Sociedades científicas protestam contra loteamento político da CNEN e Nuclep

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgaram uma nota de protesto contra a exoneração do presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), Renato Machado Cotta, por ter resistido às pressões para o loteamento político das duas entidades, pretendido pelo governo federal.

Cotta, demitido na sexta-feira 17 de março, baseou sua oposição no Decreto 8.945/2017, que regulamenta a Lei das Estatais e veda a nomeação para cargos de diretoria de pessoas que tenham participado recentemente de atividades político-partidárias.

No documento as entidades ressaltam que a exoneração do engenheiro Cotta representa “um equívoco administrativo no âmbito da CNEN e um prejuízo técnico-científico para o País. A exoneração de um funcionário exemplar, que simplesmente optou por não descumprir a lei, é assim inaceitável. É urgente que seja revista a medida intempestiva tomada pelo Governo Federal”.

A ABC e a SBPC enfatizam ainda que cargos que exigem competência técnica e científica, não podem, em nenhuma situação, em qualquer setor ou órgão da gestão pública, em todos os níveis, estar subordinados a interesses restritos da agenda política (Jornal da Ciência, 22/03/2017).

Na véspera da demissão de Cotta, a Folha de S. Paulo (16/03/2017) revelou que o governo pretendia usar os cargos na diretoria da Nuclep como moeda de troca por apoio à reforma da Previdência no Congresso. Os indicados seriam ligados aos deputados federais Celso Pansera (PMDB-RJ), Aureo (SD-RJ) e Alexandre Valle (PR-RJ). Valle teria indicado Saulo Faria, seu ex-companheiro de chapa na disputa frustrada pela prefeitura de Itaguaí, onde se situa a Nuclep, e dono de automóveis e uma sala alugada ao deputado. Luciana Camargo da Silva, cabo eleitoral autointitulada “Panserete” nas redes sociais, foi indicada por Pansera para a diretoria administrativa-financeira. E Luiz Renato Almeida, indicado por Aureo para a diretoria comercial, também recebeu o endosso do deputado para a gerência do Ministério do Trabalho em Duque de Caxias (RJ).

Salvo por interesses decididamente político-partidários, é difícil enxergar nas indicações as qualificações necessárias para a direção de uma empresa de importância estratégica para o País, responsável pela fabricação de equipamentos para a construção do submarino nuclear da Marinha e da usina de Angra 3.

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