Indicação de Trump para EPA pode sinalizar reversão da agenda ambientalista

De nada adiantaram as reuniões solicitadas por paladinos do ambientalismo, como o ex-vice-presidente Al Gore e o ator Leonardo di Caprio, que tentaram convencê-lo da suposta gravidade das mudanças climáticas. O presidente eleito Donald Trump começou a demonstrar que falava sério quando incluiu em sua agenda de campanha o desmantelamento de parte do aparato ambientalista encastelado na estrutura do governo estadunidense, em especial, aquela vinculada às questões climáticas (Alerta Científico e Ambiental, 3/11/2016). Ao indicar para dirigir a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) o procurador-geral de Oklahoma, Scott Pruitt, ele sinalizou que os dias do radicalismo ambientalista podem estar chegando ao fim em um dos seus centros mundiais.

Pruitt, que foi eleito para o seu cargo atual em 2010 (equivalente ao de secretário estadual de Justiça no Brasil), é um ferrenho opositor do radicalismo regulatório da agência, contra a qual já moveu várias ações legais, “por sua agenda de liderança ativista e recusa em cumprir a lei”, como explicita em sua própria página no LinkedIn. Além disso, ele integra um grupo de procuradores estaduais que moveu uma ação coletiva de 28 estados contra o Plano de Energia Limpa do presidente Barack Obama, que impõe restrições crescentes à indústria de combustíveis fósseis estadunidense, principalmente à de carvão, de grande relevância em Oklahoma. A ação encontra-se pendente em um tribunal federal, mas é bastante provável que acabe na Suprema Corte (Ecowatch.com, 7/12/2016).

Em uma declaração divulgada pela equipe de transição de Trump, Pruitt afirmou que os estadunidenses “estão cansados de ver bilhões de dólares drenados da nossa economia devido às regulamentações desnecessárias da EPA, e eu pretendo dirigir esta agência de uma maneira que fomente tanto uma proteção responsável do meio ambiente como a liberdade para os negócios estadunidenses (CBS News, 8/12/2016)”.

Uma amostra do pensamento de Pruitt sobre os excessos “climáticos” foi proporcionada no artigo que escreveu em coautoria com seu colega do Alabama, Luther Strange, publicado em maio último, no sítio da revista The National Review, com o sugestivo título “A gangue das mudanças climáticas”. Nele, os autores também comentam algumas práticas insidiosas da agenda “verde” nos EUA. Algumas passagens relevantes:

(…) Um grupo de procuradores-gerais democratas anunciaram a intenção de investigar criminalmente companhias de petróleo e gás que têm contestado as bases científicas do aquecimento global causado pelo homem. Bancados por interesses em energia verde e grupos de lobby ambientalistas, a coalizão prometeu usar investigações intrusivas, litigações custosas e processos criminais para silenciar os críticos da sua agenda de mudanças climáticas. (…)

(…) O debate saudável é o sangue vital da democracia estadunidense e o aquecimento global tem inspirado um dos maiores debates políticos do nosso tempo. O debate está longe de encerrado. Os cientistas continuam a discordar sobre o grau e a extensão do aquecimento global e a sua conexão com as ações humanas. Esse debate deveria ser incentivado – em salas de aula, foros públicos e nos corredores do Congresso. Ele não deveria ser silenciado com ameaças de processo. Divergir não é um crime.

Infelizmente, não é a primeira vez que vemos essa tática de promover a agenda das mudanças climáticas por quaisquer meios necessários. O Plano de Energia Limpa do presidente Obama é um exemplo particularmente notável. Esta regulamentação da EPA, uma das mais ambiciosas já propostas, irá fechar usinas elétricas a carvão, aumentando significativamente o preço da eletricidade para os consumidores estadunidenses, e promulgar por um ato executivo o mesmo sistema de limitação e comercialização [cap-and-trade, no original] de emissões de carbono que o Congresso rejeitou.

Um trecho, em particular, deveria ser lido com bastante atenção pelos brasileiros, pois ressalta uma semelhança com certas táticas praticadas pelo aparato ambientalista no Brasil:

(…) Em sua entrevista coletiva, o grupo de procuradores estaduais se autodenominou uma “coalizão sem precedentes”. Sobre isto, eles estão corretos. Raramente, na história da nossa nação, o poder de polícia do Estado tem sido usado tão avidamente para intimidar e silenciar os cidadãos. Mas ainda mais perturbadores são os e-mails e outros documentos internos que indicam que essa coalizão não foi orquestrada pelos próprios procuradores, mas por grupos de defesa da energia verde que os usam como marionetes para promover as suas agendas extremistas. Isto deveria assustar a todos nós. Grupos externos não deveriam ser capazes de usar o poder do governo como uma espada para perseguir os seus oponentes políticos.

Com tais credenciais, não admira que o aparato ambientalista estadunidense tenha reagido com uma histeria poucas vezes vista. O sítio Ecowatch.com anunciou a indicação de Pruitt, chamando-o de “marionete da indústria de combustíveis fósseis”. A reportagem reproduz as declarações de alguns representantes do aparato ambientalista, que falam por si próprias:

Ao nomear Scott Pruitt como chefe da EPA, Trump está colocando os EUA em risco. Pruitt é um produto puro da indústria de petróleo e gás… Ele empurrará este país para muito atrás do resto do mundo na corrida pela energia limpa do século XXI. Com Scott Pruitt como chefe da EPA, as pessoas e o meio ambiente estarão nas mãos de um homem que não se importa com nenhum deles. – Travis Nichols, porta-voz do Greenpeace EUA.

A missão da EPA e de seu administrador requer um compromisso absoluto com a salvaguarda da saúde pública e a proteção do nosso ar, terras, água e do planeta. Esta é a prova de fogo. Com a nomeação de Pruitt, o presidente eleito Trump foi reprovado. – Rhea Suh, presidente do Natural Resources Defense Council.

Não se poderia escolher uma melhor marionete da indústria de combustíveis fósseis. A indicação de Pruitt revela que as idas e vindas climáticas de Trump e os encontros com Gore não passam de cortinas de fumaça. – May Boeve, diretora-executiva da 350.org.

Os estadunidenses dependem da EPA para promover a saúde humana e proteger as famílias e as futuras gerações. A sua capacidade de proteger o ar, a água e o clima para todas as pessoas deve continuar. – Sam Adams, diretor do World Resources Institute.

Como procurador-geral, Scott Pruitt fez o jogo da indústria de petróleo e gás e combateu muitas das leis que ele, agora, terá que aplicar. Ele ajudou a grande indústria petrolífera a transformar Oklahoma em uma zona de terremotos. – Benjamin Schreiber, diretor do Programa de Clima e Energia dos Friends of the Earth.

Por sua vez, H. Sterling Burnett, pesquisador do Heartland Institute, organização crítica do alarmismo climático, celebrou: “Está começando a se parecer com o Natal!”

Como todos os demais aspectos referentes ao futuro governo de Trump, será preciso aguardar para ver como ele se sairá na prática do cotidiano de Washington, em especial, no embate com a tecnocracia encastelada na máquina governamental permanente. Na EPA, por exemplo, são quatro décadas de reinado de um aparato tecnocrático bastante influenciado pela agenda das organizações ambientalistas, com raros interregnos de racionalidade na condução das ações da agência. Não obstante, são positivos os sinais de que em seu mandato os EUA poderão começar a sinalizar uma reversão da insidiosa agenda ambientalista, ironicamente, em um dos seus principais centros de origem. Ao contrário do que trombeteiam os catastrofistas, para o resto do mundo não poderia haver perspectiva mais positiva.

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