“Hidrelétrica com Bolívia é interessante para o Brasil”

hidreletricas-Madeira

O projeto de uma nova usina hidrelétrica binacional, desta vez, em parceria com a Bolívia, pode trazer grandes benefícios ao Brasil. Esta é a posição do engenheiro Allan Cascaes, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Em entrevista à agencia russa Sputnik, ele afirmou que, entre outras vantagens, uma nova usina no lado boliviano do rio Madeira pode servir como uma importante complementação para as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em construção naquele rio.

O projeto da nova usina, com potência nominal de 3 mil megawatts, encontra-se em negociação entre os dois governos e envolve um investimento previsto de R$ 15 bilhões, com a conclusão prevista para 2022. A expectativa é de que a obra tenha início em 2018, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Cascaes acredita que a relação entre os custos e os benefícios do projeto será altamente positivo para os dois países. Ele destaca que, como Jirau e Santo Antônio não têm reservatórios de acumulação grandes (por conta das concessões ao aparato ambientalista), a nova barragem permitirá a regularização da vazão do rio e a “estocagem de energia”, na forma de água, para os períodos de estiagem:

Quando tiver muita chuva, essa barragem na Bolívia vai segurar a água e liberar apenas na época da estiagem. Sob esse aspecto, ela é bastante benéfica para o Brasil (…). E fazendo uma comparação com outras usinas, o custo está dentro do razoável se nós considerarmos os custos de barragem, capital e mais as linhas de transmissão (Sputnik News, 28/05/2015).

O especialista ainda propôs a construção de usinas nucleares como alternativa economicamente viável para ajudar a eletrificar a Região Amazônica, mas, por terem vida útil média de 40 anos, as nucleares ainda ficam em desvantagem em relação às hidrelétricas:

A primeira alternativa, mais atraente, sempre é uma hidrelétrica. Eu até aproveito para me posicionar contrário a essa ideia de que não se pode construir usinas com reservatórios porque vai alterar o meio ambiente. Porque, na verdade, eu não estou alterando totalmente o meio ambiente, eu estou criando um novo meio ambiente (…). Eu estou substituindo aquela área por um lago, que vai ter agora um novo papel na biodiversidade. (…)

Essas obras de longo prazo têm que ser iniciadas com bastante antecedência. Porque, quando não fazem essas obras de hidrelétricas, ou de usinas nucleares, a alternativa é a pior possível: a construção de termelétricas. Estas, além de encarecer muito a conta da energia elétrica para o consumidor, são terrivelmente prejudiciais ao meio ambiente.

Em junho, o ministro das Minas e Energia Eduardo Braga deverá fazer uma visita à Bolívia, para assinar um memorando de formalização dos estudos ambientais e técnicos do projeto. Segundo a reportagem, o acordo poderá incluir a construção de usinas termelétricas na região da fronteira binacional, perfazendo uma capacidade de geração total de 7.500 MW. Como referência, todo o consumo atual da Bolívia não chega a 1.300 MW, o que deixa a perspectiva de que o país, além de poder impulsionar a sua industrialização, poderá converter-se em um exportador de eletricidade.

Agora, preparemo-nos para os inevitáveis protestos do aparato ambientalista-indigenista.

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