| “Nestes 8% de áreas cultivadas, está toda a cana-de-açúcar, toda o reflorestamento, os grãos, a citricultura, enfim, tudo o que plantamos. Essa agricultura deste tamanho, que preocupa o mundo e que faz um monte de coisa utiliza somente 8% do território brasileiro, imaginem se utilizasse 20%, o que também não seria nada, comparando com outros países, imaginem o tamanho que poderia ser esse setor”, disse Miranda.
“Esses dados estão sendo apresentados pelo ministro (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) Blairo Maggi, nos eventos que ele vai no exterior como o ‘Green Card’ da agricultura brasileira. Quando se vai discutir sobre agricultura e preservação ambiental em outros países, questionamos como está a situação daquela nação em relação a esses aspectos. Eles têm os dados é só apresentarem para compararmos”, desafiou.
Igualmente, Miranda observou que os produtores rurais brasileiros trabalham com base em uma das mais rigorosas e restritivas leis ambientais do mundo, citando como exemplo as margens de rios, que na legislação brasileira são definidas como áreas de proteção permanente (APPs), onde é proibido o cultivo.
“Esse é um trabalho que a Embrapa fez quando ainda estava se discutindo o Código Florestal. Em El Salvador, as áreas de margens de rios são totalmente ocupadas por pequenos e grandes produtores. Na Costa Rica, tudo é ocupado com culturas e banana. No México, nas margens do rio Papaloapan, as áreas são totalmente cultivadas. São depósitos aluviais. O lado do rio é o melhor lugar que tem para plantar. A civilização se desenvolveu cultivando ao lado dos rios. Assim é no Chile, na Argentina, na China, no Senegal e nos países desenvolvidos também, como ao longo do rio Ródano, na França; no rio Reno, na Alemanha; o Vale do Pó, na Itália; o rio Guadalquivir, na Espanha; o Tejo, em Portugal; o Danúbio, na Áustria e o baixo Reno, na Holanda, entre outros. Já o Brasil preserva, e por lei obrigatória, se tem de preservar as margens do rio. Não estou falando contra ou defendendo a legislação brasileira, só estou mostrando como é a lei brasileira e a comparação com outros países”, ressaltou.
De acordo com Miranda, a necessidade de recomposição muitas áreas, imposta pelo novo Código Florestal, fará com que dos 8% do território atualmente utilizados para a agricultura, entre 35 milhões de hectares e 95 milhões de hectares serão destinados à recomposição da vegetação, como APPs e áreas de reserva legal (RL).
Seria interessante que os ambientalistas, que geralmente se mostram tão preocupados com a “proteção” ambiental no País, prestassem mais atenção a esses números. Na Europa, por exemplo, de onde vem boa parte dos recursos financeiros para as ONGs ambientalistas que aqui operam, apenas 0,6% da vegetação original está preservada, proporção cem vezes menor que a observada no Brasil (talvez, por isso mesmo, não tenham dado a devida atenção). |