Ambientalistas, indigenistas e outros “istas” promovem Dia de Ação contra Barragens

A terça-feira 14 de março presenciou a celebração do Dia Internacional de Ação Contra Barragens. Promovido pela habitual coalizão de organizações não-governamentais (ONGs) que compõem o aparato ambientalista-indigenista no País, a mobilização incluiu manifestações em vários estados, com destaque para o bloqueio da rodovia BR-425, em Nova Mamoré (RO), em protesto contra o projeto da usina hidrelétrica de Ribeirão.

O protesto, articulado pelo onipresente Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Instituto Madeira Vivo (IMV), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e organizações sociais de Porto Velho, contou também com as presenças de prelados como o bispo da diocese de Guajará-Mirim, Dom Geraldo Verdier, e Dom Benedito Araújo, administrador apostólico da arquidiocese de Porto Velho. Participaram da manifestação integrantes de movimentos sociais, indígenas, habitantes ribeirinhos da área e bolivianos, que vieram do país vizinho especificamente para isto.

“Representamos os 24 povos de Guajará-Mirim e dizemos não, não para a construção da Hidrelétrica do Ribeirão, dizemos não para a construção de hidrelétricas nos rios da Amazônia, dizemos não à violação de direitos, queremos sim justiça social, políticas públicas, igualdade e respeito”, disse a líder indígena Eva Kanoé (Cimi, 16/03/2017).

Dom Benedito Araújo completou, afirmando que se trata apenas do começo de uma luta “que teremos pela frente, na atual conjuntura brasileira, para garantir os direitos já conquistados. Que este dia possa ser um dia que nossa voz seja ouvida, e ouvida sobre tudo contra essa cultura que para produzir precisa destruir tudo. Não podemos concordar que ‘terra não enche barriga’ [referência a uma declaração do novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio, sobre as demandas de novas demarcações de terras indígenas – n.e.]”.

O protesto incluiu a divulgação de cartas aos motoristas e à população, com descrições apocalípticas das consequências e impactos da construção da hidrelétrica.

A usina, com 3.000 megawatts de potência instalada, deverá ser construída no rio Guajará-Mirim, que separa o Brasil da Bolívia, e será binacional com o país vizinho. Em dezembro último, a Eletrobrás e o Consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR) assinaram um memorando de estudos de viabilidade para a usina, cujo custo é estimado em R$ 15 bilhões. O estudo deverá ser concluído em 18 meses, e fornecerá os dados necessários para que a estatal brasileira e sua contraparte boliviana, Ende, possam formatar o leilão de licitação da obra, que deverá seguir os moldes da Itaipu Binacional.

A construção da usina viabilizará a formação de uma malha hidroviária de 4.200 quilômetros nos dois países, além de estabilizar a operação da hidrelétrica de Jirau, situada a jusante, no rio Madeira, acrescentando 280 megawatts adicionais à sua capacidade geradora (O Mamoré, 29/12/2016).

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