Precisa-se de R$ 1 trilhão para transportes e logística

Mais um estudo sobre a grave situação do déficit de infraestrutura de transporte e logística do País acaba de ser publicado. Trata-se do Plano de Transporte e Logística 2014, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), que enumera 2.045 projetos prioritários de infraestrutura de transportes, tanto na de passageiros como de cargas. Juntos, somam investimentos de R$ 987 bilhões e têm o objetivo de ampliar a competitividade dos setores produtivos brasileiros, reduzir os custos logísticos e ensejar um melhor desempenho no transporte de pessoas e bens – e, desta forma, alavancar o desenvolvimento do país.

O plano foi dividido entre projetos urbanos (centrados no transporte público) e na integração nacional, com o estabelecimento de nove eixos multimodais estruturantes. As propostas incluem a modernização e duplicação de rodovias, construção e ampliação de aeroportos, dragagem de portos, expansão de hidrovias, implantação de 23,8 mil quilômetros de ferrovias e adequações de terminais de cargas e de passageiros, entre outras intervenções.

O relatório afirma que 89,9% das rodovias federais pavimentadas são de pista simples e mão dupla. Somente no eixo Norte-Sul, que integra as cidades de Belém (PA) a Uruguaiana (RS), foram estimados investimentos de mais de R$ 27 bilhões na duplicação de 2.922 quilômetros de rodovias. O estudo também aponta a importância dos terminais multimodais, que funcionam como elo de integração de diversos tipos de transporte, transferindo cargas de um modal a outro.

Segundo o relatório, “uma significativa parcela da infraestrutura de transporte, em todas as modalidades, encontra-se obsoleta, inadequada ou ainda por construir. Algumas delas operam no limite ou mesmo acima da sua capacidade, enquanto outras carecem de manutenção”. A CNT destaca que esse déficit de infraestrutura é um entrave ao crescimento do país e gera reflexos negativos, como maiores custos operacionais, maior tempo das viagens e aumento do número de acidentes (Marketing CNT, 22/08/2014).

Os projetos urbanos incluem 18 regiões metropolitanas, visando oferecer soluções à crescente demanda de transporte da população nas diversas atividades cotidianas. Dentre as propostas, destacam-se: a implantação de corredores BRT (Bus Rapid Transit); construção de metrôs, monotrilhos e VLTs (veículo leve sobre trilhos); trens urbanos; e a adequação de terminais de passageiros.

Para a CNT, a iniciativa privada também pode colaborar para impulsionar a implementação dos projetos de transportes e logística. A entidade conclui que “a retomada dos investimentos públicos em infraestruturas de transporte, em anos recentes, apesar de assinalável, não tem sido suficiente para ajustar a oferta de transporte às demandas existentes e previstas”. A entidade observa, no entanto, que a execução dos investimentos tem estado abaixo dos valores previstos e autorizados.

O diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, destaca o que incontáveis lideranças empresariais e especialistas têm repetido ad nauseam, nos últimos anos: a infraestrutura existente está longe de atender as necessidades do País. Segundo ele, “não temos quantitativo nem qualitativo. Grande parte da infraestrutura está obsoleta e, mais grave ainda, está saturada, não atende mais à demanda”. O desafio, diz, não será superado sem a determinação do poder público, em articulação da iniciativa privada: “O número de projetos e o valor de investimentos não vão diminuir, uma vez que as demandas por transportes tendem a crescer. A retomada do crescimento só é possível com investimento em logística e transporte. Esse é um problema nacional, não é só do setor transportador (Agência Brasil, 22/08/2014).”

Esperemos que, no próximo governo, seja quem estiver à sua frente, as lideranças nacionais consigam agregar a “massa crítica” necessária para pressionar os ocupantes da Praça dos Três Poderes, de modo a viabilizar a necessária sinergia entre o setor público e o privado, sem a qual nenhum plano de envergadura poderá ser implementado (principalmente, se o novo governo se deixar influenciar em demasia pelo poderoso lobby ambientalista-indigenista).

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