Bancada de RR cobra de Temer solução para Linhão

A interminável novela do Linhão Manaus-Boa Vista teve mais um capítulo na semana passada, com a reunião da bancada federal de Roraima com o presidente da República, Michel Temer, para tratar da crise energética no estado. Como se sabe, o projeto da linha de transmissão que acabaria com o isolamento de Roraima do sistema interligado nacional, é mais uma vítima do aparato ambientalista-indigenista que atua no País, que tem desafiado todos os esforços de levá-lo adiante.

Na reunião, ocorrida na terça-feira 4 de outubro, o deputado Remídio Monai (PR-RR) lembrou que os roraimenses esperam há anos a concretização do projeto e enfatizou com veemência que o acesso ao fornecimento confiável de eletricidade é crucial para o desenvolvimento do estado:

São 730 quilômetros de distância que nos separam da tão sonhada independência energética. Com a conclusão da obra do Linhão do Tucuruí, Roraima irá finalmente ter energia segura, de qualidade, sem riscos de apagões e com tarifas mais acessíveis. Estamos dependendo da licença ambiental para cruzar a reserva indígena Waimiri-Atroari. Estamos falando de mais de 500 mil pessoas prejudicadas por uma decisão equivocada, que não observou que a construção do Linhão de Tucuruí está dentro da faixa de domínio da União na BR-174 (BVNews, 5/10/2016).

Inconformado, o parlamentar afirmou que o povo roraimense se sente abandonado pelo governo federal. “Em Roraima, depois de iniciada a obra é que o Ministério Público se manifestou sobre as terras indígenas e a necessidade da Carta de Anuência para a continuidade do empreendimento. Precisamos de garantias concretas e prazos para a solução desta crise energética em Roraima”, cobrou ele.

O presidente pediu ao ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que interceda junto a Fundação Nacional do Índio (Funai), para que seja encontrada uma solução urgente ao problema. O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, também foi acionado e ficou com a atribuição de cobrar uma posição do consórcio Alupar, responsável pela execução do contrato, sobre a continuidade da obra. Temer se comprometeu a acompanhar de perto a situação e agendou uma nova reunião em 30 dias.

O impasse do Linhão foi objeto de um discurso da senadora Ângela Portela (PT-RR), em 13 de setembro, no qual afirmou que por conta da falta da interligação com o sistema nacional, Roraima tem gasto R$ 450 milhões com usinas termelétricas para atender à população. Segundo ela, o problema se agrava com a decisão (mais que compreensível) do consórcio Alupar, de devolver a concessão da obra ao governo federal e cobrar uma indenização de R$ 500 milhões pelos prejuízos sofridos com a não realização da mesma (Agência Senado, 13/09/2016).

Aguardemos o retorno do presidente, dentro de um mês.

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