Síria: avanços decisivos permitem antever fim da guerra

Nas últimas semanas, as Forças Armadas da Síria e seus aliados têm conquistado importantes triunfos contra os invasores jihadistas que infernizam o país desde 2011, permitindo um vislumbre de que o fim do conflito pode ser contado em meses, em vez de anos.

Neste momento, as forças sírias, apoiadas pela aviação e forças especiais russas e unidades iranianas e do Hizbollah libanês, avançam contra as forças do Estado Islâmico (EI) que cercam há mais de três anos a cidade de Deir ez-Zor, no leste do país, depois de deixar dois bolsões isolados de tropas do “Califado”, a leste de Hama (tracejados no mapa, onde a área vermelha é ocupada pelas forças aliadas e a marrom, pelo EI).

Fonte: Moon of Alabama.

“Forças do governo sírio, apoiadas pelas Forças Aeroespaciais Russas, estão avançando rapidamente em três direções, rumo a Deir ez-Zor. O embasamento ao redor da cidade é a última praça forte dos terroristas em solo sírio”, disse em Moscou o general Sergei Rudskoy, porta-voz do Estado-Maior russo (RT, 21/08/2017).

Segundo ele, por entender a importância do sítio, o EI está concentrando forças no local, vindas tanto de Raqqa como de Mosul, Iraque, para reforçar a sua linha de resistência em Deir ez-Zor.

Porém, a cada vez mais eficiente coordenação entre as forças aliadas, somada à igualmente crescente eficiência do Exército sírio, têm cobrado um alto preço aos invasores jihadistas.

Na segunda-feira 21 de agosto, uma grande coluna de reforços do EI a caminho de Deir ez-Zor foi aniquilada por aviões russos, que destruíram mais de 20 veículos e mataram mais de 200 terroristas (Sputniknews, 21/08/2017).

Em agosto, até agora, a aviação russa foi responsável pela destruição de 40 veículos blindados, 106 caminhonetes armadas (a marca registrada do EI) e a eliminação de cerca de 800 terroristas.

Na noite de 12 de agosto, com o apoio de helicópteros de transporte e de ataque russos, uma força de comandos sírios desembarcou 20 quilômetros atrás das linhas do EI, para libertar a localidade de al-Hadar, operação considerada crucial para proteger o flanco do avanço para Deir ez-Zor (Sputniknews, 14/08/2017).

A operação, que recebeu numerosos elogios de comentaristas militares estrangeiros, demonstrou o elevado nível de adestramento das forças sírias, que até há pouco não tinham condições para efetuar operações do gênero.

Em entrevista à Sputniknews (21/08/2017), o analista político russo Stanislav Tarasov, especialista em assuntos do Oriente Médio, os dias do EI na Síria estão contados:

A tática de combate aos terroristas sírios está mudando. A ofensiva continua em Raqqa. Antes, os terroristas podiam se retirar da cidade sitiada via corredores especiais, rumo a Deir ez-Zor. As suas tentativas recentes de converter [as posições em torno de] Deir ez-Zor numa fortaleza inexpugnável estão condenadas ao fracasso. Isto porque o Exército Sírio, apoiado pelas Forças Aeroespaciais Russas, tomou a iniciativa no campo de batalha.

Os terroristas estão agonizando. A sua derrota é uma questão de alguns meses mais. Anteriormente, por exemplo, os EUA previam que a luta contra o Daesh [sigla em árabe do EI] podia levar anos. Agora, podemos ver que a fase militar [do conflito] está dando vez à fase de acordos políticos e diplomáticos. As forças que definirão o futuro da Síria. (…)

Com o levantamento do cerco a Deir ez-Zor, as forças aliadas poderão concentrar-se na ofensiva final contra Raqqa, onde, mesmo com o apoio aéreo da coalizão liderada pelos EUA (que já foram responsáveis pela morte de dezenas de civis), as forças curdas que sitiam há três meses a “capital” do EI na Síria ainda não conseguiram tomar a cidade.

A expulsão dos jihadistas da sede síria do seu “Califado”, que também é uma questão de tempo, deixará apenas algumas pequenas áreas remanescentes controladas por grupos isolados, que tendem a retirar-se ou negociar com o governo de Damasco.

A retomada do controle pelo governo de vastas áreas do país anteriormente dominadas pelos invasores, além da perspectiva de um fim próximo do conflito, estão fazendo com que um número estimado em mais de 600 mil pessoas já tenha retornado ao país, entre janeiro e junho deste ano, a maioria delas para a região de Aleppo (Al Masdar News, 14/08/2017).

Como dizem os árabes, “Insh’Allah!” – Que Deus o permita!

 

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