Engenheira brasileira vence competição internacional Desafio do Grafeno

Apesar de tardiamente, é com satisfação que registramos a façanha da brasileira Nadia Ayad, recém-formada em Engenharia de Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) do Rio de Janeiro, vencedora da competição internacional Desafio do Grafeno (Graphene Challenge), promovida pela empresa sueca Sandvik Coromant.

A competição reuniu projetos para a utilização doméstica do grafeno, submetidos por candidatos de todo o mundo. O grafeno é um composto de carbono semelhante ao grafite, mas muito mais fino, sendo 200 vezes mais resistente que o aço e um dos melhores condutores de calor e eletricidade conhecidos, o que lhe assegura uma grande variedade de aplicações.

O projeto da brasileira propõe a utilização do grafeno em um dispositivo de filtragem e dessalinização para o fornecimento de água potável para residências, proporcionando uma solução de custo bem menor para o abastecimento doméstico.

Em entrevista publicada no sítio da empresa, ela explicou a proposta:

O grafeno é um dos materiais mais interessantes atualmente, então, aproveitei essa oportunidade para aprender mais sobre ele e me desafiei a ver quão longe eu poderia levar minha ideia. (…) Com o aumento da urbanização, globalização e a ameaça das mudanças climáticas, há a previsão de que quase metade do mundo viverá em áreas onde a água será escassa. Por isso, existe uma real necessidade de métodos eficientes para o tratamento e dessalinização de água. Pensei que a natureza exclusiva do grafeno e suas propriedades, incluindo seu potencial como membrana de dessalinização e suas propriedades superiores de peneiração, poderia ser parte da solução (Sandvik Coromant, 26/09/2016).

“Sempre fui fascinada por medicina regenerativa e pela forma como podemos usar materiais avançados para reparar e melhorar o corpo humano. Essa curiosidade me levou a escolher a carreira em engenheira de materiais com ênfase em trabalhos de pesquisa em engenharia de biomateriais e tecidos”, completou.

“Nós estamos muito satisfeitos com a qualidade das propostas que recebemos de todo o mundo, de modo que não foi fácil selecionar um único vencedor. Nós ficamos muito impressionados com a proposta de Nadia, como ela foi bem pesquisada e como ela foi capaz de conceitualizar a sua ideia”, disse David Goulbourne, gerente sênior da Unidade de Produtos da Sandvik Coromant e um dos membros do comitê julgador.

 

“As propostas muito interessantes e de ampla abrangência que recebemos são uma manifestação desse potencial. Também está claro que o grafeno tem o potencial para [induzir] tecnologias e inovações perturbadoras, que não se encaixam nos atuais modelos de negócios das companhias existentes. O Desafio foi uma boa maneira de pensar fora desses modelos de negócios”, complementou outro jurado, Patrik Carlsson, diretor do Centro de Grafeno da Universidade Técnica Chalmers de Gotemburgo.

A Sandvik Coromant é parte do grupo sueco Sandvik é uma das empresas líderes na área de máquinas-ferramentas, atuando em 130 países, inclusive o Brasil. A empresa tem cerca de 8 mil funcionários e é detentora de 3.100 patentes internacionais.

Estudante do IME, Ayad passou um ano na Inglaterra como bolsista do programa Ciência Sem Fronteiras, estudando na Universidade de Manchester e estagiando no Imperial College de Londres. Agora, ela pretende fazer o doutorado, tendo se candidatado ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e à Universidade de Cambridge (Brasileiros.com.br, 10/01/2017).

Em entrevista ao sítio ONDDA (05/01/2017), ela afirmou que seu projeto de doutorado envolve o uso de biomateriais para induzir células-tronco a formar tecidos como os das cartilagens.

“A experiência no exterior mostra que dá para aprender com o que se faz lá fora e, ao mesmo tempo, entender o que fazemos de bom aqui. Quero que, no futuro, as pessoas não precisem ir para fora para ter acesso à pesquisa de ponta”, afirma ela.

Comentários

comments

x

Check Also

O imbróglio do satélite geoestacionário

Previsto para ter sido lançado ao espaço em março, o Satélite Geoestacionário de Defesa e ...