Rússia propõe “BRICS Plus”

A Rússia quer reforçar o grupo BRICS, para aumentar o seu peso político no cenário global. Para tanto, sugere agregar outros países sem que eles sejam efetivados como membros, pelo menos inicialmente, formando uma espécie de “BRICS Plus”. Segundo o correspondente europeu do Valor Econômico (17/02/2017), Assis Moreira, os três países que poderiam ser inicialmente convidados para os encontros do grupo seriam a Argentina, Indonésia e Malásia.

A proposta foi transmitida pelo chanceler Sergei Lavrov ao seu colega brasileiro, José Serra, durante a recente reunião dos chanceleres do G-20, em Bonn, Alemanha. O governo brasileiro quer conhecer mais detalhes antes de se pronunciar a respeito.

Já de acordo com o sítio Comex do Brasil (20/02/2017), a Rússia não teria mencionado quaisquer nomes de países a serem convidados, apesar de os citados por Moreira fazerem sentido, pelo peso geopolítico e econômico.

Na conversa, Lavrov transmitiu a Serra o convite do presidente Vladimir Putin para que o presidente Michel Temer visite Moscou, ainda no primeiro semestre. O convite foi aceito e a data da viagem deverá ser anunciada nas próximas semanas. Na pauta do encontro, estará o desejo de ambas as partes de reativar o comércio bilateral, que vem registrando quedas sucessivas nos últimos três anos, atingindo apenas 4,3 bilhões de dólares em 2016, depois de um pico de 7,1 bilhões, em 2011.

A próxima cúpula dos BRICS será realizada em setembro, em Xiamen, China. O governo chinês acaba de divulgar a pauta do encontro, que terá quatro prioridades: aprofundar a cooperação, fortalecer a governança global, realizar intercâmbios entre pessoas e realizar melhoras institucionais e construir parcerias mais amplas.

A proposta de um “BRICS Plus” é das mais interessantes, em face das turbulências globais. Se for realmente concretizada e no caso de os países acima citados serem efetivamente convidados a unir esforços ao grupo, a presença da Indonésia e da Malásia implicarão na agregação da quarta maior população do mundo (e maior país islâmico) e de uma das economias mais dinâmicas do Sudeste Asiático. Por outro lado, a participação da Argentina poderá catalisar a consolidação do eixo Brasília-Buenos Aires como dínamo energizador da integração sul-americana – combalida, mas imprescindível. Esperemos que a proposta avance, com o necessário apoio brasileiro.

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