Com pandemia, má-fé dos ambientalistas vai ao pico – Brasil na mira

A crise sanitária provocada pela pandemia de covid-19 está provocando uma intensa mobilização do aparato ambientalista-indigenista internacional, com prolíficos alarmes de novas enfermidades futuras, além das inevitáveis calamidades ambientais supostamente decorrentes do desenvolvimento humano. Com isto, estes círculos têm intensificado a promoção de sua insidiosa e misantrópica agenda antidesenvolvimentista e antiprogresso, cujo foco principal é a “descarbonização” da economia mundial. E, sem surpresa para os nossos leitores, o Brasil é um dos alvos primários da nova fase da investida, dirigida, em especial, contra a expansão da produção agropecuária do País, a pretexto da “proteção” dos biomas Amazônia e Cerrado contra o desmatamento.

Na realidade, toda essa mobilização deveria estar enfocada em um grande programa para eliminar na próxima década o problema ambiental número um do planeta: a enorme carência de saneamento básico, que se soma aos níveis inusitados de desigualdade social ensejados pela “globalização” financeira, como fatores que têm agravado sobremaneira os efeitos da pandemia. De fato, a humanidade está a requerer um “Plano Marshall sanitário”, que, este sim, poderia ser coordenado pela Organização das Nações Unidas, em vez do seu patético endosso à agenda ambientalista-indigenista dirigida pelos altos escalões do Establishment oligárquico internacional.

A mais recente salva de artilharia foi disparada pelo WWF (Fundo Mundial para a Natureza), um dos integrantes do “Estado-Maior” do aparato ambientalista-indigenista, que, desde o final da década de 1980, elegeu o Brasil como “vilão ambiental número um” do planeta (posição que passou a ser compartilhada com o presidente estadunidense Donald Trump, inimigo figadal das maquinações do aparato).

Em 17 de junho, em sua sede internacional de Gland, Suíça, o WWF lançou o seu mais recente relatório apocalíptico, intitulado “Covid-19: apelo urgente para proteger as pessoas e a natureza” (COVID 19: urgent call to protect people and nature), o qual inclui, entre os fatores ambientais responsáveis pela emergência de doenças zoonóticas, “as mudanças de uso da terra que levam ao desmatamento e à conversão, expansão da agricultura e intensificação insustentável e da produção animal”.

No boletim de imprensa divulgado pela ONG, o diretor-geral do WWF International, Marco Lambertini, afirma:

Nós devemos reconhecer urgentemente os vínculos entre a destruição da natureza e a saúde humana ou, em breve, veremos a próxima pandemia. Nós devemos coibir o comércio de alto risco e o consumo de animais selvagens, interromper o desmatamento e a conversão de terras (sic), bem como manejar a produção de alimentos sustentavelmente (sic). Todas essas ações ajudarão a evitar o salto de patógenos aos humanos e, também, a enfrentar outros riscos globais para a nossa sociedade, como a perda de biodiversidade e as mudanças climáticas (sic). Não há debate, e a ciência é clara; nós devemos trabalhar com a natureza, não contra ela. A exploração insustentável da natureza se tornou um enorme risco para todos nós.

O documento prossegue, com uma menção direta sobre o Brasil:

Entretanto, isoladamente, o enfrentamento do comércio de alto risco e do consumo de animais selvagens não será suficiente para evitar a próxima pandemia – o nosso insustentável sistema alimentício global está promovendo uma conversão em grande escala de espaços naturais para a agricultura, fragmentando ecossistemas naturais e aumentando as interações entre a vida selvagem, o gado e os humanos. Desde 1990, 178 milhões de hectares de florestas foram abatidos, equivalente ao tamanho da Líbia, o 18º maior país do mundo, e cerca de 10 milhões de hectares de florestas ainda são perdidos todos os anos, pela conversão para a agricultura e outros usos da terra.

Uma tragédia atual, também, está ocorrendo no Brasil, com um aumento na aceleração do desmatamento, devido aos cortes na fiscalização pelo governo federal, e isto depois que um aumento de 64% no desmatamento já havia sido registrado em abril, em comparação com o ano passado.

Igualmente, o boletim informa que o WWF está engajado em uma proposta denominada “Saúde Única” (One Health), a qual pretende considerar a “saúde de pessoas, animais e o nosso ambiente compartilhado” como critérios determinantes para “todas as decisões de negócios e financiamentos”.

