Brasil à espera do seu “Oxi!”

Oxi-EPA

O título dado por Luiz Fernando Veríssimo ao seu artigo de hoje no Globo diz tudo: “‘Oxi’ neles!” http://oglobo.globo.com/opiniao/oxi-neles-16691403

Como se sabe, a referência é à palavra grega para “não”, que se tornou o símbolo da rebeldia helênica contra a ditadura financeira imposta ao país pela famigerada Troika constituída pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia, em seu papel de guardiões do rentismo que tem escravizado nações de todo o mundo, para assegurar a preservação do cassino em que se transformou o sistema financeiro internacional.

Como observa Veríssimo, a vitória esmagadora do “Oxi” no referendo do último domingo foi de um simbolismo histórico. Os gregos, diz ele, foram os primeiros a desafiar oficialmente a ditadura da Austeridade, que tem martirizado “populações inteiras sem mostrar nenhum resultado, a não ser aumentar o poder dos credores” – leiam-se rentistas. “Tudo em nome de uma ‘responsabilidade’ fiscal amora, que ignora o custo humano do arrocho.”

Na Grécia, o premier Alexis Tsipras já afirmou que a única solução viável para a crise da dívida do país é uma redução de 30% no seu montante e um prazo de carência de pelo menos 20 anos. Em um discurso no Parlamento Europeu, na quarta-feira 8, Tsipras refrescou a memória coletiva dos europeus, lembrando que o mesmo tratamento foi aplicado no pós-guerra, quando, em 1953, a dívida da Alemanha foi reduzida em 50% e o país recebeu mais 30 anos para pagá-la.

No Brasil, apesar de a palavra ser um anátema para os rentistas e seus apoiadores midiáticos, é evidente que o País não poderá dispensar uma reestruturação da sua dívida pública, em um futuro bem próximo, se as lideranças nacionais quiserem evitar um caos social de consequências imprevisíveis. Nenhuma sociedade civilizada pode admitir que quase metade do orçamento do governo federal seja capturado para o pagamento dos títulos da dívida pública. Com a economia mergulhada na recessão, a inflação e o desemprego em alta, a indústria encolhendo e o Banco Central insistindo em enviar os juros para a estratosfera, essa é uma receita garantida para o desastre.

Como concluiu, com ironia, o grande Veríssimo:

O Brasil de Joaquim Levy adotou a sangria como tratamento. Sem consultar o paciente, a não ser que se considere a eleição da Dilma para seu segundo mandato como uma espécie de plebiscito. Neste caso, o resultado da consulta não foi respeitado. A maioria disse “oxi”, a Dilma ouviu “sim”. E chamou o Levy.

Ainda está em tempo para se mudar de rumo. Mas ele é curto.

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