2025: a expansão dos BRICS

Desde 1º de janeiro, nove países – Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Indonésia, Cazaquistão, Malásia, Tailândia, Uganda e Usbequistão – se tornaram parceiros do grupo BRICS. Este é o passo que antecede a filiação plena. Quatro outros países – Argélia, Nigéria, Vietnã e Turquia – foram convidados a fazer o mesmo.

A condição de parceiro inclui a participação em acordos econômicos e de cooperação em projetos específicos de interesse comum e também a possibilidade de ser convidado para as cúpulas, mas sem direito a voto.

Os novos parceiros se juntam aos cinco países fundadores – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e aos outros quatro que são membros plenos desde 2024, Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos. Enquanto escrevemos, a Indonésia deixou de ser parceira e se tornou membro pleno.

Este ano, a presidência rotativa do grupo está nas mãos do Brasil, que tem como prioridade trabalhar na criação de novos sistemas de pagamentos e regulamentações internacionais. Os BRICS já trabalham há algum tempo em um sistema alternativo ao conhecido sistema SWIFT, para continuar operando no caso de sanções impostas pelos EUA e outros países ocidentais. Não se trata de abandonar ou desafiar completamente o sistema do dólar, mas de garantir a possibilidade de se envolver em transações financeiras e comerciais internacionais, caso alguém seja excluído do sistema dominante.

A presidência brasileira também pressionará por um papel maior e mais incisivo para o Sul Global na governança global. Foram estabelecidas cinco prioridades: promover o comércio por meio de uma nova plataforma de pagamentos; regular a Inteligência Artificial; abordar as mudanças climáticas; fortalecer a colaboração em saúde; e promover o desenvolvimento institucional interno no BRICS.

O Brasil acaba de concluir a sua presidência do G-20, durante a qual deu grande ênfase à superação da pobreza e ao desenvolvimento, temas que, obviamente, pretende continuar a promover na presidência do BRICS. A cúpula de 2025 está marcada para julho próximo.

Com a inclusão dos novos parceiros, os BRICS representam 41,4% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial calculado em paridade de poder de compra (PPC), 37% do comércio mundial e 40% da produção mundial de petróleo. O grupo representa aproximadamente 4 bilhões de habitantes, ou seja, quase a metade da população do planeta, em um território de 40 milhões de quilômetros quadrados. A Indonésia, o membro mais novo, é a quarta nação mais populosa do mundo, depois da China, Índia e Estados Unidos.

Para comparação, o G-7 representa hoje apenas 29,08% do PIB PPC mundial, uma forte queda em relação aos 52% registrados em 1990.

Em outubro de 2024, a China era responsável por 19% do PIB PPC global, bem acima dos 15% dos EUA. No setor industrial, a lacuna é ainda mais acentuada: a China detém 35% da produção industrial global, quase três vezes a dos EUA. De fato, do PIB estadunidense, apenas 10% são representados pela indústria, enquanto 21% ficam por conta das finanças, seguros e imóveis, o chamado setor FIRE, e 18% vêm dos serviços de saúde.

Vale lembrar que os membros e parceiros do BRICS são líderes mundiais na produção de matérias-primas essenciais, como cereais, carne, petróleo bruto, gás natural e minerais estratégicos, como ferro, cobre e níquel, e as chamadas terras raras. A China está liderando a transição global para energia renovável, construindo o dobro da capacidade de energia solar e eólica do resto do mundo combinado.

Esses dados demonstram que os BRICS se tornaram uma das organizações manufatureiras mais importantes do planeta. Estamos convencidos, sem medo de errar, que se esses países forem capazes de se coordenar e agir juntos, poderão realmente contribuir para mudar o mundo.

Além de certas declarações de propaganda sobre tarifas e “declarações de guerra” contra aqueles que não quiserem mais usar o dólar, a presidência de Donald Trump não pode deixar de ser pragmática e reconhecer a realidade que acabamos de descrever, que acreditamos ser objetiva. Provavelmente, ficaremos surpresos com suas decisões e políticas.

O problema preocupante para nós é a observação de uma Europa desorganizada, confusa e impotente no cenário internacional.

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