Com uma sem-cerimônia a toda prova, Lambertini se apropria do New Deal, símbolo da reconstrução dos EUA de Franklin Roosevelt, na Grande Depressão da década de 1930, para promover a agenda misantrópica dos “verdes”:

Os líderes mundiais devem tomar medidas urgentes para transformar as nossas relações com o mundo natural. Nós precisamos de um New Deal para a Natureza e as Pessoas, que coloque a natureza no caminho da recuperação até 2030 e salvaguarde a saúde e os níveis de vida humanos, a longo prazo.

Possivelmente, Roosevelt deve estar rolando de indignação em sua tumba.

E a ONG favorita da aristocracia europeia está em boa companhia na campanha. O boletim de imprensa menciona que “numerosas advertências de cientistas e líderes de pensamento, como o Fórum Econômico Mundial (WEF), têm sido feitas sobre o risco de uma pandemia global”.

“A Grande Reinicialização” malthusiana

Ora, falando no WEF (mais conhecido como Fórum de Davos), que reúne a nata da elite “globalista” em seus convescotes anuais nos Alpes Suíços, ele acaba de divulgar a sua mais recente contribuição para o progresso da humanidade, “A Grande Reinicialização” (The Great Reset) do capitalismo, proposta lançada em 3 de junho pelo seu fundador e presidente-executivo, Klaus Schwab. Não se trata de um capitalismo sadio, mas da sua versão malthusiana que promove a inequidade social.

Uma leitura superficial da proposta pode induzir otimismo no leitor. Afinal, diz Schwab, as repercussões da pandemia de covid-19 mostra que “nós devemos construir bases inteiramente novas para os nossos sistemas econômicos e sociais”.

Ninguém poderia contestar tal afirmativa. O problema, como sempre, está nos detalhes, que demonstram que as elites “globalistas” representadas no WEF contam com a agenda ambientalista para perseguir as suas pautas exclusivistas. Schwab adverte: “Tudo isso [os impactos socioeconômicos da pandemia] irá exacerbar as crises climática e social que já estavam em marcha. Alguns países já têm usado a crise da covid-19 como desculpa para enfraquecer as proteções e a fiscalização ambientais.”

Soa familiar?

E as eventuais dúvidas se dissipam diante da importância conferida por Schwab à “sustentabilidade” como um dos pilares da “Grande Reinicialização”, aí incluídas “a retirada de subsídios aos combustíveis fósseis” e a inclusão do critério como requisito para investimentos. Em suas palavras melífluas, “isto significa, por exemplo, construir infraestrutura urbana ‘verde’ e criar incentivos para as indústrias melhorarem os seus registros em métricas ambientais, sociais e de governança (ESG – sigla em inglês)”.

A “Grande Reinicialização” será o tema de um evento paralelo à próxima reunião do Fórum de Davos, em janeiro de 2021, anunciado em videoconferência por Schwab e ninguém menos que Sua Alteza Real Charles, príncipe de Gales e herdeiro do trono do Reino Unido, cuja família tem estreitos laços com o aparato ambientalista-indigenista internacional (em especial, com o WWF), além do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva. O quarteto denota a importância atribuída ao tema pelos altos círculos do Establishment “globalista”.

“Nós só temos um planeta e sabemos que as mudanças climáticas poderão ser o próximo desastre global, com consequências ainda mais dramáticas para a humanidade. Nós temos que descarbonizar a economia, na curta janela ainda remanescente [referência a 2030, ano limite eleito pelos alarmistas climáticos para a adoção de uma draconiana agenda de reduções de usos dos combustíveis fósseis – n.e.] e colocar, uma vez mais, os nossos pensamentos e comportamentos em harmonia com a natureza” –  disse Schwab (WEF, 03/06/2020).

“Para assegurar o nosso futuro e prosperar, nós precisamos evoluir o nosso modelo econômico e colocar as pessoas e o planeta no coração da criação de valores globais. Se há uma lição crítica a ser aprendida dessa crise, é que precisamos colocar a natureza no coração de como operamos. Nós, simplesmente, não podemos perder mais tempo” – instou Sua Alteza Real.

“A Grande Reinicialização é um bem-vindo reconhecimento de que essa tragédia humana deve ser um chamado de alerta. Nós devemos construir economias e sociedades mais iguais, inclusivas e sustentáveis, que sejam mais resilientes diante de epidemias, mudanças climáticas e os muitos outros desafios globais que enfrentamos” – completou Guterres.

Como se percebe, as disputas em torno da reconstrução da economia mundial pós-pandemia serão acirradas em um nível possivelmente inusitado, pois o que está em jogo é toda a ordem hegemônica centrada na “globalização” financeira e corporativa, promovida por aqueles altos círculos oligárquicos. Mais do que nunca, os brasileiros precisarão estar preparados para duros enfrentamentos.

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