Universalização do saneamento produziria ganhos de R$ 537 bilhões em 20 anos

O incansável Instituto Trata Brasil (ITB) prossegue em sua campanha permanente em prol do saneamento básico no País. Agora, demonstrando que os ganhos com a expansão dos serviços de água e esgoto são maiores que os custos incorridos – ou seja, que não meras despesas, mas investimentos rentáveis.

As conclusões são de um estudo intitulado Benefícios Econômicos e Sociais da Expansão do Saneamento Brasileiro, realizado em parceria com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), mostra que a expansão dos serviços de água e esgotos no país traz muito mais do que apenas qualidade de vida. Os investimentos feitos e o maior acesso das pessoas trazem ganhos econômicos e sociais concretos, especialmente nos setores da saúde, educação, produtividade, turismo e valorização imobiliária.

Pelos dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – ano base 2015), o país ainda tinha 34 milhões de brasileiros sem acesso à água, mais de 100 milhões de pessoas sem coleta dos esgotos e somente 42% dos esgotos eram tratados. Considerando o custo médio nacional para se levar água e esgotos às moradias, o estudo estimou que serão necessários R$ 317 bilhões em 20 anos – a valores presentes a preços de 2014 – para que todos os brasileiros tenham acesso aos serviços de água e esgoto, ou seja, precisaríamos de um investimento anual mínimo de R$ 16 bilhões. Em duas décadas, já descontando os custos da universalização, os ganhos econômicos e sociais trazidos pela expansão dos serviços em suas diversas áreas alcançariam R$ 537,4 bilhões. Isso significa que a universalização do saneamento traria ganhos expressivos para a sociedade brasileira, muito superiores aos custos da universalização.

O estudo mostra ainda que esse balanço deve ser crescente, passando de R$ 10,0 bilhões em 2015 para R$ 37,632 bilhões em 2035 – a valores presentes de 2014. Os cálculos permitem concluir que, na média do período que vai de 2015 a 2035, a cada R$ 1.000,00 que se investe na expansão da infraestrutura de saneamento, a sociedade brasileira obtém R$ 1.700,00 de retorno social no longo prazo.

Esta é uma conta que as autoridades e a sociedade em geral precisam aprender urgentemente a fazer.

De acordo com o estudo, as receitas geradas pelos investimentos diretos no setor (ampliação das redes, construção de estações de tratamento etc.) seriam de R$ 443,1 bilhões, com outros R$ 257,9 bilhões por conta do aumento de operação das empresas responsáveis pelo saneamento (contratação de mais empregados, compra de produtos químicos etc.).

Ademais, com a universalização do saneamento, até 2035, haveria uma redução de 1,1 milhão no número anual de trabalhadores afastados do trabalho por motivos de saúde e uma redução das despesas com internações por infecções gastrointestinais na rede hospitalar do SUS. Em 20 anos, considerando o avanço gradativo do saneamento, a economia na área de saúde chegaria a R$ 7,3 bilhões.

Segundo o economista Fernando Garcia, consultor do ITB, “conseguimos mostrar estatisticamente que os trabalhadores que moram em casas sem acesso a água e esgoto têm uma menor produtividade no trabalho, pois se afastam mais por questões de saúde. Com esses afastamentos, acabam sendo demitidos e conseguindo um emprego pior”.

O estudo também considerou os efeitos sobre o mercado imobiliário, que resultaria em uma valorização média de 12,8% para os imóveis residenciais.

Igualmente, Garcia destaca o impacto no setor de turismo, devido à poluição das áreas de praias: “O setor vai afastando cada vez mais a estrutura turística da poluição. Então, o que acontece é que hotéis vão sendo afastados dessas praias e dos centros das cidades. Isso aconteceu no Rio, no litoral de São Paulo e em capitais do Nordeste, como Salvador e Recife.”

O estudo estima um ganho de R$ 24,5 bilhões com a valorização ambiental derivada do acesso ao saneamento básico. Segundo Garcia, isso significa uma renda maior para os trabalhadores do setor de turismo, lucros para as empresas e impostos para os governos (G1, 12/04/2017).

O estudo completo encontra-se disponível no sítio do ITB, assim como um boletim de imprensa a respeito.

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