 o caso dos v\u00e1rios existentes. Nas regi\u00f5es mais planas, reservat\u00f3rios podem ser menos profundos e se estender por vastas \u00e1reas, o que n\u00e3o se admite nos crit\u00e9rios de prote\u00e7\u00e3o ambiental. Esse foi o argumento que acabou prevalecendo no Brasil para se banir do cen\u00e1rio a constru\u00e7\u00e3o de novas hidrel\u00e9tricas com reservat\u00f3rios de acumula\u00e7\u00e3o. Mas, se o prop\u00f3sito foi proteger o ambiente, o tiro saiu pela culatra, pois a alternativa tem sido construir usinas t\u00e9rmicas, bem mais caras e com impacto muito mais poluente.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">N\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico que o jornal das Organiza\u00e7\u00f5es Globo tenha adotado tal posi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 manifestada em editoriais anteriores. Como \u00e9 de dom\u00ednio p\u00fablico, a fam\u00edlia Marinho tem sido uma das mais ativas promotoras do radicalismo ambientalista no Brasil. O presidente do jornal, Jos\u00e9 Roberto Marinho, integra h\u00e1 mais de dez anos a diretoria do WWF-Brasil, uma das mais poderosas ONGs ambientalistas que opera o Pa\u00eds, not\u00f3ria por suas campanhas contra grandes projetos de infraestrutura, inclusive as grandes hidrel\u00e9tricas. De qualquer maneira, n\u00e3o deixa de ser merit\u00f3ria a posi\u00e7\u00e3o do jornal em rela\u00e7\u00e3o ao assunto.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de meses subestimando os riscos reais de um racionamento de eletricidade, o governo federal se rendeu \u00e0s evid\u00eancias apontadas por numerosos especialistas e admitiu, na semana passada, que j\u00e1 est\u00e1 aceso o \u00absinal amarelo\u00bb para o setor el\u00e9trico. \u00abNo sinal amarelo, estou analisando e acompanhando a esta\u00e7\u00e3o chuvosa, pois todo mundo sabe que tivemos &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":1011,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-1010","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-infraestrutura-e-integracao-regional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1010\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}