CPI do Cimi: produtores confirmam que ONG participou das invasões

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Na sessão da semana passada da CPI do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), realizada na terça-feira 3 de novembro, dois produtores rurais que tiveram as suas propriedades invadidas por indígenas confirmaram as denúncias de que membros da ONG têm participado das invasões em Mato Grosso do Sul, que levaram a Assembleia Legislativa do estado a investigar o assunto.
Na oitiva, os produtores Vanth Vanni Filho e Mônica Alves Corrêa afirmaram que as suas relações com os indígenas da região sempre foram pacíficas, até o início da recente investida indígena pela ampliação dos seus territórios, que resultou nas invasões de mais de 90 propriedades rurais. Vanth, proprietário de uma fazenda invadida em 2013, cuja escritura data de 1912, afirmou que dois de seus funcionários são casados com indígenas e que ambos sempre relataram sobre a influência que o Cimi exercia sobre as aldeias da região, sobretudo incitando a promoção de invasões. Ele também apresentou à CPI provas de que a embaixada da Noruega em Brasília financia o Cimi.
Por sua vez, Mônica Corrêa, cuja propriedade foi invadida na mesma época, também confirmou  a presença de integrantes do Cimi na invasão. Um deles, disse ela, foi o advogado Luiz Henrique Eloy, indígena da etnia terena, que lhe teria dito que a invasão estava acontecendo porque, pela lei terena, aquela área pertencia aos indígenas, independentemente das leis do Estado brasileiro. Segundo ela, os invasores demonstraram uma capacidade de planejamento e sistemática de guerrilha em sua movimentação, o que, para ela, sugere um apoio não apenas do Cimi, mas de outras organizações semelhantes (A Crítica, 4/11/2015).
Na mesma sessão, o Cimi foi cautelosamente defendido pelo procurador regional da República no estado, Emerson Kalif Siqueira, que visita regularmente aldeias indígenas e afirmou nunca ter presenciado a ONG incitando invasões de terras particulares (o que, de fato, não surpreende, pois dificilmente o fariam na presença de uma autoridade). Para ele, o governo brasileiro é o responsável pelos conflitos envolvendo os indígenas, pela demora nos processos demarcatórios das suas terras e a ausência de assistência social a eles, o que os incentivaria a invadir terras tituladas.
Questionado pela deputada Mara Caseiro (PTdoB), presidente da CPI, sobre as reais intenções de entidades internacionais ao financiar o Cimi, o procurador disse apenas que teve informações de que a Igreja Católica da Holanda colabora financeiramente com a ONG (provavelmente, por intermédio da ICCO-Organização Intereclesiástica para a Cooperação ao Desenvolvimento).
Ao final da sessão, o relator, deputado Paulo Corrêa (PR), voltou a esclarecer o objetivo da CPI: “Nós estamos investigando e para ser bem claro e não ficar dúvidas, essa CPI não é de índio, não é da Igreja Católica, essa CPI é do Cimi. Nós estamos investigando se o Cimi incita ou não incita invasão. Nosso dever aqui é investigar e no final vamos entregar o resultado para as autoridades competentes. Estamos recebendo diversos depoimentos que mostram que o Cimi financia, incita e coloca em ação um aparato de pessoas, inclusive com dinheiro que vem de fora, para fazer invasão (Jornal Dia Dia, 4/11/2015).”

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