Acordo de Paris: RIP

O acordo climático de Paris, assinado com grande pompa e circunstância ao final de 2015, está morto. Quem afirma é o veterano jornalista canadense Lorrie Goldstein, do jornal Toronto Sun, num artigo publicado em 19 de março.

Segundo Goldstein, a causa do óbito foi o orçamento federal dos EUA para 2018, apresentado ao Congresso pelo presidente Donald Trump.

Embora o Congresso não deverá aprovar o projeto orçamentário como lhe foi enviado, Goldstein observa que a “clara intenção [de Trump] de esvaziar a política climática estadunidense, desmantelando a Agência de Proteção Ambiental (EPA), significa a sentença de morte para o tratado de Paris”.

O orçamento proposto contempla cortes mais profundos na EPA do que em qualquer outra agência governamental, reduzindo em 31% o seu atual orçamento anual de 8,2 bilhões de dólares, demitindo 19% dos seus 15 mil funcionários e cortando 50 programas, muitos deles relacionados às questões climáticas.

O diretor de orçamento da Casa Branca, Mick Mulvaney, deixou clara a intenção do presidente: “No tocante à questão das mudanças climáticas… Não estamos mais gastando dinheiro nisso. Nós consideramos que é um desperdício do seu dinheiro.”

Para Goldstein, “isso significa que os EUA, o segundo maior emissor de gases de efeito estufa industriais (a China é o primeiro), efetivamente, se retiraram do tratado de Paris, independentemente de tê-lo feito formalmente”.

Em Paris, ficou acertado que os países desenvolvidos, EUA à frente, deveriam estabelecer um fundo global de 100 bilhões de dólares anuais para proporcionar a “descarbonização” das matrizes energéticas das economias em desenvolvimento. Agora, parece que os que contavam com negócios “verdes” nessa escala terão que buscar outros investimentos – de preferência, em setores produtivos.

Fora do G-20

Outro golpe na pauta “aquecimentista” foi a exclusão de qualquer menção à questão climática na declaração final da reunião dos ministros da Fazenda do G-20, em Baden-Baden, Alemanha, no último fim-de-semana. A decisão, tomada por pressão da delegação estadunidense, chefiada pelo secretário do Tesouro Steven Mnuchin, foi também estendida a outro tema caro para a agenda “globalista” (da qual o catastrofismo ambientalista/climático é um dos principais itens), o compromisso com o livre comércio.

Por isso, não admiram as reações amargas dos batedores de bumbo da agenda climática.

O diretor da seção do Sudeste Asiático do Greenpeace, Li Shuo, lamentou que a decisão demonstre “uma falta de atenção com as mudanças climáticas”, acrescentando que “os outros países não deveriam permitir (sic) que isso aconteça novamente”.

Referindo-se tanto à questão climática como ao livre comércio, o ministro das Finanças francês, Michel Sapin, disse lamentar “eu as nossas discussões tenham sido incapazes de chegar a uma conclusão satisfatória sobre duas prioridades absolutamente essenciais”.

Já o comissário de Economia da União Europeia, Pierre Moscovici, justificou a atitude europeia no encontro, dizendo que, como se tratava do “primeiro contato com essa nova administração, não faria sentido entrar numa briga”. No entanto, completou, “eu espero que [na cúpula do G-20] em Hamburgo [em julho próximo] será diferente. Nós precisamos disso. É a razão de ser do G-20 (Deutsche Welle, 18/03/2017)”.

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