Convocatória – Foro de Guadalajara 2014

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Nos próximos dias 20 a 23 de outubro, o Foro de Guadalajara realizará naquela cidade mexicana o seu Segundo Encontro Internacional, com o tema: “As bases para uma nova ordem mundial: a política como forma superior de caridade.”

Dois anos após a realização do Foro de Guadalajara 2012, é evidente a deterioração do cenário mundial, pelo efeito das permanentes violações do direito internacional pelas potências hegemônicas, com o intuito de preservar a sua supremacia, apoiada no conceito do “excepcionalismo”. Com isto, os fundamentos do direito internacional têm sido afetados pela aliança militar transatlântica, que, desde o fim da Guerra Fria, há 25 anos, tem protagonizado sucessivas ações militares, planejadas pelos seus estrategistas para consolidar uma “Nova Ordem Mundial”, que garanta os seus interesses exclusivistas. Tal projeto envolve os mecanismos estabelecidos para a criação de uma estrutura de “governo mundial” (ou, como preferem alguns, “governança global”), sem respeito pelos interesses legítimos dos demais Estados nacionais do planeta, pressionados e chantageados a aceitar um sistema de soberanias limitadas.

Em paralelo com o esforço bélico, têm sido intensificadas as manobras, no âmbito dos organismos multilaterais, para a imposição de uma retrógada cultura de natureza malthusiana, que distorce os valores da pessoa humana universalmente reconhecidos. Sob esta perspectiva, tem sido fomentada a denominada “ideologia de gênero”, a qual tem ensejado uma autêntica revolta antropológica anticristã, ao reinterpretar de uma forma peculiar os direitos fundamentais do indivíduo e da família. Com as mesmas premissas, sem qualquer comprovação científica, o ambientalismo radical e as divisões étnicas e indígenas são promovidos por meio de uma enorme rede de organizações não-governamentais (ONGs).

Nesse ambiente global de ataques às instituições do Estado soberano, à pessoa e à família tradicional, manifestam-se, também, ataques para prejudicar a convivência solidária no interior das nações, induzindo mecanismos de competição selvagem. Por um lado, esta cultura competitiva aniquila o direito ao trabalho dignamente remunerado e reduz as pensões, enquanto, de outro, ataca a livre associação sindical, apresentando-a sempre como um obstáculo no caminho rumo à chamada “modernidade econômica”.

Consideramos que a crise sistêmica em curso só terá uma resposta possível mediante a implementação de uma grande reforma do sistema financeiro internacional, que o recoloque a serviço da economia real, em especial, com a implementação de grandes obras de infraestrutura para o desenvolvimento econômico. Em alternativa à geopolítica anglo-americana e suas guerras por recursos naturais, os grandes eixos de desenvolvimento na América Latina, África e Eurásia se apresentam como esperanças para a construção de um marco global de cooperação entre as nações.

Acreditamos que é preciso “reabilitar a política, que é uma das formas mais elevadas de caridade”, como afirmou o papa Francisco, no discurso à classe dirigente brasileira, em 27 de julho de 2013, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, durante a sua marcante presença na Jornada Mundial da Juventude.

Nesse sentido, não podemos deixar de lado o fato de que, ao mesmo tempo e em concordância com o espírito otimista do Foro de Guadalajara 2012, a História nos surpreendeu com um novo e grandioso aliado no processo de integração latino-americana: o próprio Pontífice. Ainda que a figura do homem “que veio do fim do mundo”, como se definiu ao iniciar o seu pontificado, fosse pouco conhecida, as suas sólidas convicções em relação ao bloco ibero-americano, como uma promessa de protagonismo na reestruturação da ordem internacional, abre uma nova perspectiva no nosso momento histórico, que poderá levar-nos a uma unidade baseada no bem comum.

Por isso, o Foro de Guadalajara 2014 será um espaço aberto para discussões e reflexões, tendo como base a defesa do Estado nacional soberano, a integração de esforços entre eles, a justiça social e o bem comum.

Os trabalhos abordarão:

– uma análise do contexto estratégico mundial em transformação, particularmente, a situação da Europa e o projeto da integração eurasiática, prejudicado pela crise na Ucrânia;

– as perspectivas futuras da ciência e da tecnologia, com a necessidade de retomada da ideia de um “Imperativo Extraterrestre”, no qual a conquista espacial se converta em uma área de cooperação mundial, servindo de motor do desenvolvimento econômico e da pesquisa de novos princípios físicos;

– aspectos da educação e da cultura, contrapondo uma perspectiva cristã aos intentos de desconstrução moral dos Estados soberanos;

– a origem e os propósitos da “ideologia de gênero”.

O Foro de Guadalajara 2014 também dará continuidade ao exitoso encontro sindical Brasil-México, iniciado em um evento patrocinado pela Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), com a participação da Federación Revolucionaria de Obreros y Campesinos (FROC-Jalisco), realizado no Memorial Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, em setembro de 2013. Neste sentido, será realizado um painel dedicado à defesa da dignidade, dos direitos ao trabalho e à organização sindical diante das políticas da globalização.

Em relação à América Latina, debateremos o estado do projeto de integração continental e as ideias de um novo protecionismo regional.

Assim como no Foro de Guadalajara 2012, participarão da edição deste ano convidados da Ibero-América e da Europa.

O evento será realizado no teatro Alarife Martín Casillas e o encerramento, no Centro Cultural Cabañas, ambos, pontos de referência da cidade.

Coordenador-geral: Lorenzo Carrasco, lorenzo.carrasco.bazua@gmail.com.

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