“Máfia Verde” celebra semanas de triunfos

De um lado, um governo débil, batendo recordes de impopularidade e focado apenas na sua própria sobrevivência. Do outro, uma rede de ativistas plenamente mobilizada e, à maneira dos predadores, farejando o temor e a disposição oficial de submeter-se a quaisquer imposições, para não “fazer marola”, como se observa com as repetidas concessões aos mercados financeiros. O resultado só poderia ser a maiúscula sequência de triunfos obtida nas últimas duas semanas de setembro pelo aparato ambientalista-indigenista.

O mais retumbante foi, sem dúvida, a decisão do governo do presidente Michel Temer de revogar o decreto que extinguia a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), um mês após tê-lo sancionado. Na terça-feira 26 de setembro, o Diário Oficial da União publicou a capitulação presidencial à feroz campanha encabeçada pelo WWF-Brasil e pela ex-modelo Gisele Bündchen, aos quais o presidente fez questão de dar satisfações diretas, quando da publicação do decreto (Alerta Científico e Ambiental, 24/08/2017 e 31/08/2017).

A Renca é uma área de 47 mil quilômetros quadrados, situada entre o Pará e o Amapá, criada em 1984, com a finalidade de preservar para a então Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), atual Serviço Geológico do Brasil, os recursos minerais eventualmente ali encontrados. Como nenhum trabalho de pesquisa geológica foi feito durante todo esse período, cerca de 70% da área acabaram sendo divididos entre unidades de conservação e terras indígenas e, no restante, operam apenas garimpeiros ilegais. Não obstante, fiel à sua linha operativa da “intocabilidade” da Amazônia, o aparato ambientalista-indigenista deflagrou uma histérica campanha contrária à abertura da área à exploração mineral por empresas privadas, que era a intenção do governo.

Previsivelmente, o aparato celebrou em grande estilo.

“Vitória! Após pressão, Temer revoga decreto que extingue a Renca”, trombeteou o Greenpeace. “O cancelamento do decreto demonstra que, por pior que seja, não há governante absolutamente imune à pressão pública. É uma vitória da sociedade sobre aqueles que querem destruir e vender nossa floresta”, completou o coordenador de Políticas Públicas da ONG, Marcio Astrini (Greenpeace, 25/09/2017).

“Uma vitória para a Amazônia, uma vitória para o planeta, uma vitória para todos nós”, saudou Gisele Bündchen, no Instagram (Ambiente Inteiro, 28/09/2017).

“O Brasil e o mundo manifestaram-se contra o governo. Ativistas, artistas, estudiosos, gente comum. Todos contra a Renca” – disparou o WWF-Brasil (26/09/2017).

Com a jactância peculiar aos operativos do aparato, o diretor-executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, sentenciou:

Demorou para o governo entender que não poderá tomar decisões que envolvam a Amazônia, as áreas protegidas ou as populações tradicionais e indígenas sem negociar isso muito bem com a sociedade. Espero que o alerta sirva para acordar o governo. Nós estaremos aqui para lembrar, se for preciso.

Por “sociedade”, entenda-se o aparato ambientalista-indigenista.

Outra vitória do aparato foi, sem dúvida, o prolongamento do impasse sobre o projeto da linha de transmissão Manaus-Boa Vista, mais conhecida como Linhão de Tucuruí, que se arrasta há quatro anos, por conta da travessia da Terra Indígena Waimiri-Atroari. Em entrevista à Folha de Boa Vista (28/09/2017), o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), general Franklimberg Ribeiro, que se reuniu recentemente com lideranças da etnia, disse sem rodeios que o órgão irá apoiar a decisão dos indígenas, caso estes decidam contra a passagem da linha por suas terras.

“A Funai faz o intermédio do governo federal com a população indígena para proteger os índios, mas se eles não querem a passagem do Linhão, vamos apoiar. (…) Eles defendem um traçado passando pelo rio Negro, mas em momento nenhum se posicionaram contra. Uns foram a favor e outros contra, e temos que respeitar os direitos dos indígenas. Brevemente, irão enviar para a Funai o seu posicionamento”, afirmou.

O cerne do problema são os 121 quilômetros de travessia da reserva indígena, apesar de o traçado seguir o eixo da rodovia BR-174, existente há mais de três décadas (o traçado pelo rio Negro implicaria em acrescentar mais 200 quilômetros aos 721 previstos no projeto original). É simplesmente inconcebível que um projeto dessa importância não possa ser desenhado para utilizar a faixa de domínio da rodovia e que o governo federal não possa, simplesmente, bater o martelo para acabar com as discussões e protelações, de modo a acabar com os problemas de abastecimento de eletricidade enfrentados por Roraima, o único estado ainda isolado do Sistema Interligado Nacional. Aqui, a força do aparato indigenista só é superada pela pusilanimidade do governo federal – que, no caso, vem do mandato anterior.

O terceiro sucesso do aparato – na verdade, o primeiro em ordem cronológica – foi a suspensão da Licença de Instalação (LI) da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), determinando a paralisação imediata das obras ainda incompletas até a “regularização” das moradias construídas para abrigar as famílias despejadas pela construção da usina. Como a concessionária Norte Energia já dispunha da Licença de Operação (LO) desde o final de 2015, os trabalhos prosseguiram. No entanto, em 20 de setembro, o TRF1 reiterou a decisão sobre a paralisação e ameaçou o uso de força policial para o cumprimento da ordem de suspensão, determinando ainda uma multa diária de R$ 100 mil em caso de incumprimento (ISA, 26/09/2017).

Definitivamente, o Brasil não poderá avançar enquanto os brasileiros não se dispuserem a neutralizar a “Máfia Verde”.

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