Ambientalistas acordam para os problemas ambientais (reais) das grandes cidades

As grandes cidades têm graves e urgentes problemas ambientais que necessitam de atenções e ações imediatas. A conclusão óbvia parece ter ocorrido a alguns dos principais nomes do ambientalismo nacional, durante encontro da Rede Global de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, realizado Rio de Janeiro (RJ), em 24 de outubro. Na ocasião, personalidades como Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e um dos mais ferrenhos promotores do catastrofismo climático no País, reconheceram os grandes desafios colocados às grandes cidades brasileiras, incluindo a gestão dos recursos hídricos e o preparo contra desastres naturais.

O encontro marcou a segunda edição do “Rio Sustainability Workshop” e incluiu debates sobre o futuro de cidades como o Rio, Nova York, Estocolmo, Bangalore e Acra, em busca de soluções para os problemas ambientais nos meios urbanos. No evento, Nobre, que também é membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, destacou que o maior desafio do país na área de “sustentabilidade” envolve a adequação das grandes cidades, ampliando a sua capacidade de resistir aos desastres futuros.

No evento, o professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Gusmão, destacou a necessidade de investimentos estruturantes, como os pólos industriais de Itaguaí e Itaboraí, na região metropolitana do Rio. Ele destacou ainda que estas áreas têm menos de 10 metros de altitude em relação ao nível do mar, sujeitando-as a inundações, com chuvas fortes ou a elevação do nível dos mares.

Gusmão afirmou ainda que as cidades da região metropolitana do Rio são as mais díspares no que se refere à coleta de dados. Para o especialista, tais municípios sofrem com uma crônica carência de funcionários especializados lotados permanentemente nos seus postos, de modo a dar continuidade às políticas públicas em execução na área ambiental: “A municipalidade precisa de equipes permanentes, e não de profissionais de passagem (Agência Brasil, 25/10/2013).”

Outro membro do IPCC, o engenheiro florestal Fábio Scarano, afirmou que a região metropolitana fluminense está bem posicionada quanto à biodiversidade, com média de 16% já sendo protegido por reservas ambientais, sendo que a meta global é atingir 17% de áreas protegidas até 2020. Por outro lado, destacou, o principal rio fornecedor de água doce para a capital, o Guandu (responsável por cerca de 80% do abastecimento da cidade), necessita de 300 toneladas diárias de produtos químicos para ser tratado, devido à falta de saneamento básico nas cidades por onde passa e à falta de arborização das margens.

A questão do rio Guandu é especialmente complexa, pois o rio já recebe as águas contaminadas desde o rio Paraíba do Sul, que, por sua vez, recebe esgoto não tratado de municípios do estado de São Paulo. Por isso, Scarano acredita que uma solução definitiva para o problema passa por uma articulação com os governos estadual e municipais paulistas.

Ao deixar um pouco de lado o alarmismo climático, os especialistas reunidos no encontro demonstraram uma atenção pouco comum quanto aos reais problemas ambientais das grandes cidades brasileiras. Resta saber se esta consciência das questões abordadas resultará em ações concretas para enfrentar a sério os desafios, com o mesmo afinco com que se aplicam ao inexistente aquecimento global causado pelas atividades humanas.

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